Editoria: Helio Fernandes. Subeditoria: Roberto Monteiro Pinho

domingo, 11 de janeiro de 2015

2 MILHÕES DE FRANCESES REVERENCIAM OS JORNALISTAS – CARTUNISTAS, CONDENAM OS TERRORISTAS, EXALTAM A LIBERDADE DE IMPRENSA E DE EXPRESSÃO.

HELIO FERNANDES

12.01.15
Desde o fim da Segunda Guerra Mundial, nenhum acontecimento cívico dramático teve a repercussão do assassinato dos cartunistas do “Charlie Hebdo”. É lógico que outros atentados aconteceram em vários países. Principalmente o “11/9” das Torres Gêmeas de Nova Iorque.

Não só pela comparação do número de mortos, dois (2) no semanário “Charlie”, milhares em Nova Iorque.

Mas principalmente por causa do impacto e da perplexidade daquele assalto que ninguém imaginava e ficou histórico para sempre. Invadiram um país distante e consumaram o drama inacreditável, deixando para sempre escrito o que tenho registrado seguidamente: Não existe distancia entre a vida humana e a crueldade dos terroristas, qualquer que seja o objetivo deles.

No caso dos jornalistas-cartunistas, a covardia, o espírito de vingança inato, a crueldade de quem despreza visivelmente a vida humana, fica mais do que evidente. E dizimando vidas, esses terroristas querem e queriam deixar bem explícito, que através deles pretendiam mostrar que são mais fortes do que todos, principalmente a liberdade de Imprensa e a Liberdade de expressão.

Não obtiveram sucesso, foram mortos, a violência perdeu o caminho e o roteiro, a liberdade foi festejada no mundo. Atingido o apogeu, ontem, com 2 milhões de franceses (1 milhão e meio apenas em Paris), reunidos, aplaudidos e apoiados por líderes de Cinquenta (50) países.

Esse número de 2 milhões nas ruas de Paris e na França inteira chega a ser irrisório diante dos cálculos e pesquisas dos que homenagearam, choraram e protestaram no mundo inteiro. Dados até modestos conclusos que mais de 2 bilhões de pessoas ficaram horas diante da televisão assistindo tudo o que acontecia na França.

E também de acordo com estimativas, de cada duas pessoas, pelo menos uma confessava ou lamentava. “Eu queria estar lá”. Entre esses, naturalmente este repórter.

Menos Dona Dilma, longe e satisfeita, em nenhum momento admitiu ir a Paris. Na sexta feira, quando foi anunciada a “passeata de 1 milhão” (que ultrapassou a expectativa, chegando ao dobro), a presidente conversou com Ricardo Berzoini (Ministro das Comunicações) e Aloizio Mercadante, (Chefe da Casa Civil).

Diante da pergunta da presidentA (para eles) sobre a possibilidade dela ir imediatamente participar da grande homenagem, os dois ao mesmo tempo recusaram qualquer ideia sobre isso. Berzoini, que é ferrenho defensor da “coordenação” da imprensa, disse logo: “PresidentA, essa é uma festa da liberdade de Imprensa e da Expressão, vão acreditar que essa é também a nossa convicção”.

Ás cinco (5 horas) de Brasília, oito (8) da França, Dona Dilma já entrara em desespero. Despachou os dois, ficou sozinha, nem foi para o Alvorada, Imaginou o sucesso que poderia ter obtido, sua imagem teria ido lá para o alto.

O frio era de (7) graus em Paris, o povo não saía das ruas. Os líderes de pelo menos 50 países, foram á Sinagoga, (judaica) onde pronunciaram muitos discursos, alguns emocionados. Mas o mais contundente e comovente estava todo numa frase que o mundo recita e repete desde a quarta feira dos assassinatos-terroristas:

SOMOS TODOS CHARLIE.

Ainda não terminou coisa alguma. Existe uma curiosidade muito grande a respeito da edição de quarta feira, (depois de amanhã) do semanário. Já foi amplamente divulgado que terá 1 milhão de exemplares e apenas doze ou dezessete páginas o contrário do “Charlie” habitual. Também se sabe que a nova edição do semanário satírico, humorístico, invencível, está sendo preparado na redação do grande jornal “Liberacion”.

(Aqui um parêntese para reconhecimento a respeito dos jornais e das revistas que sairão esta semana, incondicionais no apoio aos jornalistas–caricaturistas. Nenhum desses jornais publicaria qualquer charge daquelas, é um direito deles, mas não hesitaram um minuto em reverencia os mortos e compartilhar o momento com os vivos).

Qual será a copa do próximo Charlie?

Esse é um momento que o mundo espera, e que representa terrível desafio de criatividade para os que vão fazer jornal. Alguém sugeriu: “A capa deve ser uma foto dos quatro assassinados, homenagem merecida”. Responderam sem hesitação: “Eles não serão esquecidos jamais, só que o “Charlie” segue seu destino, continua como sempre foi”. Maravilha de consciência, de concordância com o que sempre foram e não deixarão de ser.

Netanyahu pessoal e eleitoral.

Fez questão de estar em Paris, teve a noção exata da repercussão da passeata, visão que Dona Dilma não teve e agora fica sofrendo. O Primeiro Ministro de Israel não quis discursar na Sinagoga, foi representado, achou que lá não cabia o que precisava dizer.
Começou assim: “homenagear os jornalistas que morreram quando trabalhavam, mas quero me dirigir aos judeus do mundo inteiro”.

Arrogante ou pretensioso. Na fila das personalidades na Praça da República, o Primeiro Ministro de Israel ficou á direita do Presidente da França, o Chefe da Unidade Palestina, á esquerda. Coincidência ou a verdade colocada puramente por acaso?

Os terroristas foram esquecidos, descuidados, abandonados?

Muitas questões serão levantadas e terão que ser esclarecidas a partir de um momento que pode ser agora. E o que coloquei no título desta nota é um dos mais importantes. Os dois irmãos assassinos eram conhecidos da segurança francesa, um deles chegou a ser julgado, condenado a três (3) anos de prisão. Cumpriu um (1) ano, foi libertado. E a segurança não se incomodou mais com ele.

“Tenho orgulho da polícia da França”.

Foi o presidente da França que disse isso, no primeiro discurso às 9 horas da mesma quarta feira. É possível que a partir de determinado instante, o elogio tenha sido merecido. Mas só num instante. Disseram, “a segurança da França teve que lidar com dois terroristas treinadissimos”.

Ora, não passam de dois terroristas-assassinos-suicidas. É realmente muito difícil “acompanhar a vida de terroristas”, quando são suicidas levam vantagem, não têm nada a perder.

Mas se fossem competentes como dizem e muitos acreditam, teriam escapado facilmente. Conseguiram completar o assassinato, porque não havia a menor segurança no edifício ou na redação do “Charlie”.

Com seguranças desde 2011, quando fizeram as primeiras charges sobre Maomé, a polícia foi se desinteressando, relaxando, a ponto de só saberem dos assassinatos, muito tempo depois. Inacreditável, mas rigorosamente verdadeiro.

E como podem ser “treinadissimos”, dois terroristas que esquecem a carteira de identidade no carro em que estavam fugindo? A partir daí, a polícia da França soube com quem estava lidando, seus nomes e outros dados que exigiram mais de 48 horas de um exército de 88 mil policiais, para localizar, cercar e matar os terroristas sem saber o que estava acontecendo.

O mundo não será mais o mesmo, agora.

Haja o que houver, isso é verdade. Quem quiser que continue não acreditando e arriscando. Esqueceram o atentado feito em Buenos Aires exatamente há 20 anos. Morreram 85 mil pessoas, o alvo eram os judeus, nunca se soube a motivação.

Hoje, o fato se repete, morrem dois jornalistas, mas os terroristas se julgam vencedores, e lógico, irão continuar. Não se sabe onde praticarão os próximos assassinatos.

PS- De qualquer maneira, esperemos o “Charlie” de quarta feira, depois de amanhã. Haja o que houver, perdeu profissionais, ganhou a credibilidade do mundo. Toda esperança, crença e segurança e que sairão vitoriosos do desafio contra a Liberdade, seja qual for. “Somos todos Charlie”, como o mundo viu ontem.
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Jornalista Helio Fernandes.

Quem acompanha seu blog sabe que é avesso a presidenta Dilma Rousseff. No entanto ela é uma vitoriosa, venceu duas eleições seguidas, contra os oligarcas, que dominaram a política brasileira por anos. Não sou petista, mas sou a favor dos que fazem acontecer. Vide a educação, a economia e as relações com os países vizinhos na América Latina. Melhor dar Bolsa Família do que entregar as estatais ao capital internacional. O pobre nunca pode chegar a Universidade, agora está lá. Veja se esquece ela por um tempo.

Maria Letícia Nonato - Brasília-DF

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