Editoria: Helio Fernandes. Subeditoria: Roberto Monteiro Pinho

segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

A MORTE DO DITADOR CASTELO BRANCO, DOCUMENTO HISTORICO QUE COMPLETA 48 ANOS – I.

HELIO FERNANDES
13.01.15

Circulam várias versões e interpretações sobre os meus artigos (é importante que se saiba que escrevi sobre a morte do ex “presidente”, 2 artigos assinados na primeira página e uma coluna inteira com o pseudmino de João da Silva que a hipocrisia do governo passado me obrigou a usar sabendo como sempre soube que João da Silva e Helio Fernandes era a mesma pessoa, (coisa que também jamais escondi) com as mais diversas conclusões, Mas nenhuma delas verdadeiras ou autorizada. Meus artigos sobre o ex ”presidente” Humberto de Alencar Castelo Branco, não são nem frios nem passionais. São lúcidos e coerentes. Foram escritos por um homem que sabe sempre o que escreve e põe sinceridade em todas as suas atitudes. Meus artigos tinham o objetivo de constituir advertência para o futuro e não ajuste de contas com o passado.

Desde o momento em que recebi a notícia da morte do ex ”presidente”, nem me passou pela cabeça a ideia de deixar de escrever uma última vez sobre o seu governo que sempre considerei catastrófico, e a marca pessoal que ele imprimiu a esse governo. Durante os 3 anos em que o Sr. Castelo Branco foi o mais poderoso “presidente” da República de toda História brasileira, combati o seu governo e a ele, pessoalmente, da forma mais dura e implacável  para milhões de pessoas neste país. Ninguém atrasou mais o futuro e o desenvolvimento deste país do que o governo do ex “presidente”.

Enfrentei o seu governo arbitrário e violento, de peito aberto, sem pedir nada, sem acomodações ou transigências. Tendo dito dele, enquanto ele era presidente e poderoso, tudo que se pode dizer de pior de um governante (com a única ressalva, que também fiz depois da sua morte, a respeito da sua rigorosa integridade pessoal em matéria de dinheiro), não me pareceu de forma alguma despropositado que eu afirmasse tudo isso no dia da sua morte.

Alguns, como justificativa e como representação da mais autêntica hipocrisia, chegaram a dizer publicamente: “10 ou 15 dias depois da morte do ex-presidente, vá lá que se escrevesse contra ele; mas no dia mesmo da sua morte, foi demais”. Meus artigos tinham e têm o sentido de advertência para futuros homens públicos, para que não se desmandem e nem cometam todas as vilanias em vidas pensando que a morte será capaz de acabar com tudo, de absolvê-los, de provocar o esquecimento de todos os erros e de todos os prejuízos causados ao país.

Além do mais, para mim a morte é um problema médico e não cívico. Os mortos particulares podem ser chorados e velados no altar particular de cada família, sem a interferência ou a intromissão de ninguém, Já os homens públicos, esses devem, ser julgados pelo bem ou pelo mal que fizeram ao seu país, sem que a morte em si mesma constitua uma absolvição. A morte é uma contingência fatal e irrecorrível, não é um julgamento do Tribunal Federal de Recursos.

O último ato que um médico pratica antes de declarar que um cidadão está morto, é verificar se o seu coração deixou de bater. Ora, recuso-me a admitir, em quaisquer circunstancias, que o fato do coração de um homem ter deixado de bater, possa ter qualquer significação cívica. Quem foi grande homem com o coração pulsando, continuará a selo depois que ele parar; quem não foi antes, não poderá sê-lo de forma alguma depois. Não é nem desconhecida nem original a afirmação famosa: “A morte iguala os homens, a vida revela as eminências”. Não tendo considerado o ex-“presidente” eminência em vida, não havia porque mudar de opinião depois dele morto, ou porque silenciar, o que, ai sim, se constituiria num ato de covardia e de acomodação.

Além do mais, os homens públicos, ao exercerem os cargos políticos, perdem a condição de cidadãos particulares, não só se sujeitam como aceitam tacitamente o julgamento da opinião pública. E ninguém mais autorizado e mais obrigado a esse julgamento diário do que os jornalistas.

Um ex-presidente da República, morto ou vivo, é uma personalidade polêmica pela própria razão do cargo que ocupa ou ocupou, tem que ter naturalmente os seus atos discutidos, criticados, analisados, esmiuçados, desvendados, no todo ou em parte, no conjunto e no detalhe. Considero que a política desnacionalizante que o “presidente” Castelo Branco impôs a este país, trouxe prejuízos incalculáveis aos seus 85 milhões de habitantes.

Durante três anos fiz as mais violentas criticas a Castelo Branco. Durante esse tempo os seus admiradores (os sinceros e ocasionais) o incensavam e o colocavam como “o maior “presidente “da História”. Por que não hão de valer apenas os elogios, e as criticas hão de ser punidas com degredo, confinamento, prisão, uma série enorme de violências? Nenhum presidente, por melhor que seja, recebe apenas elogios; nenhum presidente, por pior que se mostre, acumula apenas criticas e reações desfavoráveis.

É tolice e mais do que isso, é má fé evidente e declarada, pensar que um presidente da República pode se furtar ao julgamento da História. Principalmente um homem que chegou à “presidência” inesperadamente no bojo de uma revolução contra o Poder constitucional e legalmente organizado. E o julgamento da posteridade começa antes da morte, não pode respeitar a morte, é mais importante que a própria morte.

NA PRÓXIMA PUBLICAÇÃO. (II Parte)
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Nossos leitores podem fazer comentários e se comunicar com o colunista, através do e-mail:
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As respostas serão publicadas aqui no rodapé das matérias. (NR).


Prezado Helio Fernandes, foi uma enorme satisfação para mim saber que você voltou a escrever, depois de um período parado. Seus artigos são uma das poucas coisas que me animam e me estimulam ultimamente.
Por favor, nunca pare de escrever.
 
Cordiais saudações de um admirador,
 
Jorge Eduardo Rubies
São Paulo - SP


Sr.Helio Fernandes.

Venho aqui para declarar minhas considerações pelo excelente texto sobre o caso “CHARLIE”. Se puder gostaria de mais opiniões sobre o assunto
Abraços do seu sempre leitor

Álvaro Benevides de Lucena – P. Alegre – RS.

Ao Blog do Helio.

Porque não convidar outros jornalistas para compor o Blog Helio Fernandes - Tribuna online, um grupo especial de comentaristas políticos? Com certeza iria enriquecer ainda mais o seu trabalho. No aguardo.

Josué Nepomuceno de Paula – Recife - PE

(NR) POR PROBLEMAS TÉCNICOS AS 11:30 ESTARÁ SENDO PUBLICADA A MATÉRIA PRINCIPAL.




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