Editoria: Helio Fernandes. Subeditoria: Roberto Monteiro Pinho

terça-feira, 27 de janeiro de 2015



AS COXIAS FERVILHAM

FERNANDO CAMARA
28.01.15

       O palco da política se abre essa semana e vai mostrar que o eixo do embate entre PSDB e PT em voz alta, apresentado na TV como estrondosos canhões, mudou dos palanques para os bastidores e envolveu novos personagens. Agora, não está mais em evidência o PSDB. Os holofotes se voltam ao PT que, além da briga com o PMDB, passa ainda por uma profunda crise interna.

 O cenário principal de desfile dessas batalhas será a disputa pela
 Presidência da Câmara dos Deputados, no próximo domingo, depois da primeira reunião ministerial do ano. Há tempos, a Casa não se vê diante de uma disputa tão acirrada. E a história recente mostra que, desde a eleição de Severino Cavalcanti, todas as vezes em que PT e PMDB estiveram estremecidos o PT os petistas levaram a pior no Congresso. E com o agravante que desta vez Dilma não tem Aldo Rebelo deputado federal para tentar salvar o governo.

A eleição de Severino foi fruto da disputa interna petista. Se nada de diferente ocorrer até domingo, a de Eduardo Cunha, favorito para o cargo, também contará com esse fator, embora não tão preponderante quanto foi em 2007. Júlio Delgado corre hoje na raia 3, ganha substância, mas dificilmente chegará ao segundo turno, por conta da polarização entre PT e PMDB. Portanto, se houver segundo turno, será entre Eduardo Cunha e Arlindo Chinaglia.

 Essa previsão se dá com base nos apoios explícitos que cada um conquistou e ainda o potencial de traições nas bancadas por causa do sigilo do voto. No PSDB, por exemplo, embora o partido esteja fechado com Delgado, há um evento hoje em São Paulo de apoio dos tucanos a Eduardo Cunha.

Apagão & incompetência.

Enquanto a base governista vive esse embate no Congresso, a presidente Dilma Rousseff promove a sua primeira reunião ministerial.
 O tema central promete ser as novas medidas econômicas e a crise de abastecimento de água e energia, que são frutos de um mesmo problema: a falta de chuvas, de planejamento e a insistência do governo em manter uma equipe incapaz de, ao longo de 12 anos, e não ter feito um plano B para que o país não ficasse tão dependente dos índices pluviométricos. Destaco que a equipe de tecnocratas do setor sempre estiveram atados no cabresto da presidente.

Espera-se nesse encontro que a presidente exponha alguma alternativa mais eficaz para que os brasileiros possam viver sem racionamento daqui a dois anos. Para 2015, há a certeza de que o racionamento virá, uma vez que o problema hoje não está restrito a São Paulo, e já atinge Rio de Janeiro, Minas Gerais e partes do Nordeste, região que há séculos convive com a estiagem. Ou seja, é suprapartidária.

Nesse contexto, o ministro de Minas e Energia, Eduardo Braga, se tornou o porta voz do Apagão!  Sem conhecer o setor e os centenários barnabés do ministério, resta ao Ministro reunir as “explicações” dos seus “subordinados” e dar a cara a tapa na TV. Dilma nunca admitiu que pudesse existir falhas nas suas orientações para o setor.

Muitas são explicações diferentes e divergentes, no entanto seguimos sem ter uma versão oficial para a situação que nos levou a importar energia da Argentina. A crise da falta de água e de energia caiu na consciência popular, todos se preocupam, daí a perspectiva de tomar grande parte da reunião ministerial.

Paralelamente ao problema da água e da energia, a presidente deve abordar ainda as novas medidas econômicas até para dar uma resposta ao PT. Várias instâncias do partido reagem às duras medidas adotadas na economia, reclamando da divergência entre o que é feito e o que foi propagandeado na campanha eleitoral. Dilma até aqui sequer pronuncia o nome do ministro da Fazenda, foi em 27 de novembro de 2014
 o anúncio oficial da escolha de Joaquim, após a recusa de Trabuco.

A presidente é aguardada para vir a público defender o Ajuste Fiscal anunciado pelo ministro da fazenda. Ao longo de janeiro, ele enviou recados no sentido de reduzir as ações sociais patrocinadas pelo Governo, anunciou cortes, o retorno da CIDE, aumento de impostos e ainda foi obrigado a dizer que ele não tem poder de controle sobre os preços praticados pela Petrobras. 

O que se viu
 nos últimos dias foi a Petrobras dizer que irá repassar a CIDE e pretende aumentar os preços. Os “comentaristas amestrados” e os “tecnocratas patriotas” não se pronunciam contra o monopólio da estatal, não há concorrência de preços princípio básico de uma economia saudável. 

Votações só depois do carnaval.

Há uma expectativa de como serão votados os vetos presidências, entre eles o da redução da alíquota da devolução do imposto de renda pessoa física. Mas, dado o andar da carruagem, as duas semanas antes do carnaval serão tomadas pela definição dos comandantes das comissões técnicas e só a partir daí é que será possível avaliar com segurança como será o ritmo de funcionamento da Casa e ainda os desdobramentos da Lava Jato e as novas CPIs.

Nesse contexto, o PT pisará em ovos. As notícias que ligam as consultorias de José Dirceu às propinas pagas como parte do esquema da Petrobras deixaram o partido como aquele personagem que não pode se mexer. Se defender demais o ex-ministro da Casa Civil, a ala que trabalha para se blindar dos malfeitos do período do mensalão vai chiar. Se não defender aquele que foi sempre fiel ao ex-presidente Lula, a ala ligada ao ex-ministro ficará ainda mais frustrada.

  A propósito, Dirceu já fez chegar a todos os interessados que não voltará para a cadeia e, se tiver que ir, não irá sozinho. Nesse sentido, há quem esteja meio intrigado com o silêncio de Lula. Desde a posse, o ex-presidente não se manifesta. Espera-se que quebre esse gelo no aniversário do PT, em  6 de fevereiro , em Belo Horizonte. Mas essa é história para a semana que vem.

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