Editoria: Helio Fernandes. Subeditoria: Roberto Monteiro Pinho

segunda-feira, 21 de março de 2016

Uma presidente em apuros

FERNANDO CAMARA

O governo Dilma precisa de 171 votos para barrar o impeachment na Câmara dos Deputados. Num cenário mais confortável, já teve 199 votos favoráveis, mas não tinha a pressão das ruas e nem a exposição dos áudios de conversas de Lula com seus aliados, ou com a própria presidente da República.

O cenário se deteriora num ritmo frenético cada vez que o governo tenta uma reação.

A credibilidade da presidente está se diluindo na medida em que ela tenta, desesperadamente, se agarrar a uma tábua de salvação, ainda que essa tábua seja, na verdade, uma canoa com um buraco fenomenal. As dúvidas sobre sua capacidade em conduzir o país para um porto seguro são cada vez maiores, e vêm dos mais diferentes setores da sociedade. Assim, cresceram as probabilidades pelo impeachment.

O Datafolha mostrou no fim de semana que 68% da população apoiam a saída de Dilma do governo. O PMDB, por sua vez, vai discretamente se aglutinando em torno de um futuro governo Michel Temer e nem a voz das ruas da última sexta-feira fez refluir esse movimento.

Pressão

Sob pressão, a Câmara acelera o ritmo para produzir respostas. Em 1º de abril, termina o prazo de defesa da presidente Dilma Rousseff na Comissão do Impeachment, que hoje tem seu primeiro dia trabalho. Passado esse prazo, abre-se o período de 5 sessões para discussão e análise das provas. A previsão dos parlamentares é levar ao plenário da Câmara antes de 15 de abril. Se aprovado, segue para o Senado.

OAB E FIESP: Ensaio

O movimento pró-impeachment vem num crescente e a expectativa é a de que, quando o processo chegar ao Senado, se chegar (e tudo indica que chegará) Dilma dificilmente conseguirá sobreviver politicamente. Depois de um período em cima do muro, a OAB se juntou à marcha pelo afastamento dela. A FIESP se transformou no ícone dos empresários no movimento e muitas outras entidades vem seguindo o mesmo caminho, se manifestando em favor da celeridade do processo. A CACB divulgou nota em favor da serenidade e da apuração dos fatos.

Agenda do Impeachment

A agenda do impeachment foi construída em vários meses e por vários movimentos políticos e de comunicação.
1.      Pedaladas fiscais e contas públicas
2.      Lava Jato, delações premiadas, em especial a do Líder do Governo Delcídio do Amaral.
3.      O Governo não foi convincente ao apresentar alternativas para a crise da economia, sem propostas para uma saída factível.
Do ponto de vista jurídico, pode gerar dúvidas, porém vale lembrar que no Parlamento o julgamento é político.

TSE, o técnico

O julgamento técnico virá mesmo do Tribunal Superior Eleitoral, que, lentamente, avalia as ações contra a chapa vitoriosa em 2014. A impressão que fica é a de que o TSE desacelera, se esconde, parece preferir que não tenha que julgar as contas de campanha e espera que a luta política ofereça  o veredicto final no ambiente parlamentar.

E Lula foi pro brejo

No Congresso, a aposta de Dilma era a ação de Lula. E aí, veio a dúvida: foi para o ministério para fugir da Lava Jato ou para se entregar? Lula até agora trouxe mais polêmica do que soluções para o governo. E ainda salvou o WC - Wellington César, de ser chamado de " O Breve " no papel de ministro da Justiça.

A expectativa seria que Lula tomasse a iniciativa de paz entre Dilma e o PT, mas o planejado tomou outro rumo em virtude da soberba e do excesso de confiança e… Da Lava Jato.. Sérgio Moro, o implacável, ao ver o ex-presidente escorrer-lhe pelas mãos, jogou com os pés: a divulgação dos diálogos telefônicos incendiou o país. Pode ter sido ilegal, mas o fato é que o estrago político está feito.

As ruas...

Nas ruas existem manifestações pró impeachment, mas também há contra ele. É preciso atenção e bom senso para que os ânimos não se acirrem ainda mais. Alguém precisa dar atenção ao cumprimento das regras e não é com entrevistas beligerantes e ameaçadoras que o cenário pode se acalmar. Atenção ao espírito de fraternidade de paz. Ocorre que não se vê esse ânimo da população.

Não vai ter Golpe!

A turbulência institucional é um fato. Vivemos tempos de tensão institucional, de crise institucional, não.

Não há o "Fator Militar", essa é a constatação de que é possível a recuperação, da volta à normalidade, com todos os setores desempenhando as suas obrigações constitucionais, inclusive as Força Armadas.

A política querendo o poder da Toga, a Toga fazendo política.
 O ideal seria que o STF fizesse sessão extra nesta semana, para acabar com as dúvidas sobre se o Lula pode ou não exercer o ministério. Os apelos do PT são nesse sentido.

Enquanto Lula e Dilma vociferam sobre o que o Poder Judiciário deve fazer, os meritíssimos vêm fazendo política por meio da imprensa, ou motivados pela escuta dos grampos aprenderam também a fazer manifestações públicas.

Gilmar parece partidarizado, mas apenas responde, em público, o que está escrito na Constituição. Porém, depois do almoço com José Serra, há quem diga que Gilmar deveria se declarar suspeito para qualquer julgamento relativo ao ex-presidente Lula ou Dilma Rousseff.

Enquanto isso, Sérgio Moro faz palestras, e os Procuradores promovem atos públicos. Depois, os magistrados reclamam quando parte dos políticos diz que Moro começa a deixar de ser juiz para virar justiceiro.

Os grampos

Ok, que muitos grampos divulgados não têm relevância para a investigação, mas, como foi dito acima, o estrago político está feito.
Lula: Em um telefonema deu pau em todo mundo
Dilma: Mostrou-se uma garotinha amável e solícita ao "Sr. Presidente".
Mercadante: Revelou, de novo, a sua "solidariedade" aloprada.

Eduardo Paes: mostrou e confirmou que é um produto mal acabado mas bem embalado do pior que o marketing pode produzir. Debocha de pobres, não teve nenhuma solidariedade ao povo de Maricá, que atualmente amarga as consequências de uma grave enchente.

Sigmaringa Seixas: mostrou que sabe falar ao telefone e que na sua profissão o melhor é peticionar. Abusou dos monossílabos: "Tá", "não", "é".
Janot: " Eu só tenho a agradecer à minha família. "

Lulinha paz e amor : Migrou, no discurso, do ambiente venenoso da "Jararaca", para o do "Paz e Amor". Faltam as atitudes. Tentou recuar, mas perdeu o timing e esgotou a paciência das Excelências.

 STF – Sinal

Celso de Melo respondeu: "Insulto ao Poder Judiciário, reação torpe e indigna, típica de mentes autocráticas e arrogantes."

 Sinal que acabará a tradicional prática do STF de conciliar a interpretação da lei com a vontade das soluções políticas do Poder Executivo.

A Globo escolheu, mudou de lado

As Organizações Globo escancararam na atividade jornalística, estão mostrando tudo! Até a editoria de esporte fala da crise no país.

João Santana está fazendo falta

Por que a presidente insistiu no assunto do grampo, em comício público em ocasião de entrega de casas populares?

"Grampeia o presidente dos EUA e vê o que acontece lá". Ela mostrou que conhece tanto de história como de economia. Ou seu estado de abatimento a impediu de lembrar-se de Nixon, por exemplo.

Para que aquela manifestação, em tom tão beligerante? Algum mutuário tem intenção ou realizou algum grampo? Soou como agressão.

A presidente ataca todo o Poder Judiciário da Primeira Estância, repetindo argumentos totalmente desconexos.
Com qual objetivo?

Delcídio, “o profeta do caos”.

Foi assim que ele se declarou na semana passada. Virou uma esperança de passar o país a limpo. É o que o José Dirceu deveria ter feito.
 Na revista Veja detalhou o mapa de quem sabia, e  citou 74 pessoas. Esta semana estará no Conselho de Ética.

E a economia? Foi para o brejo e o governo tenta acenar com outro pacote.

Eugênio Aragão fora da curva e da ética

O sujeito é um procurador, sabe que o objetivo da ocupação dele é de procurar as não conformidades do Estado, sabe que os constituintes se debruçaram para deliberar em favor da ética e da independência dos Poderes, e delimitaram que ser Procurador e ocupar função no Estado são incompatíveis. Ele sabe. Porém, o doutor está amparado pela lei, pois foi constituído na função antes da promulgação da Constituição Cidadã.

Sobral Pinto ou Barbosa Lima Sobrinho aceitariam se submeter a uma situação desta?

"Se tiver cheiro de vazamento, troco a equipe toda! ", diz o ministro da Justiça sobre a PF. Para quem está chegando para gerir uma pasta dessa magnitude, seu tom, em três oitavas acima, foi desnecessariamente belicoso e ameaçador.
É tudo que essa República não precisa nesse momento.

.Que a Páscoa traga serenidade.


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