Editoria: Helio Fernandes. Subeditoria: Roberto Monteiro Pinho

domingo, 27 de março de 2016

Lula, desesperado, primário, insensato, defende as empreiteiras corruptas, tenta jogar a culpa da crise econômica em cima do bravo juiz Sergio Moro

HELIO FERNANDES

È com o maior constrangimento lamento, sofrimento e enorme tristeza, que sou obrigado á constatação da degradação e decadência de um ser humano. Luiz Inácio Lula da Silva parecia um iluminado sem futuro, por mais que isso indique contradição e irrealidade. Vindo do sindicalismo de palanque oratório, entrou logo na política, nada mais natural. Mas os fracassos seguidos provocaram decepção.

Os tropeços quando não conseguia subir os primeiros degraus dessa escada difícil e tormentosa que é a realidade e a realização na vida política, acenderam os primeiros sinais de alerta. Principalmente entre os que já o admiravam, e constatavam que não seria o comandante de um combate que sabiam ha muito tempo que precisavam lutar irrevogavelmente, faltava apenas à liderança que parecia surgir.

Eleito deputado federal, esperaram, sem entusiasmo mas com alguma esperança.Os quatro anos do mandato, se esvaíram, sem nenhuma participação. A tribuna da Câmara parecia desconfortável e desapropriada para o mintingueiro das fabricas.

Usou o microfone do plenário apenas uma vez, visível insatisfação dele e dos que o ouviam e mostravam curiosidade. Sabiam alguma coisa  desse personagem trabalhista e trabalhador, que não deixou nenhuma lembrança. Apenas uma frase negativa e pejorativa: "A Câmara tem 300 picaretas". Era pouco, quase nada, para quem prenunciava tanto.

Candidato a governador de São Paulo fez a festa dos Institutos, não aparecia nas pesquisas. Veio à eleição, confirmou a inexistência de votos, ficou longe de todos. Em 1989, novamente queimou etapas, apesar dos fracassos anteriores, se lançou a Presidente da República. E deu um salto na votação, quase se elegeu. Ganhou de Brizola, Covas, Doutor Ulisses, foi para o segundo turno com o meteoro Fernando Collor.

Não ganhou, mas recuperou o entusiasmo e a esperança dos primeiros admiradores. È verdade que levou 13 anos para obter a primeira vitoria e chegar ao poder. Derrotado mais duas vezes, três derrotas seguidas, o que não aconteceu com nenhum presidenciável no mundo. Mas demonstrou a fé que tinha no seu potencial.

Lula presidente, surge o líder tão esperado ou imaginado.

Tomou posse como vitorioso em 2003. E novamente em outros 13 anos até este tenebroso 2016, uma trajetória irrefutável, inigualável, irrecusável. 8 anos quase todos positivos, deixou o poder, ninguém esperava que viessem inesperados 5 anos, todos negativos e destruidores. Daquilo que ele mesmo plantou, adubou durante algum tempo, e chafurdou na hora de colher. Com o presidente da Republica, reapareceu o orador, não apenas o mitingueiro, mas o monopolizador de multidões, o homem que se ouvia com a maior satisfação.

E também o grande realizador, que surpreendeu e empolgou o país. Sua desgraça começou a partir do momento em que se convenceu que era maior do que tudo, a alternância no poder não existia para ele. E garantiu convicto: "Fui o maior presidente que o mundo já viu". Não tinha a menor duvida a respeito disso

Com a volúpia e a paixão pelo poder, Lula comprometeu a biografia, arruinou o futuro

Em 2009, no fim do segundo mandato, decidiu não ir embora, tentou o terceiro mandato, desesperado como o corrupto Menen da Argentina. Não conseguiram, Menen foi condenado e preso.Lula ficou em liberdade, imaginou a "prorrogação para a coincidência" dos mandatos de presidente,governador, prefeito.Recusa e insucesso, teve que caminhar para a escolha do sucessor.

Objetivo e obsessão: alguém tão medíocre, inócuo, inútil, incompetente que aceitasse ficar apenas 4 anos no governo e lhe devolvesse o Poder. Estava ali á sua frente ou  retaguarda, Dona Dilma. Só que Lula não imaginava, que alem das palavras que arrolara e ela aceitara, fosse logo acrescentada mais uma, deslealdade. Que traçara e dominara ou dominaria o cenário, longe da imaginação de Lula. 

Sumarizando: Lula fez um excelente primeiro mandato, apesar de em 2005-2006, e já avançando no segundo mandato, 2007, o presidente freqüentasse muito intensamente os caminhos do mensalão. Como é publico e notório, sabia de tudo, Roberto Jefferson lhe contou, depois deu entrevista sensacional á Folha. Apesar disso, entrou no segundo mandato com grande crédito.

Delfim Neto, 7 anos Ministro da Fazenda da ditadura, 3 com Médici, 4 com Geisel, plantou o "sentimento" social: "È preciso deixar o bolo crescer para depois distribuir". Lula disse e fez o contrario: "Temos que dividir e distribuir o bolo enquanto estiver crescendo".

Tirou milhões da miséria, mas cometeu o erro crasso e primário de todos os ditadores: se convenceu que o povo lhe devia muito, era um salvador da Pátria, podia reivindicar o que bem entendesse. Tudo que está acontecendo agora e que terá conseqüências ainda mais dramáticas.

O Lula a partir de 2014, o da reeleição, e 2016 o da reviravolta, revelando a própria falta de ética, de caráter, de limites, é o que está no palco como personagem que nega o passado, envergonha o presidente, não tem mais futuro. Traiu o povo pela falta de dignidade, credibilidade, só restou a impopularidade.

 Lula: defensor da roubalheira  das empreiteiras e da corrupção

De suicídio em suicídio, Lula foi escrevendo vários epitáfios, um para cada lugar. Para o triplex, o sitio de Atibaia, tudo sem o seu nome. O único identificado era o Instituto, onde guardava os pertences e os presentes do presidente. Os milhões que recebeu das empreiteiras, por conferencias que nunca realizou, deviam estar em outro lugar. Ia jogando tudo para frente, se julgava imune e impune, intocável e inviolável, até que surgiu a condução "coercitiva" (obrigatória), e destruiu seu suposto poder mágico.

Constatou então que estava perto da prisão preventiva, era preciso uma ofensiva, escolheu a que não enganava ninguém, revoltou toda a opinião publica. Ele e Dilma decidiram, seria Ministro da Casa Civil. Fingia que era para ajudá-la, mas não houve uma só pessoa que não entendesse e denunciasse: "Lula quer ganhar foro privilegiado no Supremo para fugir do juiz Moro". Era verdade, o mundo desabou sobre o ex-presidente e a atual (e ainda?) presidente.

PS- Algumas aberrações ditas pelo ex-presidente, nos últimos dias e colocaram Lula em situação insustentável e sem saída.

PS2- “A crise econômica é conseqüência da Lava-Jato". 

PS3- "O desemprego chegou a esse ponto irrecuperável, por causa da perseguição do juiz Moro ás empreiteiras, grandes criadoras de trabalho com carteira assinada e ótimos salários". 

PS4- Falando para sindicalistas, ordenou: "Vocês devem ir a Curitiba cobrar desse juiz Moro, a catástrofe da nossa economia". 

PS5- "Não ha no mundo uma alma tão honesta quanto a minha". Naturalmente excluindo o triplex, o sitio de Atibaia, os milhões que recebeu das empreiteiras por conferencias que nunca fez. Mas teve a coragem de retumbar: "Cobro mais caro do que o Bill Clinton pelas minhas palestras, que todos querem assistir"

O seminário conspiratório de Gilmar Mendes

Teve a idéia de organizar em Portugal, ato de apoio internacional ao impeachment de Dona Dilma. Como tem um Instituto, concretizou idéia e ação. Convidou daqui, alguns que lutam para ocupar o poder, como o "jovem presidenciável" Aécio Neves e o "herdeiro não decorativo", Michel Temer. E muitos outros. Em Portugal convidou o "presidente que preside mas não governa", o Primeiro Ministro Socialista que tomou o poder através de um golpe, "governa mas não preside". Muitos Ministros, até o Reitor da Universidade de Coimbra. Todos aceitaram.

Mas logo, logo foi publicado que o encontro era golpista e conspirador foram comunicando, "não posso comparecer, surgiu compromisso de ultima hora". Gilmar ficou sozinho com Aécio, nem Michel Temer apareceu, cancelou apressadamente, por que se comprometer dessa maneira torpe e imotivada?

Terça e quarta abrem a semana, política e jurídica, no PMDB e STF

Amanhã deve acontecer o chamado "desembarque" do partido, que pretende abandonar o governo. È praticamente certo, mas em se tratando do PMDB, ainda mais presidido por Temer, tudo pode acontecer. "Sheiquispiriano", se divide entre  ser ou não ser, quase a  trajetória que começou quando sucedeu ao bravo e destemido MDB.(Fui um dos fundadores, junto com outros, que como eu foram cassados em 1966 e 1968. A ditadura acabou com os partidos, permitiu novos, precisavam ter na frente um P.O MDB se transformou em PMDB, mas não incorporou o espírito de resistência e estoicismo, preferiu a complacência e o adesismo.

Sendo obrigado a optar por palavras, o governo não teme tanto o "desembarque", se assusta mais com a "debandada". O PMDB, no máximo, no máximo pode desembarcar com 50 navegantes ou tripulantes. Mas pode jogar bóias supostamente salvadoras, seduzir três ou quatro partidos, que somam 120 militantes do nada. Já estão recebendo instruções de como utilizar essas bóias. Depende das "instruções de navegação" que receberem do governo.

No PMDB, no momento é o tamanho e o sucesso do ato de desembarcar. Mas sempre admitindo a hipótese e a possibilidade de precisar reembarcar. Por enquanto, tudo depende dos números do impeachment, dificílimos de estabelecer. Como já disse, espero a derrota do impeachment, para que o TSE cumpra seu papel. Cassando a chapa Dilma -Temer. Com a realização de eleição direta. Por pior que tenhamos votado errado varias vezes, colocar no poder, alguém sem a nossa autorização, não ha nada mais extravagante e surrealista. Lutar para que o país seja governado por alguém que teme o voto, o povo e a urna, espantosa contradição.

Quarta no Supremo: sessão incerta e duvidosa

Duplamente. Na sexta 18, logo depois do voto longo e polemico do Ministro Gilmar, a noticia: como o Supremo não trabalha na semana santa, o exame do seu voto (e de outros dois Ministros) ocorrerá na quarta, dia 30. Absurdo completo. Como o Estado é laico, a semana poderia ser normal. Alem do mais, o plenário só se reúne uma vez por semana, nenhum impedimento. E diante da importância e relevância das questões, deveriam antecipar a decisão.

Segunda duvida. Agora não se sabe até mesmo se haverá essa sessão do dia 30, depois de amanhã. Como Gilmar ainda está em Portugal se recuperando do fracasso do seminário conspiratório, admitem que ele não compareça. Ora, sobram 10 Ministros, que podem se reunir, votar e decidir. Pelo regimento interno, só não podem votar se estiverem presentes menos de 8 Ministros. E não tive o menor sucesso em esclarecer qualquer coisa. Sexta, sábado e ontem, domingo, não havia ninguém em Brasília. Dos Três Poderes.

Quem perdeu foi a seleção do Dunga e não a do Brasil

O empate naquelas condições foi derrota e assim tem que ser chamada. Depois daquele gol "mediúnico" aos 40 segundos e indo para o vestiário com 2 a 0, a reviravolta foi mais do que medíocre. E o Uruguai dominou todo o segundo tempo, encurralou o Brasil, não ganhou por falta de sorte. Colocar o Neymar como centro avante fixo, prova de burrice completa.  


Jogando pelas extremas, é extrardinario. Faz gol e coloca os companheiros sempre em posição excepcional.  Como centroavante, exatamente o contrário. Tem que esperar a bola chegar para ele, marcadíssimo. Com 4 vagas certas e uma na repescagem, o Brasil irá á Rússia, certo. Mas ninguém liga para a seleção do Dunga. Não dá mais tempo de colocar outro técnico que represente a seleção cinco vezes campeã do mundo. Mesmo perdendo duas Copas em casa.
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