Editoria: Helio Fernandes. Subeditoria: Roberto Monteiro Pinho

segunda-feira, 28 de março de 2016

Dilma aumentou o tom 

FERNANDO CAMARA

Ainda que de hoje em diante Dilma Rousseff fizesse tudo certo, ela não teria mais condições – políticas e emocionais – para governar. Até as emas do Alvorada sabem que o impeachment é um instrumento jurídico previsto na Constituição e que a peça em discussão tem, sim, elementos suficientes para demovê-la do cargo. Afinal, o julgamento do impeachment é político, feito por um colegiado parlamentar e não jurídico.

Contra os fatos, ela resolveu aumentar os decibéis fazendo do Palácio do Planalto um palanque com uma claque combalida e sem nenhuma força política. "Não cabem meias palavras o que está em curso é um GOLPE! . Não renuncio em hipótese alguma! ", tem repetido à exaustão, talvez para convencer a si mesma.
A sangria de votos da base aliada está anunciada pelo PMDB e, enquanto isso, nenhum dos partidos se mostra preocupado com o que é dito todos os dias pelos dados e índices econômicos. Há um consenso não declarado publicamente que é preciso primeiro decidir o futuro político para depois cuidar do econômico. 

Um caminho político perigoso

Dilma solitária no cenário político, durante a cerimônia patética em que anunciava "o Golpe", ouviu nesta semana vários ministros do STF detalhando que o processo de impeachment é um instrumento legal. Entre eles o ministro Dias Toffoli, advogado que prestou vários concursos públicos, e chegou ao STF após ter sido advogado do PT, afirmou: "Não é Golpe". Significa que ela caminha para a total solidão e isolamento.
Também o Comandante do Exército, general Eduardo Villas Boas, fez menção pública sobre a solidez das instituições e, por isso, ou o ministro Aldo Rebelo o afasta do comando ou pedirá discretamente o próprio afastamento.
Enquanto Dilma esbravejava, Lula partia para o tudo ou nada. Sem rumo, sem estratégia e sem aliados de peso, chegou a culpar Sergio Moro pela derrocada na economia. Vai jogando iscas esperando que a sua retórica tenha a mesma aderência de outrora. Difícil, muito difícil.
Mesmo sua ida para a Casa Civil terminou no limbo e, quando ,e se for decidida em favor dele, não haverá tempo hábil para muita coisa, uma vez que ninguém quer aparecer ao lado do ex-presidente.

Enquanto isso...

A OAB anuncia que entrará com um novo pedido de impeachment. Naturalmente, diante dos novos fatos, o presidente da Câmara irá analisar e instalar nova Comissão. Assim, o ano vai correndo sem sinal de haver uma solução para os problemas do país.
O novo rito ajuda ou atrapalha o Governo? O voto aberto trará uma exposição que a princípio pareceu trazer alguma vantagem. Agora, diante da pressão popular, sinaliza para um desembarque maior.
Mercadante e José Eduardo Cardozo devem estar arrependidos de terem aberto guerra ao Eduardo Cunha. Os prazos do impeachment de Dilma estão sendo rigorosamente cumpridos e os prazos da cassação do mandato do presidente da Câmara estão sendo alongados.
Teori chamou para o STF as investigações contra Lula

Não tenho como avaliar juridicamente esta ação, mas ela parece trazer para si uma enorme responsabilidade política, onde é necessário ter força e saber que todos estão atentos a cada movimento. Não será possível adiar ou engavetar como outrora.

Lava Jato caminha para não ter apoio político

Diante da ampliação e da divulgação das listas de contribuições da Odebrecht encontradas na casa do diretor Benedicto Barbosa, da esperada delação premiada de Maria Lúcia Tavares, secretária do departamento de propina, espero uma reação dos partidos políticos.
Não espero a extinção de nenhum partido, e não vejo nenhuma movimentação para mudar a prática e a consciência do eleitor.
Pode parecer contraditório, mas sem apoio político a movimentação da Justiça pode mudar.

A Odebrecht começou a movimentar as peças do tabuleiro e revolveu falar, ainda que por caminhos tortos. Primeiro anunciou pela imprensa e esperou a reação do MP, que foi imediata. Mesmo que o MP não aceite, isso deve abalar mais ainda o universo político.
No Fantástico, nova constatação de que propinas são antigas, anunciando mais munição para esta semana. Acredito que virá uma guerra contra a Lava Jato.
Lembra da Satiagraha, sem apoio político?...

Por unanimidade, a 2ª Turma do Supremo Tribunal Federal considerou, em dezembro de 2014, que a apreensão de discos rígidos e computadores que deu origem a operação Satiagraha foi ilegal. Em Habeas Corpus, o Tribunal entendeu que, como a diligência foi feita sem que houvesse mandado de busca e apreensão expedido para aquele endereço, as apreensões foram ilegais e os objetos apreendidos não puderam ser usados como provas em processo judicial. A ministra Carmen Lúcia, os ministros Celso de Mello e Teori Zavascki acompanharam o relator Gilmar Mendes.

Não sabemos o que ocorreu, não teve sentença, o então "herói nacional", o delegado Protógenes Queiroz foi demitido da PF, seus superiores foram promovidos e sumiram, a imprensa esqueceu. 

Enfim, não houve provas, não houve crime nem criminosos, após as prisões de Daniel Dantas, Celso Pitta e Naji Nahas.


PMDB desembarcou, mas com um pé dentro, sete ministros e centenas de cargos nas estatais.

São sete ministros, que dentro do PMDB são sete anões sem votos. Outra  confusão:  um Picciani fora do Governo e um Picciani dentro, dá pra acreditar?
Renan será o último a se decidir; ele tem paciência e nervos de aço, mas deixou Jucá ir para a linha de frente em favor do desembarque. E a partir de hoje, outros partidos da base se sentirão encorajados a seguir o mesmo caminho.
PMDB agindo pelo impeachment

Vamos aguardar a movimentação de Aécio e Alckmin, mas será que terão habilidade para colocar a campanha na rua? A pressão da rua depende dessa movimentação? Até a REDE vem se posicionando pelo impeachment 4x1.

Casos Renan Calheiros dormem nas gavetas

Em 2006, lotado na 30ª DP de Brasília, o delegado João Kleiber Ésper tomou depoimento do advogado Bruno Miranda Ribeiro contra o senador Renan Calheiros. Bruno acusava o ex-sogro, o empresário Luiz Carlos Garcia, de montar esquema de arrecadação de dinheiro para o senador nos ministérios do PMDB. O interrogatório ficou sete meses na gaveta do delegado, que foi exonerado e expulso da Polícia Civil em 2012. O caso nunca foi apurado e em 2015 foi preso com meio quilo de cocaína em Lisboa.

A Justiça pode ser cega, mas deveria estar sempre acordada e trabalhando.

O meu placar quanto à votação do Impeachment para o Plenário da Câmara - nesta semana:


Partidos
Número de Parlamentares
Pró
Contra
Porcentagem Pró
DEM 
28
28
0
100,00%
Pcdo B 
13
0
13
0,00%
PDT 
20
16
4
80,00%
PEN 
2
0
2
0,00%
PHS 
7
4
4
50,00%
PMB 
1
0
1
0,00%
PMDB 
69
55
14
80,00%
PP 
49
39
10
80,00%
PPS 
9
9
0
100,00%
PR 
40
28
12
70,00%
PRB 
22
18
4
80,00%
PROS 
4
4
0
100,00%
PSB 
31
29
2
95,00%
PSC 
12
11
1
90,00%
PSD 
32
26
6
80,00%
PSDB 
48
48
0
100,00%
PSL 
2
2
0
100,00%
PSOL 
6
0
6
0,00%
PT 
58
0
58
0,00%
PTB 
19
15
4
80,00%
PTdoB 
3
2
2
50,00%
PTN 
13
7
7
50,00%
PV 
6
6
0
100,00%
REDE 
5
4
1
75,00%
SD 
14
14
0
100,00%
Total
513
363
150

O Governo tem que brigar por


21
votos

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