Editoria: Helio Fernandes. Subeditoria: Roberto Monteiro Pinho

quinta-feira, 3 de março de 2016

"Depois de eleito presidente, Eduardo Cunha transformou a Câmara num balcão de negócios"
HELIO FERNANDES

Essa é uma frase do voto do Ministro Celso de Mello, completando a sessão histórica da qual o presidente da Câmara saiu como RÉU por corrupção passiva e lavagem de dinheiro.

Na quarta feira a primeira parte foi interrompida com Cunha perdendo de 6 a 0. Marcada a final para ontem, quinta, antecipei: "Faltam votar 5 ministros, a decisão será tomada por 11 a zero, UNANIMIDADE". Aconteceu, exclusividade do repórter.

Eduardo Cunha devia renunciar ou então como um todo, o Congresso retira-lo. A questão não é apenas de uma parte e sim dos 594 parlamentares. O que não pode é continuar a desmoralização geral, e a revolta das ruas, que se manifesta através de pesquisas. Mas assim que acabou a sessão do Supremo, o presidente da Câmara deu entrevista vergonhosa e acintosa.

Parece que não é com ele. Conversando com amigos, perdão, apaniguados, garantiu: "Antes do fim do ano ninguém me tira do cargo ou cassa meu mandato”. Textual e rigorosamente verdadeiro. 

Quinta tumultuada, perturbada, complicada

Começou cedo. Por volta das 9 da manhã, circulou: "Delcídio do Amaral fez "delação premiada". (No seu voto magistral, o Ministro Teori não usou a palavra, sempre identificava como "colaborador". Dois Ministros registraram o fato). Sem muita noticia, comentaristas ocuparam rádios e televisões, sem nenhum fato concreto. Por volta das 10 horas, apareceu um exemplar da revista "IstoÈ", com longa entrevista do senador. Aí, todos se desdisseram, surgiram mais exemplares.

 Delcídio desvendava participações e mais participações de Dilma e Lula. Passeava pelos caminhos da presidentA e do ex-presidente vindo desde Pasadena. E não parava mais. O primeiro a se manifestar foi o Ministro da Justiça demitido, perdão, destituído. Defendeu ardorosamente Dilma, esqueceu de Lula, protagonista da sua saída. Fez questão de registrar: "Ainda não li a entrevista".

Mas não parou de falar. Por volta das três da tarde deu longa entrevista na televisão. As estações que transmitiam a sessão do Supremo, mudaram para o ex-ministro, se perderam. (Este repórter que acompanhava pela TV-Justiça, continuou). 

Dilma se defende e ataca na posse do Ministro que veio da Bahia

Desarvorada, acreditando, como está no texto que Delcídio mandou para 80 senadores, que não faria "delação", não sabia o que dizer ou fazer. Tentou desequilibrar  seu amigo intimo, e líder do governo, mas não obteve sucesso.

Nesse quesito, Eduardo Cardoso foi mais eficiente pois usou termos violentos, se mostrou implacável. O dia terminou, veio à noite, mas nenhuma conclusão. A não ser o desmentido do próprio senador: "Não fiz delação, dei APENAS uma entrevista".

Não existe serenidade para ninguém. Principalmente na cúpula do Legislativo e do Executivo, e também dos marqueteiros, marido e mulher, que mentiram desabridamente. O Instituto Lula, silencioso, triturado por muito lados, avalia a situação. Delcídio insiste que não fez delação.

Perguntinha ingênua, inocente, inútil, inócua: o que é pior para os citados, aceitando que ele não fez delação, mas deu a entrevista? E o Ministério Publico de Curitiba, pode desenvolver o que Delcídio disse á IstoÈ?
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