Editoria: Helio Fernandes. Subeditoria: Roberto Monteiro Pinho

segunda-feira, 14 de março de 2016

Exaustão de análise de conjuntura

FERNANDO CAMARA

Após vivenciarmos a maior manifestação em número de participantes nas ruas, passamos a assistir, ler e ouvir uma enxurrada de análises conjunturais, para todos os tipos e gostos. Mas uma coisa é certa: O Impeachment não é líquido e certo, embora a margem de manobra do governo seja cada vez menor. Dilma tem que reagir para o bem do país, sair da clausura do Palácio, procurar bons articuladores políticos e buscar soluções. Precisa, com a urgência que a situação exige, ajustar o discurso à prática.

A temperatura da crise vem aumentando há um ano, quando os manifestantes saíram às ruas em março de 2015 e os empresários pediram a adoção de medidas para a economia. As medidas não chegaram. Sem solução, a Operação Lava Jato tornou-se o fio de esperança da achatada classe média. Para os manifestantes, pró-impeachment, Sérgio Moro não é uma pessoa, é um sentimento.

A esquerda está emitindo um grito surdo, sem alcance, sem eco, desmoralizada pela prática política imposta pelo PT, flagrado em delitos. Segue a CRISE sem lideranças, sem ideias e sem saída. Sem respostas do governo para os problemas que afetam a sociedade em todos os níveis. A esquerda, que sempre manteve o monopólio da vanguarda, está acuada.

Os gritos de FORA PT estão longe de ser a luz desse caminho,não configuram a solução e a oposição precisa  ter sabedoria para utilizar esse instrumento, porque o desejo de impeachment expresso nas ruas não se concretizará na próxima semana nem no próximo mês, mas as contas e os problemas sim. O país necessita de respostas e soluções e cabe à oposição apresentá-las e articular a sua implementação.

O jantar dos senadores do PMDB e do PSDB pareceu um sinal de desembarque do Governo, mas pode ser interpretado como uma busca por respostas e saídas para a crise, com ou sem Dilma. Lula foi um dos articuladores das conversas, sinal de que ele já permitiu que o Governo participe da busca de soluções fora do espectro do PT.

O Brasil precisa de uma saída. Com Dilma pode demorar; sem Dilma pode demorar muito!
Dilma incluiu o impeachment na agenda presidencial e agora precisa dar uma resposta à sociedade.  A nota lacônica distribuída pelo Planalto ao fim das manifestações não esclarece o papel que ela terá. A sociedade quer ação, atitude e reação. Dilma precisa deixar a militância e assumir a presidência. Substituir o discurso pela prática.

Pode até lamentar as ameaças à UNE, mas igualmente condenar – também publicamente – a invasão de mulheres do MST numa plantação de pinus, quando destruíram 1,2 milhão de mudas, provocando um prejuízo de R$ 5 milhões. Sobre isso, nenhuma nota, nenhum apoio, nenhum sinal. A pressão aumentará, inclusive sobre os políticos da base, porque a sociedade deixou claro que não está acomodada.

O PMDB metade mussarela; metade calabreza

O principal parceiro até aqui, responde com um pé dentro e o outro fora do governo. O relacionamento PT-PMDB há muito tempo não ia bem, prejudicado pelo estilo de governar do PT e de Dilma. Soma-se a isso a baixíssima popularidade da presidente. Nenhum ministro, nenhum dos Líderes na Câmara e no Senado defendeu o Governo nem a manutenção da aliança. Temer pediu calma, mas, ainda assim, o partido forçou a porta. 

A decisão de não ocupar mais nenhum cargo nos próximos 30 dias sinalizou que o deputado Mauro Lopes estará fora do sonhado ministério da Aviação Civil. Este é mais um desafio para o Líder Leonardo Picciani administrar. O sincero ministro Marcelo Castro declarou que não sairia do cargo, mesmo se o PMDB tivesse deliberado pelo desembarque do Governo. Ou seja, o PMDB ficará onde sempre esteve: no meio do caminho entre governo e oposição.

O imponderável que dita os movimentos

Sérgio Moro, o fator que instabiliza ainda mais o quadro, ainda não pegou firme nos personagens do PMDB. Não pega porque eles têm foro privilegiado, inclusive governadores e prefeitos. Pezão e Eduardo Paes permanecem calados. Será que a Lava Jato,  após as Olimpíadas, chegará ao Rio de Janeiro?

Lula no Governo

Não vai porque não tem respostas, não tem mais a mesma capacidade de aglutinação. Ele quer ir para ajudar ou para ser ajudado?

Aguardamos respostas nesta semana.

1.   Rito da eleição das Comissões da Câmara dos Deputados, especialmente, a do impeachment.

2.   Embargos de Declaração, hoje aliás é o último dia para apresentação desses embargos ao rito do impeachment.

3.   Delação do Delcídio, desde 3 de março, quando o relatório da delação veio a público, há um pânico na política com nuvens pesadas sobre o governo e o PMDB. Se a delação for homologada, certamente haverá problemas para PMDB e PT. Os peemedebistas, se quiserem levar avante o impeachment terão que entregar algumas cabeças. Falta combinar com aqueles que estão mais próximos do cadafalso.

4.   Na Pauta, o Parlamentarismo ou semi-presidencialismo. PMDB e PSDB conversaram sobre a perspectiva de redução dos poderes de Dilma Rousseff, passando o dia-a-dia da administração pública para um primeiro ministro a ser eleito pelo Congresso. Enquanto a Lava Jato estiver dando as cartas, entretanto, será difícil empreender qualquer iniciativa nesse sentido. O Brasil ainda está na fase de viver a cada dia a sua aflição e a névoa ainda paira sobre o futuro. Vamos acompanhar.

E a foto?

“Viralizou” nas redes sociais a foto do diretor do Flamengo a caminho da manifestação na Visconde de Pirajá, com a mulher e a babá dos filhos, que, de uniforme branco, empurrava o carrinho das crianças. A imagem, na avaliação de muitos, marcou o perfil dos manifestantes: classe média alta.


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