Editoria: Helio Fernandes. Subeditoria: Roberto Monteiro Pinho

segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016

Lava Jato e João Santana

FERNANDO CAMARA

A prisão do marqueteiro das campanhas do PT é um divisor de águas na política. Com o tempo, a divulgação das provas encontradas e o amadurecimento da compreensão de como são feitas as despesas eleitorais, essa prisão passará a ter um peso político considerável. Ainda assim, irá seguir o ritmo do judiciário, onde são lentos os reflexos e espero que até agosto possamos ver as sentenças. Santana reconheceu o Caixa 2, mas os procuradores o acusam de ter recebido esses recursos do Brasil e não de campanhas externas. Ele está numa situação em que obriga as autoridades a afirmarem a todo o momento que não investigam os crimes eleitorais.

Interpretar o fato e os seus desdobramentos

Os reflexos da prisão estão apenas no começo. O Mercado de Capitais reagiu para baixo, mas as ruas ainda não se manifestaram. Veremos o que ocorrerá no dia 13, quando os políticos da oposição trabalham para criar uma manifestação ideal, que já não parece ser espontânea. Enquanto isso, os políticos do PT tentam se reinventar. Sem cerimônia ou constrangimento, criaram a Marcha Para Brasília, onde levarão uma pauta contra a Política Econômica e contra a presidente Dilma.

Os discursos do Lindbergh Farias e o do presidente o PT/RJ, Quaquá, mostram que Dilma não serve mais a uma parte enorme do PT. Acusam-na de estar perdida, e assim se preparam para salvar a sua história e abandoná-la. Como fez o deputado Alessandro Molon e outros.

As contas do JS

O PT se antecipa e informa que não houve irregularidades na campanha de Dilma, a separa das outras campanhas, e não faz menção sobre as demais. Espero em breve o confronto João Vaccari x Edinho Silva. Enquanto isso, Gilles se movimenta e convoca o advogado Flávio Caetano para reorganizar a prestação de contas da Campanha 2014.

O movimento pró Impeachment e a Ação de Impugnação de Mandato Eletivo (AIME) 761, que pede a cassação no TSE, irão continuar a tirar o sono de Dilma e a mobilizar esforços dos ministros do Planalto, mas não está claro quais serão os movimentos da oposição e os do PT. Hoje há no PT quem pense que a cassação de Dilma turbinará o discurso de Lula contra “Eles” e contra a “Elite”.

Na Sociedade não apareceu ninguém ainda que possa conduzir o debate político não partidário. O campo está aberto também para algum messiânico ou justiceiro.
A crise é mais ampla do que arrumar a economia e a organização partidária. Para a crise da economia há vários economistas com capacidade para solucionar, mas não há político para bancar a credibilidade necessária.

O programa de TV e rádio do PMDB que foi ao ar nesta semana com tom de se descolar do Governo foi mais brando do que o Plano Nacional de Emergência aprovado pelo Diretório Nacional do PT, este caminha no sentido contrário ao da política econômica do Governo. O distanciamento do Governo Dilma do PT e vice-versa trará consequências.

Prévia PSDB SP

O governo está pra lá de enfraquecido, mas estrelas da oposição, diante desse quadro, se engalfinham desde já para ganhar terreno de olho em 2018. A maior prova disso foi a prévia sangrenta do PSDB de São Paulo, que aprofundou o racha no partido. O segundo turno entre Andrea Matarazzo, aliado de José Serra, e João Dória, capitaneado por Geraldo Alckmin, promete agravar ainda mais o quadro. Fatalmente, um grupo ou outro deixará a legenda.

Enquanto isso, na economia…

A pauta da Reforma da Previdência é aguardada por todos, e todos sabem que é uma bomba com hora e data para explodir, e a cada dia se torna mais necessária. Nesta semana em visita a Dilma, o presidente da Confederação das Associações Comerciais e Empresariais do Brasil – CACB – George Pinheiro, ouviu da presidente “vai ser porrada! Conto com a ajuda de vocês!”

A posse de George Pinheiro

O presidente da Confederação das Associações Comerciais e Empresariais do Brasil – CACB – George Pinheiro, propôs um “Pacto de Sintonia com o Crescimento”, reunindo todas as forças vivas do País, para ajudar o Brasil a sair da crise.  Lançou a ideia no seu discurso de posse, em Brasília. Afirmou que o País não aguenta mais alimentar os privilégios da burocracia estatal e necessita com urgência de ajustes fiscais.

É necessário estabilidade política para mudar o cenário e um novo Pacto Federativo  “para acabar com a guerra fiscal e garantir melhor divisão no bolo dos tributos a Estados e Municípios”.

Rebaixamento

O problema é que a União não se mostra tão disposta assim a dividir o bolo, cada vez menor. O rebaixamento por mais uma agência de classificação de risco já estava precificado, uma vez que era a que faltava. Afirmo: O Brasil entrou num ciclo vicioso: A economia mira na política para se reerguer, ou seja, enquanto não houver solução política, não haverá recuperação econômica. Ocorre que a visao do governo é a de que é preciso resolver a economia primeiro e a política depois. Assim, o Brasil não sairá do lugar.

Enquanto isso, no Senado…
Delcídio do Amaral ainda tem um período de recesso e nesse prazo os atores vão se colocar em cena. O PSDB recebe a filiação de Ricardo Ferraço com festa amanhã na liderança do partido. A liderança do PSD se prepara para ocupar espaço político na articulação no Senado. Tomou posse de uma estrutura significativa na Ala Teotônio Vilela, onde está guarnecida de bons assessores.

Festa
Lula transformou o aniversário do PT num espetáculo perigoso. Disse que, "se vocês (eu, você e todo País) acharem necessário, ele voltará em 2018". Afirmou que a chácara foi um presente de Bittar e outros companheiros, mas não citou por que o “presente” não foi declarado como doação à Receita Federal, como manda a norma e os bons costumes.

Cada vez mais histriônico, mas na mesma proporção sem argumentos convincentes, ele terá que explicar – e provar – como ganhou tanto dinheiro (R$ 27 milhões) dando palestras a empresas-amigas. Essas, por sua vez, terão que provar que as palestras aconteceram.

Terminou em Samba, com Diogo Nogueira e Portela.


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