Editoria: Helio Fernandes. Subeditoria: Roberto Monteiro Pinho

domingo, 20 de março de 2016

Gilmar Mendes carimba o passaporte de Lula para Curitiba, o ex-presidente tenta não entrar no avião, sabe que o piloto é o juiz Sergio Moro

HELIO FERNANDES

Só os incrédulos, desinformados, desatentos e desinteressados, poderiam acreditar que haveria um Gilmar Mendes da quarta feira e outro, inteiramente diferente na sexta. Os dois eram rigorosamente iguais, o cenário ligeiramente modificado. Se o Gilmar da sexta contestasse ou negasse o da quarta, teria que se aposentar, não haveria possibilidade de enfrentar os colegas, ou construir uma explicação para ele mesmo.

Rememorando ligeiramente para os que não assistiram à sessão do Supremo ou não tomaram conhecimento do fato. Votavam os ritos para o impeachment. Gilmar Mendes com a palavra, seus votos normalmente longos e fundamentados. Inesperadamente interrompe, passa a um assunto inteiramente diferente, mas da sua prevalência: Luiz Inácio Lula da Silva.

Exibe então um conhecimento extraordinário sobre o ex-presidente. Com esse conhecimento monta um libelo de 4 minutos, que deixa a todos, silenciosos, assombrados e surpreendidos. Mas reconhecem: é o Gilmar Mendes de sempre.

48 horas depois, Lula toma posse como Ministro, perdão, visivelmente para fugir de Moro, e cair de para quedas no território de Brasília que julga mais favorável a ele. Com a posse, começam a surgir protestos e ações do Brasil inteiro. O Advogado Geral da União pede ao Supremo para unificar todas, é feito o sorteio eletrônico, o relator é Gilmar Mendes. Não fica satisfeito ou aborrecido, se considera um homem de missão, começa a cumprir a sua.

Comunica-se com seu gabinete, diz que ficará em casa, pede duas coisas: que alguém fique de plantão, e mandem o voto de quarta-feira. Com a reconhecida capacidade de trabalho, vai redigindo seu voto de relator. O tempo corre, todos esperam, não acreditam que se manifeste nessa sexta feira. Por volta de 7 da noite, dá por terminado, transformou os 4 minutos anteriores, nas 34 laudas que tanta repercussão provocaria.

Faz uma revisão altamente demorada, quase ás 9 da noite manda para o gabinete, com a ordem, "publiquem imediatamente”. Às 9,08 estava na internet e no gabinete de todos os Ministros. O presidente Lewandowski recebeu sua copia em Manaus, ficou impressionadíssimo. O ministro Teori leu a sua em Ribeirão Preto, não comentou.

Acabara de fazer um discurso, no qual ressaltava: "Cabe aos juízes resolver problemas e não criá-los ou aumentá-los". Dá a impressão de que não aplaude decisões do juiz Moro.Gilmar sempre disse:"Não voto preocupado com o povo,quando voto não penso nele". Na sexta, quando construía sua delação "despremiada", usava esse receituário, mais parecido com um doping jurídico intelectual.


Sexta feira, ás 5 da tarde o Ministro da Fazenda estava na Avenida Paulista, mas para conversar com empresários da FIESP

Alguns que viram Nelson Barbosa acreditavam, que participaria da manifestação. Nada disso, tinha encontro marcado antecipadamente com gente importante da cúpula da indústria e do comercio. Recebido pelo Presidente Paulo Skaf conversaram por mais de 3 horas. Leu longo "projeto de recuperação econômica", até aplaudido. Ao ir embora, falou: "È preciso que a política ajude a economia". Skaf comentou: "Defendemos isso com o maior entusiasmo". Por enquanto é apenas teoria, distante da pratica.

O Ministro da Justiça ameaça e tenta intimidar a Policia Federal

Já estava previsto e premeditado. O titular do mais antigo ministério da Republica, só tinha um objetivo: embargar e impedir a ação da Policia Federal, atingindo assim a Lava - Jato. Em entrevista á Folha, afirmou sem o menor constrangimento: "Demitirei imediatamente toda a equipe, sem qualquer investigação se SENTIR O CHEIRO de vazamento ilegal".

Foi mais longe: "Nenhum membro da equipe tem seu lugar assegurado". Os delegados reagiram profissional e corajosamente, defendendo suas posições. A operação Lava-Jato entra na historia como parte de uma investigação extraordinária, que envaidece e orgulha o povo brasileiro. A Lava-Jato tem um tríplice merecimento sem hierarquia: Policia Federal-Ministério Público-Juiz Sergio Moro.

Já o Ministro não tem historia nem tempo de permanência no cargo. Se a presidente Dilma sofrer impeachment, ele terá ficado  apenas 1 mês no cargo.Sem Dilma ou com Dilma, com Temer ou sem Temer.

A OAB aplaude o impeachment

È um reforço, o órgão sempre teve grande importância. Posso citar dez presidentes da OAB, de enorme destaque na Historia do Brasil. Mas pode estar favorecendo Dona Dilma. Se comunicar á Câmara que enviará novo projeto, terá que haver modificação completa. Se incorporar seu projeto ao que está sendo encaminhado, a presidente ganhará mais tempo de defesa. Inacreditável e vergonhosamente, a última palavra será de Eduardo Cunha, réu no Supremo por corrupção e lavagem de dinheiro. Naturalmente fora o resto. 

Dilma devia ficar sempre em silencio

Pode se aplicar a ela, o que já foi dito e repetido sobre Pelé: "Em silencio é um poeta. Falando é um desastre". A presidentA passou a semana insistindo na tolice: "Em qualquer país, quem gravar um presidente, vai logo preso". Acontece que ela não foi gravada, entrou de cúmplice, no interceptado legalmente, Luiz Inácio Lula da Silva. Pelo menos aprendeu. Na sexta feira, depois da lamentável e audaciosa entrevista do Ministro da Justiça, queria que ele soubesse que gostara.
Ia telefonar cumprimentando-o, foi alertada por dois assessores-ministros: "Telefone, não". Aceitou o conselho, pediu a Jaques Wagner que fosse pessoalmente abraçá-lo. O ainda Chefe da Casa Civil foi, atravessou a Esplanada dos Ministérios, deu o recado. Aragão vibrou, servo, submisso e subserviente está pronto para outra. Basta o Planalto considerar que é necessário ou indispensável. (De viva voz, não por telefone).

O mistério de Dona Marina 

Tem uma vida pessoal inatingível, mas não traduz isso para a militância presidencial, que parece ser sua única atividade ou objetivo. Senadora e Ministra pelo PT, deixou o partido sem ser lembrada, destacada ou não.Surpreendentemente aparece como candidata a presidente, e ainda mais inesperadamente surge com 20 milhões de votos.Não especializada em transição, desaparece novamente.Volta 4 anos depois, lastreada por um partido que chama de Rede. Não consegue registro, se recolhe.

1 ano depois, faz um acordo com o candidato Arraes, esperavam que fosse vice dele, apesar de aparecer melhor do que ele nas pesquisas. A discussão se prolonga, até que acontece o fato inesperado mas indiscutível: Arraes morre num incrível desastre de avião, eis a candidatura. Perde com outros 20 milhões de votos, some novamente. Não participa dos acontecimentos que mergulham o país nesta crise que dura desde a reeleição, até hoje, a tentativa de derrubada.

Não dá uma palavra, uma entrevista, não quebra o silencio. Num país com entrevistas diárias de televisão, não é entrevistada por ninguém. No momento em que surgem pesquisas sobre o distante e talvez inatingível 2018, Dona Marina surge misteriosamente. Fica entre os três mais votados Os outros dois. Lula, que não consegue ser Ministro. E o "jovem presidenciável" Aécio Neves, agora personagem do senador Delcídio.

Temer acredita que está perto da vitoria, como gosta: sem povo, sem voto, sem urna

O impeachment está longe de ser decidido. Mas ninguém pode negar que houve uma grande mudança no quadro. Desde que começou a batalha que virou guerra, a suposta oposição não tinha a menor chance. Tanto que abandonaram a movimentação, o PSDB se concentrou na cassação pelo TSE, era o que servia ao partido e aos três candidatos. Houve a reviravolta alimentada pelos próprios malabaristas da incompetência, Lula e Dilma.

Aí, a derrubada de Dilma, imediata para não se atropelada pelo TSE, ganhou força. E agora só desaparece depois do resultado. Para o país, o menos pior seria a cassação dupla, e a eleição em 90 dias. Lamentemos. Mas teremos que agüentar a continuação de Dilma, ou suportar a substituição por Temer. Este, convencido do resultado, abandonou a confissão de que como vice é "decorativo", passou a afanoso e trabalhoso.

Como candidato é dadivoso, não discute nem reduz as promessas. Fui o único a analisar, o fato de não haver reeleição para Itamar, promete tudo nesse setor: "Não serei candidato á reeleição”. Quem acredita nele? Tomando posse agora, em 2018 será candidatíssimo. Se houver resistência e cobrarem as promessas, dirá sem constrangimento: "O PMDB não abre mão de ter candidato. E como já estou no Planalto, minha reeleição serve a todos".

Obama em cuba: a ratificação da reconciliação

O presidente dos EUA chegou ontem a Cuba, ás 4,42. Estava combinado que só encontraria com Raul, hoje, segunda. Foi com a mulher, as duas filhas, e o avião lotado de empresários que pretendem negociar. O povo não tem dinheiro, mas as possibilidades são grandes. Antes do rompimento, Cuba vendia muito açúcar para os EUA, é uma troca que pode voltar.

A visita é muito importante. Para Obama pessoalmente. Por 10,20 ou 30 anos será lembrada. Para o futuro, a consolidação contra uma possível vitoria dos republicanos. (Remota) Se chegarem á Casa Branca, o isolamento voltará certamente. Historicamente importantíssimo.

Lula: o perigo ronda o espetáculo

Depois do Ministro Gilmar Mendes, impedir a posse do ex-presidente e devolver o processo para Curitiba, tudo pode acontecer. Nesta semana santa, o plenário não funciona. Primeira reunião em 30 de março. Até lá o juiz Sergio Moro pode determinar a prisão preventiva. Não acredito que o faça. Se fizer e o Supremo autorizar a posse de Lula, o risco e o descrédito terão sido grande, sem necessidade.

Alem do mais, do ponto de vista ético e moral, Lula não pode ser mais nada. Sua desmoralização  é completa.Mas se um presidente considera que ele é indispensável para o seu governo, isso é um erro de avaliação e de analise,mas não ilegalidade ou irregularidade.


PS- O Presidente da Venezuela mandou mensagem para Dona Dilma: "Você está sofrendo um golpe da mídia e da Justiça". Depois foi para Cuba, sem explicação, 24 horas antes da chegada do presidente dos EUA. A Venezuela merecia um presidente mais maduro e menos Maduro.
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