Editoria: Helio Fernandes. Subeditoria: Roberto Monteiro Pinho

sexta-feira, 4 de março de 2016

EDIÇÃO EXTRA:

A Lava-jato navega em mar de tubarão

HELIO FERNANDES

A quinta-feira, anteontem, só teve um personagem, Delcídio do Amaral. Polemico, contraditório, ao mesmo tempo arrogante, negativo fingindo de positivo. A revista "IstoE" deu capa com ele, todas as chamadas, preencheu praticamente as 72 paginas com afirmações dele. Minuciosas, assombrosas, maravilhosas, demonstrações de memória ou trabalho de arquivo insuperável. Só que o próprio Delcídio negou tudo, e tentou convencer a todos, que "era invenção da revista e da repórter, que nem conheço, com quem jamais falei".

Três pontos que imaginou transformar em realidade. 1-A entrevista era forjada, linha por linha inventada. (Como é que uma repórter e ainda mais desconhecida, podia detalhar aquela avalanche de fatos, que só seria reconhecida depois de pesquisa de anos). 2- Foi tida e havida como delação, tinha todo o jeito de ser. (Apesar de ele ter dito aos colegas senadores, "não farei delação"). 3 - A quinta terminou, com a entrevista - delação sendo chamada de "suposta", excesso de cautela. 

O inicio da sexta, com fatos que ocorreram entre 7 e 10 horas da manhã, já contei ontem mesmo. Retomemos daí, enquanto ninguém sabia para onde o ex-presidente havia sido levado. Membros da cúpula do PT começaram há preencher o tempo com afirmações inverídicas, levianas e mentirosas. A mais repetida em lugares variados e até na televisão: "Todos sabem que a operação Lava jato foi criada para acabar com o PT e desacreditar o governo".

Inacreditável. E objetivo afirmado pela primeira vez. Já disseram muita coisa. Mas não houve em nenhum momento, qualquer duvida: essa Lava-jato atingiu duramente as 11 maiores empreiteiras, seus proprietários e executivos. Todos responsabilizados, acusados, presos e confessando a roubalheira, em troca  de continuarem trabalhando para o governo, concorrendo a licitações (Esse escândalo chamado  de "petrolão" repetiu o "mensalão".Lula esteve para ser enquadrado, sabia de tudo, o deputado Roberto Jefferson, contou tudo a  ele.).

O destino e o depoimento de Lula

De acordo com a Lei, foi apanhado em casa, enquadrado na condução "coercitiva”. (Idiotas, deviam usar a palavra "obrigatória", mais simples e compreensível.) Conversaram com Lula, se vestiu, entrou no seu carro, foram embora, confusão no trajeto. A delegacia para onde iam, pareceu insegura, foram para um local no aeroporto de Guarulhos. Havia um avião parado, pensaram que iam para Curitiba, nunca esteve nos planos.

Enquanto Lula chegava e começava a depor, os "companheiros" tratavam de agitar. Ficaram surpreendidos com o numero pequeno de petistas em São Bernardo e no Aeroporto, houve até briga violenta e pessoal com os não petistas. Não compreendendo a importância do momento, passaram a convocar a militância: "Venham para a rua, à perseguição prendeu e atingiu nosso maior líder".

Lula não estava preso, seu depoimento durou menos de 1 hora, ele mesmo confessou: "Fizeram as perguntas de sempre, o delegado foi cortês". Saiu pouco depois das 11, foi para o diretório central do PT, prometeu entrevista coletiva para as 16 horas. Não agüentou começou a falar ás 15 para as 2. Em vez de entrevista, biografia e luta de classes, para justificar “o grande sucesso em tudo o que faço"  

Começou com a autobiografia do ufanismo: "Não queriam que eu fosse presidente, era pobre e trabalhador. Meu primeiro milagre foi realizado com 5 anos de idade, consegui não morrer de fome. O segundo foi sobreviver na miséria. Depois me elegi presidente da Republica, derrotando os ricos, que perceberam a minha capacidade. Fui o melhor presidente da Historia do Brasil e não apenas do Brasil".

Continuou, ninguém falava nem perguntava, não era entrevista. "Tirei 15 milhões da miséria, depois criei o bolsa família, nunca me perdoarão por isso. Passei a fazer palestras, todos queriam me ver e ouvir, sou o mais caro do mundo, cobro mais alto até mesmo do que o Bill Clinton". Todos bateram palmas, ele riu, satisfeito.

(Os investigadores não aceitam a versão do Lula, concluíram de forma diferente. Ele recebeu mais de 20 milhões, pago pelas 5 maiores empreiteiras. Lula recebeu pelo Instituto e por outra firma. Entrevistas mesmo, muito pouco).

Entrou então na fase agressiva, incitando os "companheiros" que estavam ali ou iriam ler e ver depois. Textual: “De uma certa maneira foi bom que isto tivesse acontecido, estou sentindo o partido de cabeça baixa. Não podemos jamais baixar a cabeça.Temos que lutar, não  recuaremos de modo algum".

“Precisava terminar de forma a entusiasmar os “companheiros”, com mensagem para o futuro:” Estou magoado, humilhado e ofendido, (Dostoievski, mas ele não estava plagiando), deviam ter mais respeito por mim. Não tenho raiva ou ódio por ninguém, voltarei em 2018". Era o lançamento da candidatura, acreditava no futuro, deixava não explicito um sentimento de desforra. Muito aplaudido.

PS- Depois da inútil reunião com 39 ministros, Dilma telefonou para o ex-presidente. Comentaram: "Viram, eles estão bem". Subservientes, o que ela poderia fazer, fingir que não havia acontecido nada?

PS2 - O que acontecerá a partir de agora, imprevisível pessoalmente, mas dilacerante para o país. Não existe analise racional. 


PS3-O clima de Brasília impossível de definir. Susto, medo, pânico, nenhuma solução, ou conciliação á vista. Como não ha diálogo, projeto, grandeza ou desprendimento, tudo é imponderável ou será surpreendente.
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