Editoria: Helio Fernandes. Subeditoria: Roberto Monteiro Pinho

domingo, 8 de março de 2015

RENAN CALHEIROS, PRESIDENTE DO SENADO, EDUARDO CUNHA, PRESIDENTE DA CAMARA. TENTANDO SE SALVAR, AMEAÇAM PARALISAR O CONGRESSO, INTIMIDANDO E ISOLANDO A PRESIDENTE DA REPUBLICA.

HELIO FERNANDES
09.03.15

Até agora ninguém foi indiciado, acusado, ameaçado de se transformar em réu. São 47 políticos, (fora os que serão investigados, não pelo Supremo), quase todos altamente vulneráveis. Mas apenas 19 deles são poderosos, pelos cargos que ocuparam ou ocupam.

Nenhuma dúvida de que participaram de tudo. Só que com quase certeza, eram e continuam coadjuvantes. Receberam muitas, variadas ou altas propinas?  A investigação vai provar que sim. Mas de todos esses 19, apenas 2 ameaçam, e com gravidade o funcionamento das Instituições, ameaçam a democracia.

São o presidente do Senado e da Câmara, que já se colocaram em posição de combate a tudo que possa atingi-los. Hoje, aqui, agora são os personagens preponderantes, tratarei deles. Como tudo isso levará muito tempo, talvez anos (igual no mensalão), examinarei exclusivamente os dois, simultaneamente ameaçados e ameaçadores. Não estou abandonando os outros investigados, apenas haverá muito tempo para investiga-los, jornalisticamente.

Colocação, elucidativa, conclusiva definitiva: os 47 investigados vieram a público com declarações rigorosamente vazias e repetidas: “Repudio com veemência essas insinuações. Não conheço nenhum diretor ou ex-diretor da Petrobras, não sei por que citaram meu nome, a verdade será restabelecida”.

O Presidente do Senado e o da Câmara, foram os únicos que não usaram o chavão, fizeram questão de partir para o ataque, “revoltados” com a colocação dos seus nomes na lista.

Renan Calheiros.

Acusou abertamente o governo na pessoa da presidente. Desferiu golpes contra o Ministro da Justiça textualmente: “Ele foi o responsável por colocar o meu nome na lista”. Continuou: “Meu direito de defesa foi cerceado, não fui ouvido para coisa alguma”. Bobagem colossal e inqualificável de um ex-ministro da Justiça, de (FHC). Não está sendo indiciado, acusado, não é réu de coisa alguma, como pode ter “o direito de defesa cerceado?”.

A partir desta semana, com o começo das investigações, com o provável e possível sigilo telefônico. Fiscal e bancário, todos serão ouvidos, poderão contestar o que quiserem. Pretender ser ouvido antes do Procurador Geral compor a lista que enviou ao Ministro Teori Zavaski, arrogância, petulância, imprudência. É oportunidade á parcialidade e protecionismo. Está acostumado a isso.

Insistindo na imprudência, na incompetência e inconsequência, afirmou publicamente: ”Esse procurador Geral não pode continuar no cargo”. O que não ficou claro para a opinião pública, explique-se. O Procurador Geral tem mandato de 2 anos, que termina em junho.
Pode ser renovado por mais dois, decisão do presidente da República, que têm que submetê-lo a sabatina no senado. Por isso a baixaria de Renan, deixando claro que indicado. Renan conversou com Eduardo Cunha, que em declaração, afirmou: “Temos que nos livrar desse Procurador”.

O presidente do senado continuou: “Nenhum Projeto ou Medida Provisória do executivo será examinado, votado ou aprovado no Legislativo, é nossa obrigação e propriedade". (Joga também com os altíssimos mas não surpreendente impopularidade de Dilma e sua incapacidade ou indecisão praticamente não o cargo).

O país vive terrível crise econômica, financeira, política, administrativa, dólar sem controle, inflação disparada, juros sem limite, dívida pública crescendo pejorativamente, a divisão das autoridades governistas a favor ou contra a d-e-s-o-n-e-r-a-ç-ã-o. A presidente diz que é indispensável que continuará, o Ministro da Fazenda afirma: “é uma brincadeira'', e reforçou, “grosseira”.

Tudo isso faz parte do momento do país. Renan vai explorar tudo para não passar de investigado a acusado, tornando réu em ação penal. E logicamente condenado. Renan lembra de 2007, quando entregou a presidência para não perder o mandato. Alem de outros episódios.

Ninguém conhece Renan tão bem quanto ele mesmo, daí o seu medo, não interessa o que aconteça ás instituições, e que o passado desabe sobre o futuro, destruindo seu presente.  A “revolta“, não interessa ás Instituições.

Para Renan tudo é dominado pelo interesse pessoal, e para isso tem que estar no poder. Nenhuma convicção política, desapreço total pela ética, moralidade, dignidade. Agora isso será ameaçado, percebeu desde o inicio.

Eduardo Cunha.

Com um passado tenebroso, acintoso em termos de comunidade, perigoso, chegou surpreendentemente a presidente da Câmara, antigamente ocupada por deputados importantes. Para ele, relevante á sua posição tem como ocupação profissional o lobby, e distração o hobby de processar jornalistas. Já moveu mais de 100 ações não ganhou nenhuma. Nos tempos da Tribuna de papel, 3 processos contra este repórter. 3 derrotas.
Nenhum juiz verdadeiramente magistrado daria ganho de causa a um eduardo cunha tão subalterno, cujo nome só dava e pode ser escrito em minúsculo. Mas ele se julga sempre em posição altíssima e altaneira.

Desde que chegou á presidente, subverteu tudo, mostrou qual seria a prioridade de sua atividade. Encantado com a presidência da Câmara e o palácio residencial da realidade, ficou empolgado com um objetivo inimaginável: por circunstancia politicas consequência de impopularidade de Dona Dilma, acreditava na sua elevação hierárquica numa sucessão circunstancial. Ganharia moradia, não mais residência pessoal e sim palaciana do poder.

Isso é chamado por ele e mais alguns de impeachment. Dona Dilma a cada dia mais impopular e derrotadíssima pela dupla sertaneja Renan e Cunha, teve uma vitoria inesperada e que ela mesma ainda não avaliou ou percebeu: não há mais clima para impeachment, político-jurídico-vingativo.

Como teria que começar obrigatoriamente pela Câmara, quem tentará isso?
Eduardo Cunha também atacou o Procurador Geral. Disse irresponsavelmente: “Quem manda na Câmara sou eu, continuarei fazendo indicações para os mais variados cargos, nem quero saber se estou sendo investigado”.

Como fala muito e não tem conhecimento, ontem irritou todos os 47 que estão sendo investigados: “O Procurador Geral juntou todos na mesma lama, não faço parte dessa lama”.

Recebeu parabéns apenas de Renan Calheiros, este sabe que em relação a ele, a citação bíblica pode ser adaptada, ficaria: “És lama e á lama retornarás”. No caso de Renan (e do próprio Cunha) a palavra “retornará”, impropriedade visível e deslocada.

Para terminar por hoje, por hoje a afirmação dele, que representa mais impropriedade e utilização indevida de órgãos ou funcionários públicos: “vou me defender representado pelo Departamento Jurídico da Câmara”.

Isso é absurdo. Ele não está sendo investigado e possivelmente mais tarde incriminado, por ser presidente da Câmara e sim pela atuação como corrupto. Apenas investigado mas que terá o destino que procurou. Terá que se defender com advogado particular, contratado pessoalmente.

A inquietação, a angústia a ansiedade que tiveram uma resposta na sexta-feira a partir de 9 da noite, se prolongou, no sábado, domingo e agora não será interrompida. Tudo é incógnita, indefinido, precisa ser provado, mas para muitos personagens se transformará num temor longo, exaustivo, e que provavelmente não será recompensado por uma possível absolvição ou arquivamento.

PS- Não posso deixar de tratar imediatamente de dois cidadãos, abaixo de qualquer suspeita, mas importantíssimos pelo poder que já representaram, ostensivamente ou de bastidores; Romero Jucá e Antonio Palocci.

PS2- Jucá teve uma investigação arquivada, mas a outra confirmada. Devia ser investigado nas duas e em outras. Nos bastidores manda tanto ou mais do que Renan Ministro da Previdência, deixou de ser citado em inúmeras irregularidades. Foi líder no Senado, de FHC, Lula e Dilma, uma fantástica demonstração de falta de convicções.

PS3- Antonio Palocci é o próprio “Macunaíma, o herói sem nenhum caráter”. E sem respeitabilidade. Prefeito do interior de São Paulo, as acusações se acumulavam. Quando Lula nomeou-o Ministro da Fazenda, quem o conhecia não acreditava.

PS4- O presidente dizia e repetia: “Espero que o Palocci me dê sinal verde para baixar os juros”. Inesperadamente foi demitido sem nenhuma injustiça. Coordenador da campanha da reeleição de Dona Dilma, ei-lo Chefe da Casa Civil. Demorou pouquíssimo foi demitido sumariamente. O enriquecimento ilícito estava acima do permitido pelo seu grupo.

PS5- Esses dois não podiam ficar para depois. Outros 28 dos 47 que serão investigados, podem esperar. O tempo (e o contratempo) será longo.
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 Sr. Helio Fernandes.

Não consigo entender a presidente Dilma Roussef, fora da operação Lava-jato. 47 supostamente envolvidos, boa parte NE se discute a cumplicidade. Mas existe uma blindagem vergonhosa no Alvorada? Seria isso o tal poder dos poderosos? – Marcelino ... Niterói-RJ.




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