Editoria: Helio Fernandes. Subeditoria: Roberto Monteiro Pinho

sexta-feira, 6 de março de 2015

AS EMPREITEIRAS QUE ASSALTARAM A PETROBRAS, NÃO FICARÃO IMPUNES. PODEM ESCAPAR DA CPI, MAS NÃO DO SUPREMO.

HELIO FERNANDES
07.03.15

A inquietação dos supostos citados na Lava-jato veio aumentando sem interrupção desde terça-feira. E ninguém nega que ontem, sexta-feira, chegou ao ponto mais alto. Políticos debaixo dos holofotes negativos, chegavam a dizer: “Deixar tudo para sexta-feira a esta hora, (eram 7 da noite) deve ser uma estratégia de intimidação”.

E um senador fora de qualquer lista, me falava: “Pode dizer que muitos que sabem que estão na lista, até gostariam que todo sigilo acabasse”. Isso não é disparatado, tem até muito sentido. Deputados, senadores, ministros, ex-ministros e talvez dois governadores, já contrataram advogados. Não para se defenderem, mas para se acalmarem e tentar anular tudo o que vier ao conhecimento público.

Finalmente, ás 20,28 horas, a lista foi publicada. Nenhuma surpresa ou novidade. Renan Calheiros e Eduardo Cunha que arrostavam poder muito grande, foram atingidos. O presidente do senado, de acordo com seu “estilo”, falou duramente contra o Procurador Geral, o mínimo que disse: “Ele não será reconduzido ao cargo”.

Até o senador Valdir Raupp, presidente do PMDB, foi incluído, seu nome nunca foi falado. De qualquer maneira, não há nenhum réu ou acusado. Todos serão investigados, o que é um caminho quase certo para a condenação.

O Congresso foi atingido duramente, vai reagir, e os mais importantes ficarão no poder. (Henrique Eduardo Alves teve processo arquivado, será Ministro. O senador Romero Jucá, nunca mencionado, foi inocentado).

Agora começou a grande hostilidade entre o poder Legislativo e Executivo, com o Supremo comandando tudo. Mas passará muito tempo até surgirem fatos ou acusações. Com a aprovação da PEC da bengala, esses 10 ministros ficarão até mais 5 anos.

Notícia que o Ministro Zavascki citou de ultima hora. Foram abertos já dois processos contra dois senadores. O ex-presidente Collor e o ex-governador de Minas, Antonio Anastásia. Surpreendente.

A CPI da traição.

É a terceira formada para investigar (?) a Petrobras. As outras duas desperdiçadas, foram extintas sem o menor resultado. Agora essa, que desde a instalação mostrou o clima hostil existente hoje no Congresso. Quem domina a terceira CPI, como comanda tudo é o deputado Eduardo Cunha. Fingindo fazer acordo PMDB-PT, escolheu um deputado do PMDB para presidente e outro do PT para relator.

Essa foi ainda a primeira CPI importante, queriam e querem o lugar de relator. Mesmo deputados ou senadores de prestigio, presidindo alguma CPI, sabiam que só podiam intervir em momentos circunstanciais.

Eduardo Cunha escolheu um deputado do PT para relator, sabia que era mero “detalhe”. E para a presidência inútil, um deputado de 25 anos "o que não é mérito ou demérito", mas exigiu dele total complacência sobre a “estratégia” que seguiria. Esse Deputado da Paraíba aceitou complacente, logo no inicio do primeiro mandato ganhava a presidência de uma CPI.

Logo na formação da CPI, houve a explosão da “estratégia” do deputado lobista. O presidente abria a sessão e apresentava sem consultar ou avisar ninguém, a divisão da “relatoria em quatro sub-relatorias”. Todos perceberam a “jogada” de Eduardo Cunha, o esvaziamento do relator.

Partindo para protestar junto ao portador e conivente da “estratégia” de Cunha, quase houve “tapas e bofetões” (nome de novela) evitados pelos seguranças. Cunha submisso e subserviente, gritava tentando se recuperar: “me respeitem,sou o presidente, quem manda aqui sou eu”. Não era.

Recusou todos os pedidos para falar, não modificou nada. O relator, deputado Luiz Sergio, constrangido, desprestigiado, desolado, confessou: “Não me consultaram soube de tudo agora, acabaram com a relatoria”. Era pouco, devia ter protestado duramente, levantando a sessão, não fez nada. Começou então um movimento para “convocarem” Eduardo Cunha.

Eduardo Cunha, da sala da presidência acompanhava tudo e como tem o senso de oportunidade, principalmente quando se trata de lealdade. Falta de ética se apresentou “voluntariamente” na sala da CPI. Explicou: “Não estou aqui como presidente e sim como deputado, darei todas as explicações que quiserem”. Não quiseram.

Para terminar por hoje, essa CPI vai longe. “esqueceram”, tanto do PMDB, PSDB ou PT, de convocarem qualquer dirigente, executivo ou quem sabe acionista majoritário das empreiteiras para DEPOR. Ora, se a CPI é para apurar as roubalheiras na Petrobras, e não ha a menor dúvida esses corruptos-corruptores são os grandes criminosos, por que não ouvi-los?

Motivo obvio: já conversaram tanto com esses envolvidos da roubalheira, por que chamá-los? E se um desses ladrões públicos respondesse (perguntando: “o senhor não se lembra de quanto recebeu da minha empresa”. Foi melhor enfrentar de longe a opinião pública, do que de perto os sócios já não tão ocultos).

A Lava-jato no Supremo.

Os três dirigentes membros do governo, que eu revelei ha muito que trabalhavam para livrar os executivos  de punições maiores seriam salvos pela "leniência". 

José Eduardo Cardoso, Ministro da Justiça, cumpri ordem da chefe, deu entrevista coletiva. Muito católico, "jurou por Deus, neste governo não interferimos com as autoridades".

Insinuava que era o Procurador Geral. (Este escrevia aos Procuradores companheiros explicando na carta que divulgou: "Sei que não serei unanimidade nem quero ser").

O advogado Geral da União Luis Inácio Adams, foi conversar com o Presidente do BNDES, pediu verbalmente: "Queríamos que continuasse a emprestar ás empreiteiras". Por que usou o plural, QUERÍAMOS e não o singular QUERIA? Para o presidente saber que ele estava autorizado.

O controlador Geral da União, Valdir Simão, agia em outra área, tentando cumprir o que revelara em entrevista coletiva: "Não PODEMOS, (novamente o coletivo) deixar que as empreiteiras sejam prejudicadas se a leniência não for aprovada”.

Além da auto preservação dos deputados, a CPI funcionará ao mesmo tempo que a investigação do Supremo representado por Teori Zavascki. Aqui, de total respeito e confiança. O grande problema é o tempo. O maior embaraço é saber quando terminará. Se tiver o mesmo destino dificultando total para responsabilizar todos  os incluídos na lista, não acusados ou indiciados, pelo menos investigados. 

Um fato ou fator ainda não examinado por ninguém o relator Teori Zavascki terá mais 3 anos e 2 meses de mandato. Como a “PEC da Bengala” não será aprovada, terá que ser substituído.

Mais uma obrigação de dinamizar o trabalho da força-tarefa, para que a impunidade não seja como sempre vitoriosa. é preciso punir severamente esses "ladrões de casaca", como no filme famoso.

PS- Como todos sabem, amanha, domingo, Dia da Mulher a Presidente falará a nação. Parece lugar comum, mas é a verdade. Parece certo que não tocara na Lava-jato, embora indiretamente

PS2- O que parece garantido: deve repetir o que acredita que atenua sua impopularidade: “Não estamos tomando medidas para recuar das nossas convicções. Queremos mostrar tudo o que já conquistamos”.

PS3- Dona Dilma não deve culpar o que ela mesma chama de “pessimistas”. Uma afirmação como essa, deve deixar revoltado, o povão já desesperado  desalentado e desesperançado.
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