Editoria: Helio Fernandes. Subeditoria: Roberto Monteiro Pinho

quinta-feira, 14 de dezembro de 2017

A IMPREVIDENCIA DA CONTAGEM DE  VOTOS

HELIO FERNANDES

Tenho assinalado aqui, com insistência, e sempre com informação irrefutável, que o governo do corrupto Temer está longe dos 308 votos para aprovar a mistificação da reforma da Previdência. Tenho citado inclusive, a divergência aritmética entre os cálculos de Temer e de Maia.Ressaltando que Maia tem mais credibilidade no levantamento dos votos. 

Não custa lembrar: a partir de 12 de maio de 2016, consumação da conspiração parlamentar que arrojou Temer ao Planalto, a Previdência foi sempre considerada prioridade. Mas o tempo foi passando, as concessões aumentando, os itens da reforma sendo jogados para longe.E o fim do ano e o recesso se aproximando.E o conflito das conclusões, cada vez mais visível.

Ha 15 dias, o mais divergente e quase inamistoso encontro entre Temer e Maia. Pela primeira vez no Planalto. O presidente da Câmara como coordenador, ultrapassando o ministro Imbassahy. Maia deu sua conclusão: "Temos certos e garantidos, entre 250 e 260 votos".

Temer com a auto-confiança de quem se mantém corruptamente no poder: "Meus contatos e conversas garantem 340 votos". Maia rapidamente: " Me dê a relação desse 340 deputados, com nomes e sobrenomes". Temer não gostou, acabou o encontro. A partir desses 16 dias até hoje, reviravoltas inócuas.

 Temer passou a exigir dos partidos da base, "o fechamento da questão". O que está sendo feito, mas sem punição para quem desobedecer, o que é o mesmo do que nada. Um só exemplo: o PSD do Kasab, tem 45 votos. Disse a Temer: "Vou recomendar que aprovem a proposta do governo, garanto 35 votos". O mesmo dos outros partidos da base. Até ontem, Temer se mostrava esperançoso com esse quadro, que considerava seguro.

Na terça feira, publiquei com exclusividade: "O presidente da Câmara não consegue ultrapassar os 282 votos". Informação dada ao repórter por um dos mais íntimos amigos de Maia. No dia seguinte, Maia declarava publicamente: "Não presidirei a votação, quero votar, e cabalar até á ultima hora". Explicação: quem preside não vota. O que prova como Rodrigo Maia está convencido da realidade, distante dos 308 votos indispensáveis.

 Anteontem, o panorama visto da ponte, completamente modificado. Entraram em cena 2 senadores, que por enquanto não têm nada a ver.Romero Jucá, líder do governo. E Eunicio de Oliveira, presidente do Senado.O mandato dos 2 termina em 2018, precisam da reeleição, não querem ficar longe ou fora do espetáculo.

Jucá, surpreendente mas incisivo: "Não haverá votação da Previdência, em 2017". Mas deixou claro, "que em 2018, ano eleitoral para todos, será ainda mais dificil". Eunicio, com mais poder pelo fato de presidir o Senado, assustou de verdade, afirmando: "Vou colocar em pauta a votação do orçamento". Ele é bem capaz de fazer isso.

Existe uma tradição parlamentar, jamais desrespeitada: votado  o orçamento, o recesso é automático. Temer queria a votação, até mesmo para perder, puniria os culpados  de sempre.

O RÉU AGRIPINO MAIA

Ha mais de 1 ano foi indiciado por corrupção na construção do estádio das Dunas. Demora muito. Agora foi denunciado, virou réu. Mas como tem foro privilegiado, seu processo vai se eternizar como o de vários outros senadores.
Se fosse denunciado como REU, tinha o compromisso de deixar a presidência do DEM. Agora nega, diz que é presidente eleito do partido. Correligionários (?) pretendem entrar na Justiça.

O QUE FAZER COM CARLOS MARUN?

È deputado,todos sabem. Ignorado e desconhecido, ganhou manchetes e projeção, defendendo durante 1 ano o corrupto Eduardo Cunha. Como o maior amigo de Cunha era Temer, Marun foi herdado pelo Planalto, inesperadmente virou ministro.

"Prestigiadissimo", prestou o primeiro serviço a Temer. Na CPI mista sobre a JBS, teve a audacia de pedir o indiciamento do ex-PGR, Janot. È uma vergonha, mas é possivel que consigam. O nivel medio moral dessa CPI, é o mesmo do Temer corrupto.

COM TEMER CORRUPTO NO HOSPITAL, A PREVIDÊNCIA IMPREVIDENTE, FOI ENTERRADA

O que parecia iminente na quarta feira, foi consumada ontem quinta: a impossibilidade da aprovação da reforma da Previdência em  2017. (E por extensão também em 2018, mas falta muito tempo). Surpreendentemente apesar de internado, Temer queria votar de qualquer maneira, "mesmo para perder". 

Falou varias vezes com Moreira Franco e Eliseu, que logo se comunicavam com o Presidente da  Câmara. Quando Maia falou que "mal chegariam a 250 votos", Temer desistiu. E concordavam com o adiamento para 2018. Eram  quase 16 horas. 

Começaram as explicações de bastidores, Senador Jucá: "Quando falei anteontem, vi que ninguém queria votar. Agora vou trabalhar para 2018".

Meirelles que dizia, a não votação neste 2017, seria uma tragédia, virou o disco:" votação em 2017 ou 2018, é a mesma coisa".

 Maia, que parecia o único sensato, nenhum comentário, apenas informação: "Colocarei em pauta para começo da discussão e votação, em 19 de fevereiro". Portanto, dentro de 66 dias.
.PS- Temer ainda no hospital: "Foi bom. Começaremos a formar, a partir de hoje, maioria invencível".

PS2- Hoje, sexta feira, não encontrará deputados e senadores para conversar.

Um comentário:

  1. Seus textos continuam sendo maravilhosos e precisos.
    Abraços! Gosto muito de você!

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