Editoria: Helio Fernandes. Subeditoria: Roberto Monteiro Pinho

domingo, 17 de julho de 2016

Novo terrorismo na França, assusta a Olimpíada. A delação do marqueteiro de Lula, Dilma, Odebrecht. Maia, o nome da hora

HELIO FERNANDES

A partir do inacreditável, tenebroso e o inimaginável 11/9, o terrorismo surgiu para ficar como ameaça permanente. Mas ninguém percebeu que por trás do episodio que assustou e angustiou o mundo, havia uma tática e uma estratégia. Consistia em manter os EUA como adversário principal. Não para destruí-lo geograficamente, mas para imobilizá-lo pela incerteza, pela angustia, pelo medo do que aconteceria amanhã.

Esse amanhã, que seria desfechado em partes, silenciosamente. Era a tática, que estão cumprindo de acordo com o plano. Os EUA são mantidos deliberadamente como se não fossem o grande objetivo. Os atos de terrorismo são efetuados intercaladamente, de Boston ao Texas, com intervalos cronometrados, das mais diversas formas.

Fora dos EUA, a estratégia consiste em manter alvos preferenciados, como a França e a Turquia, ligadíssimos aos EUA. Cada barbaridade ou selvageria praticada contra esses países, repercute dolorosamente no adversário maior. Que não sendo atacado diretamente, sofre pela incompreensão do que está acontecendo. E pela perplexidade da reação que deve desfechar. Até agora, desde novembro de 2015, os EUA, imobilizados pelos terroristas, se mantêm na obrigatória mas praticamente inútil solidariedade.

Com os ataques de agora, ficou evidente que são assassinos consumados, mas atuam baseados em serviços de inteligência, não agem impensada e irresponsavelmente. Havia o temor de terrorismo na Eurocopa, principalmente nas preliminares, que envolviam os 52 países. Não houve nada. Nem intimidação nem ação, já nas finais, disputadas entre 24 países.

A angústia se dissipou, recuperaram a tranqüilidade. De tal maneira, que o presidente Holand anunciou publicamente: "Na sexta feira acabaremos o estado de emergência, voltaremos á rotina de paz". Na quinta, vê espera, aconteceu à tragédia de Nice, barbaridade e tragédia num local que escolheram, e onde atuaram com a maior desenvoltura

No atentado da Riviera Francesa, fizeram questão de provar muitas coisas. Estão sempre preparados. Não precisam de grandes equipamentos. Em Nice, usaram apenas um caminhão todo branco, sem nenhuma inscrição ou identificação. Um motorista isolado, inteiramente desligado de tudo. No passado, nenhuma ligação com o terrorismo. Só ontem, o Estado Islâmico reivindicou a autoria.

E essa reivindicação pode nem ser verdadeira. Diante do sucesso representado pelos 84 mortos e mais de 200 feridos, voltaram ao centro dos acontecimentos, mostrando que podem atuar como, quando e onde quiserem.

Podemos dar o exemplo do nosso próprio e próximo evento mundial: as Olimpíadas. Provando que para os terroristas não existe nem tempo nem distancia, movimentaram as mais altas personalidades. Civis e militares envolvidos no maior acontecimento esportivo, começaram a se reunir, antes mesmo da tragédia de Nice ser esclarecida. O provisório, atento a qualquer fato que possa atingir sua efetividade, ás 7 da manhã, já estava reunido com ministros e cidadãos com vestimentas cheias de estrelas e bordados.

Movimentaram dezenas de milhares de militares, reforçando pontos possivelmente mais vulneráveis. Estes, corretamente, informaram das providencias, e continuarão atentos a qualquer alteração. Temer, como sempre irresponsável e falastrão, não parou de dar entrevistas,com o toque repetido: "A segurança das Olimpíadas está garantida".

Sua preocupação maior é pessoal.

Os jogos vão de 5 a 22 de agosto. O julgamento do impeachment no dia 25. Daí o medo, apesar de ter cooptado 60 votos no Senado. O receio: que aconteça o mesmo que aconteceu na Câmara, derrotadíssimo. Absorveu imediatamente o relacionamento com Rodrigo Maia, tenta aparecer como grande ou único vencedor.

Para confirmar o que venho dizendo sobre a tática e a estratégia dos terroristas, depois de Nice-quinta, operaram a Turquia - sexta. Que atravessou e tumultuou o fim de semana do mundo. Repercussão aterrorizadora.

Ângela Merkel chamou de "deplorável". Hollande, horrorizado, "lamentável". Obama, finalmente acertando na analise e no comportamento: "Não ficaremos prisioneiros do medo".

Só que nenhum desses personagens principais, mostrou como se combate terroristas, que não têm o menor apreço ou afeto pela vida, ou a preocupação de preserva-lá.

Como sempre, Michel Temer é apanhado novamente em flagrante do desconhecimento das palavras. Em suposta ou pretensa solidariedade, textual: "Mais uma vez a França é vitima de INJUSTIFICADA INTOLERANCIA". Com essa contradição verbal, o presidente deixa evidente, que no seu entendimento existe intolerância JUSTIFICADA. Nenhuma surpresa.

Medo com a delação do marqueteiro

Quando Sergio Moro aceitou o pedido de prisão de João Santana, ele estava na Republica Dominicana. "Marquetava" um presidencialista,que 2 meses depois seria vencedor.Veio para o Brasil, sem celular, sem computador, sem nada.O que provocou duvidas, indagações,suspeitas. Passados uns dias, revelei o que um amigo dele me contou: "Não fará delação, tentará um acordo sem entregar ninguém".

Seu objetivo: "Conseguir o mesmo que outro marqueteiro obteve no mensalão. Não revelar nada, continuar com a agencia de publicidade, inteiramente fora da política".
Os meses passaram, nenhum resultado. Sua mulher e sócia resolveram fazer delação, com autorização dele. Depoimentos demorados, a equipe da Lava-Jato não ficou satisfeita. Ela não acrescentou nada, a situação piorou para ele.

Não insistiram, mas deixaram claro: a decisão tinha que ser dele. E competente como é, conhecendo os fatos que transitaram pelas três campanhas, compreendeu que a saída era a delação.

Mandou recado para Lula e Dilma: "Não tenho solução. Faço ou pego 20 anos de cadeia". Não entenderam. Mas como explicar que recebeu da Odebrecht, entre 30 e 32 milhões para "financiar"campanha no exterior? E foi a própria Dilma que disse publicamente, a ultima campanha custou 400 milhões. "Tudo legal e declarado á Justiça Eleitoral". A Odebretch não tem o que dizer. Pagou ilegal, responderá legalmente.

Todos querem se apropriar de Maia

È o nome do momento, altamente requisitado. Está no quinto mandato. Nos quatro anteriores, desconhecido e até ignorado. Conseguiu definição praticamente unânime: "Não é brilhante, tímido, não conversa,foi do PFL". Apenas um adendo positivo: "È mais leal e sem arrogância, ao contrario do pai". O primeiro ano do quinto mandato, nenhuma novidade. As coisas começaram a mudar com a posse deTemer. Mesmo provisório, precisava de um líder na Câmara.

Tomando posse logo depois do sucesso da conspiração traição, o nome de Maia começou a circular a partir do Jaburu. E surpreendentemente com aceitação do candidato. Pertencia ao DEM, um partido sem liderança e sem expressão, tendo mudado de nome pelo constrangimento de ter sido PFL.

Passou a ser citado como "candidato das preferências de Temer", talvez pelo fato raro, de estar distante da Lava-Jato ou restrições morais. Mas esqueciam do poder não oculto de Cunha. Este foi ao Jaburu, e com três gritos e duas ameaças, exigiu a nomeação de um líder. Moralmente indefensável e de um partido com 8 parlamentares, foi aceito, indicado e nomeado.

Temer simplesmente abandonou Maia, sem qualquer explicação. Assessores alertaram que a repercussão fora péssima. Convidou então Maia para líder no Congresso. Aí, Maia reagiu com altivez, desprendimento, visão e conhecimento. Recusou, "esse cargo tradicionalmente é ocupado por um senador". O provisório ficou surpreendido, nomeou Aluizio Nunes Ferreira, conhecido e reconhecido como adversário.

Maia cresceu, e sem apoio ou ajuda de Temer ou do Jaburu, se elegeu presidente da Câmara. E tem 6 meses para assumir eventualmente a presidência da Republica. Sem restrição de ninguém, apenas com a inveja crescente do DEM.

PS- Inesperado o golpe militar na Turquia. Ainda não esclarecido se teve o apoio ou a participação terrorista. È sabido que a Turquia, poderoso membro entre os 28 países da OTAN é alvo permanente do Estado Islâmico. A OTAN tem o mesmo numero de membros da UE, agora com 27. E curiosamente a Turquia é candidata a substituir o Reino Unido.

PS2- Surpreendente e fulminante a ação do Presidente Ersogan. Em menos de 48 horas, reagiu e destruiu o golpe. Usando vários modos. Na madrugada,quando os golpistas anunciavam a tomada do poder, utilizou vários meios de comunicação, pediu ao povo que saísse de casa e fosse para as ruas. Não só da capital, Ancara, mas de todas as cidades.

 PS3- Atendido, esse foi um fator principal para a retomada do governo. E agiu com tal disposição, que imediatamente prendeu 2.800 militares, demitiu 2.700 juízes. E garante, "vou limpar completamente o Exercito". Inegável e incontestável: Ersogan, a partir de agora, governará com um poder e uma força que já não tinha.

PS4 – A recém fundada Associação Nacional e Internacional de Imprensa – ANI, presidida pelo talentoso jornalista Roberto Monteiro Pinho cujo curriculun não deixa dúvidas, vai com sua comitiva de profissionais da comunicação visitará na terça-feira (19) o stand do COI na Praia de Copacabana. Na oportunidade alem de apresentar sugestões a entidade estará sendo recepcionada pela gerente geral Roberta Clark que ira expor o funcionamento do stand para os visitantes. Na próxima edição eu publico o com exclusividade o resultado da visita.


Um comentário:

  1. ENTRE VARGAS E TEMER, ERDOGAN...

    É inevitável a associação entre a articulação adotada por Recep Erdogan a partir da alegada "tentativa de golpe frustrada" e o comportamento historicamente repetido, inclusive em episódios que marcaram o Brasil no século XX, de apontar o inimigo enquanto se rouba a democracia.

    Assim como Getúlio Vargas utilizou a repressão ao movimento comunista de 1935 para suprimir as liberdades e garantias individuais, abrindo caminho para o Estado Novo de 1937, Erdogan reencena com novos atores a geopolítica da história mistificada (ardis da manipulação contemporânea, comparável a faróis diurnos em exclusão aos noturnos em equivocada compreensão de iluminadas latitudes tropicais).

    Porém, muito além da nova queda da Constantinopla às portas européias, em sentido eurasiático de contragolpe, avizinhada e imiscuída com grupos divisores da Síria e do "modus operandi" típico de Vladimir Putin, nosso Brasil, que disputa com a Turquia pelos mais altos níveis de taxas de juros mundiais, também encontra sua mistificação, personificada em Michel Temer, dentre cavaleiros submetidos após o século do aço em sequências mentirosas de efeitos que seguem massacrando as multidões mais indefesas.

    A realidade também é distorcida pelos interesses da pessoalidade e do favorecimento de poucos grupos em detrimento da maioria humana desprovida de potestatividade, até mesmo para a defesa dos seus direitos mais elementares, inclusive em relação ao valor e ao modo de trabalho e à previdência.

    Sem segurança, quer seja em "safety" da aeronave, quer seja em "security" da intervenção ilícita, seguimos ameaçados por terroristas que se disfarçam em meio a explosivas manobras contra a Lava Jato e às partidas e chegadas simultâneas do país continental dependente de modais precários de transporte, que retarda muito mais do que o trânsito urbano e eleva os perigos de acidentes nas estradas-gargalos de logística muito mais do que as demandas imediatas nas longas filas dos aeroportos, resvalando em meio ao ricochete balístico de grosso calibre que alveja o cidadão-contribuinte-eleitor (Hélio Fernandes) consumido na demora judicial que torna ineficiente, ineficaz e inefetiva a solução de litígios pelos meios oficiais.

    As exceções são louváveis e esperamos que prevaleçam sobre essa inversão que torna vices decorativos e capitalistas de quadrilha falsos heróis em impossível diferenciação em relação ao grupo de idênticos objetivos ao qual acusa.

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