Editoria: Helio Fernandes. Subeditoria: Roberto Monteiro Pinho

quarta-feira, 20 de julho de 2016

Agosto está chegando, mais rapidamente do que muitos gostariam. A importância de Rodrigo Maia. Juros ainda em 14,25

HELIO FERNANDES

Existe um ditado muito popular, "agosto, mês do desgosto". Na nossa Historia, fatos inesquecíveis aconteceram nesse mês. A farsa da independência ocorreu em Agosto. Em 1864, a estranha e extravagante "Guerra do Paraguai". O Brasil que não tinha nem Exercito, se juntou ao Uruguai e Argentina para combater o solitário Paraguai.

Por ordens da poderosa Grã-Bretanha. Em agosto de 1930, Washington Luiz derrotou Vargas com seu candidato Julio Prestes. Só foi derrubado e preso 1 mês depois, asilado para os EUA. Era uma novidade

Fato positivo. Em agosto de 1946, foi promulgada a primeira Constituição. Depois de 56 anos de governos desgovernados, tomando o poder sem eleição, ignorando e desconhecendo o povo. Talvez o mais importante fato político e pessoal, trágico e dramático, Vargas se mataria em 1954. Depois de uma reunião ministerial de 13 horas.

Quando constatou: os Ministros militares e alguns civis, queriam sua renuncia. Abreviou as traições, "deixou a vida para entrar na Historia". Inesquecível. Pouco depois. Janio Quadros, "renunciaria"  para obter mais  poderes, trocaria a gloria efêmera pelo ostracismo eterno.

Esse agosto de 2016, acumulará do inicio até o fim, concretamente do dia 5 até o 25, os maiores e hipocritamente considerados mais importantes personagens. Alguns episódios ou quase todos, envolvendo a segurança do país e sua estabilidade política e democrática. E ameaçando, mesmo de longe, a tranqüilidade da população. E não apenas do Rio. Dia 5 começa a Olimpíada mais aterrorizada, já estamos vivendo essa pré-intranquilidade. E na continuidade dos 7 dias dos jogos. E o depois que ninguém sabe como, quando ou se virá.

Fora das quadras, em camarotes distantes, estarão dois personagens, sem duvida alguma relevantes. Não pelos méritos, competência ou importância, mas colocados no centro dos acontecimentos, por fatos mais do que conhecidos. Dona Dilma, presidente afastada. E Michel Temer, presidente provisório. Nesse dia 25 terão seus destinos decididos por simples coadjuvantes. Infelizmente não temos alternativa. Os dois são rigorosamente dispensáveis e sem credibilidade. Mas não teremos direito á opção, ou seja um terceiro nome.

 Que poderia ter surgido ha meses, através de eleição direta. Que já teria ocorrido, se o TSE tivesse correspondido á sua responsabilidade. Todos lembram que desde o inicio acreditei nesse tribunal, e na cassação da chapa. Agora não ha mais espaço ou tempo para coisa alguma. Só me resta desacreditar. O que estou fazendo publicamente.

Entre o 5 e o 25, os acontecimentos se deslocam para Brasília, ou mais especificamente para a Câmara. Em recesso, os fatos se acumulam, se sobrepõem, rivalizam. Do ponto de vista pessoal, nada mais esperado do que a cassação de Eduardo Cunha. O novo presidente Rodrigo Maia, afirmativamente, marcou a sessão para a segunda semana desse temido agosto. Afirmativa e corajosamente. Mas é preciso de comparecimento. Em massa.Se isso ocorrer,nenhuma chance do corrupto escapar.

Mas é bom não acreditar antecipadamente. Cunha está trabalhando intensamente. Como já revelei, sua grande aposta é na abstenção, no não comparecimento. Mas essa estratégia só pode ter alguma repercussão, entre os considerados amigos. Os partidos que pressionaram Maia, são pelo menos 350, no mínimo. Se estiverem presentes, a vontade da comunidade, será cumprida de forma indelével, irrefutável, irrevogável.

Surgiu agora, nos bastidores, um movimento coordenado por vários deputados, que pretendem "salvar" Cunha da cassação, pelo que estão chamando de "pena" E alinham vários motivos. Tem que entregar o palácio residencial amanhã. Cassado,ficará sem salário. Não tem onde ficar com a família. Antigamente morava num hotel conhecido “como preferido dos lobistas", era sua atividade.

Fingem acreditar que ele não tem mesmo recursos, "tudo pertence ao truste". Consideraram a hipótese dele renunciar, veio o desespero: "A renuncia, agora, impossível. Mesmo renunciando, é cassado, sem direitos por 8 anos, quase que imediatamente preso.

Contra a Lava-Jato, e a favor da Lava-Jato

Dois projetos sobre o assunto estão transitando no Legislativo. Um começou no Senado, assinado por Renan Calheiros, nem preciso explicar: é vergonhosamente com o objetivo de destruir as investigações de Curitiba. Indiciado 9 vezes pelo Supremo por corrupção e acumulando propinas, não sentiu o menor constrangimento. Redigiu e apresentou essa monstruosidade que pune juízes, desembargadores, membros de tribunais superiores, Policia Federal, Ministério Publico.

Como o próprio Eduardo Cunha disse em depoimento, que "existem 117 deputados para serem punidos pela Lava-Jato", é lógico que Renan está satisfeito pelo apoio que vem recebendo. (Aliás, a palavra RECEBENDO se adapta maravilhosamente ao "estilo" Renan).

O outro projeto foi apresentado na Câmara. Tem 10 itens cobrindo os mais diversos e diferente ângulos da corrupção. Foi levado pela equipe da Lava-Jato, mas com 2 milhões e 200 mil assinaturas populares. E tem como base a própria Constituição. Que estabelece: com 1 milhão de assinaturas, o projeto pode ser apresentado ao Legislativo e transformado em Lei. O que está na Câmara tem mais do dobro. Cortaram três itens, que foram recolocados.

Esses dois projetos de alto interesse publico, e aplaudidos pela comunidade, vão estremecer as relações Câmara-Senado. E dependendo dos resultados, podem transformar agosto em generoso ou tenebroso. Não acredito que a iniciativa de Renan seja aprovada. Ou que o documento que veio com mais de 2 milhões de apoio do povo, seja recusado, reprovado, rejeitado.

Mas deputados e senadores, têm um recurso, que usam freqüentemente: engavetam,"esquecem". Só que a fuga de Renan, para surtir efeito, precisa ser votado, é um retrocesso. Quero ver quem tem a audácia de votar a favor. O outro, como é um progresso, trará grandes prejuízos se não for votado. Só que a equipe de Curitiba está atenta, monitorando a tramitação e não o "esquecimento".

A importância de Rodrigo Maia

Vem cumprindo o que afirmou no discurso de posse. Inicialmente arquivou o projeto que iria construir mais um "Edifício Anexo". Não consultou ninguém. Garantiu: "Não é hora de gastar 320 milhões levantando mais um edifício". 320 milhões no inicio. Mas com a corrupção dominante, iria para o dobro.

Antes de ser pressionado por partidos que mantiveram o poder de Cunha por quase 1 ano, colocou o julgamento na pauta. Sabe que não pode retroceder. E não retrocederá. Cunha estará fora do jogo político, em plena disputa do jogo olímpico. E o presidente da Câmara irá mais longe.

No seu estilo discreto, deixou bem claro o lado do combate á corrupção: "Vejo com bons olhos, o projeto de defesa e continuação da Lava-Jato". Magnífico. Principalmente porque sabia que essa defesa não era uma das prioridades do Jaburu. Nem de Renan. Maia foi logo chamado para jantar com Temer e mais quem? "O próprio Renan. Cujo projeto não terá facilidades na Câmara”. Nem mesmo no Senado. Essa é a parte positiva, do agosto retumbante que está chegando.

Inflação-dólar-juros

O Jaburu está em plena euforia com a pesquisa que considerou favorável. Na verdade foi mais confronto Dima-Temer do que pesquisa. E só os áulicos e apaniguados aplaudiram. Mudaram o modo clássico das pesquisas para satisfazer o  presidente provisório. Na reunião com a equipe econômica, o presidente do BC teve que ouvir perguntas sobre dólar e juros.

O Ministro da Fazenda, com estilo conciliador, comentou que a inflação já devia ter caído mais. Diante do silencio, mudou de assunto. Sobre dólar, como ninguém tem ideia do que é melhor, subindo ou descendo, Temer não cobrou nada de ninguém.

Como não se manifestou sobre inflação ou dólar, o constitucionalista resolveu
 dar opinião a respeito de juros. Seu desconhecimento é igual nas três matérias. Textual: "BC tem plena autonomia para definir taxa de juros". O presidente do BC achou que era a sua vez: "Tenho agido sem ruído (textual), para que não saibam qual é a nossa intenção". A propósito: o governo tem alguma ideia sobre dólar ou juro? A respeito de inflação, unanimidade, só existe uma saída: derrubá-la.

PS- Ontem ás 19 horas em ponto, 72 horas depois da conversa que relatei, Temer e Meirelles foram surpreendidos: o BC manteve os juros nos inabaláveis 14,25.E pelo que se dizia nos bastidores, redução só em dezembro ou janeiro. Lógico, de 2017.

PS2- Ainda no governo Dilma, eu defendia que "havia espaço" para reduzir os juros. A inflação caíra de 11 para 8,90. Escrevi que podiam reduzir para 10 ou 11 por cento, de uma vez. Um tranco que a economia suportaria. O que não suporta é essa mesmice.

PS3- FHC cometeu a loucura de levar os juros para 40 por cento. Entregou a Lula com 25. Com Dona Dilma chegou a 7 por cento ainda alto. Mas em menos de 2 anos, levaram e elevaram para mais do dobro.






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