Editoria: Helio Fernandes. Subeditoria: Roberto Monteiro Pinho

terça-feira, 26 de julho de 2016

Dentro de 2 meses, 144 milhões estarão votando. Meirelles, o admirador de si mesmo.

HELIO FERNANDES

Proporcionalmente, é o maior eleitorado do mundo. E com a pior representatividade. Basta fazer a analise e comparação a partir de 1966. 50 anos depois da primeira farsa eleitoral da ditadura, tentando transformar o golpe em revolução, atingimos agora um estagio irrecuperável. A não ser que façamos as reformas partidárias mais simples, sem precisar de alterar a Constituição. Apenas 4, irrefutáveis e irrevogáveis.       

1-Fim das coligações proporcionais, que favorece candidatos sem votos. 2- Clausula de barreira consciente e construtiva, que com efeito iminente e fulminante, transformará 35 partidos em 6 ou 7.  3- Acabar para sempre o abominável fundo partidário, pago com dinheiro do contribuinte.

(O Ministro Gilmar Mendes, anteontem, em entrevista publica, revelou estarrecedoramente: "Com dinheiro do fundo partidário, compram helicópteros, jatinhos". Como é presidente do TSE, (Tribunal Superior Eleitoral) está na obrigação de tomar providencias saneadoras. Como ninguém faz nada, TODOS os partidos, apanhados em flagrante de corrupção eleitoral, respondem: "As nossas despesas, estão declaradas e aprovadas pela Justiça eleitoral".

4-Jogar para sempre na lixeira eleitoral, o inexplicável e insuportável horário de radio e televisão GRATUITO. Esta ultima palavra vai em maiúscula, embora na pratica seja minúscula. Outra decisão imposta mentirosamente ao cidadão, que paga sem saber.
Essas 4 providencias melhorariam em alta velocidade, a credibilidade dos políticos. Os eleitores têm total impossibilidade de escolher em quem votar, nessa avalanche de siglas. Algumas até com 1 ou 2 nomes respeitáveis mas sem condições de influir no processo ou renová-lo.

Muitos desses “nanicos", esgotam sua participação, negociando as legendas que só servem para isso. Os manifestantes autênticos em frente ao Congresso, em 2013, gritavam para deputados e senadores assustados: "Vocês não nos representam". Como não houve modificação, o povo continua sem representantes.

A eleição municipal deveria ser a mais importante e respeitada, pelo fato da realidade nacional surgir ou se realizar a partir do município. Todos os 200 milhões de brasileiros moram e votam no município. Do Presidente da Republica ao mais abandonado, desigual ou desprezado trabalhador, votam no município. Sejam os 9 milhões de  SP, ou os 900 da cidade de Araguaia.Em Goiás.

Agora em outubro, serão eleitos 5 mil prefeitos e no mínimo 50 mil vereadores. Votarão desajeitada, desinformada ou até inconformadamente, três quartas partes da população nacional. Os deputados, senadores, governadores e até presidentes (excluídos os provisórios), sabem que dependem muito do voto municipal. Os eleitores, deveriam ser os grandes beneficiados. Mas são prisioneiros, reféns, seqüestrados de verdadeiras quadrilhas. Que transformam a política, "de arte de governar os povos'", em profissionais da politicalha, para enriquecer á custa dos que acreditaram neles.

A eleição municipal é complexa. E o voto é exercido quase sem reflexo, por causa da complicação imposta pelos poderosos. Que começam suas carreiras humildemente pelo município. Muitos anos depois, voltam como mandatários, comandam a eleição, desaparecem pelo tempo que lhes interessa. Nos EUA, no plano municipal não existe Câmara dos Deputados e sim Câmara dos Representantes.

Prova final da necessidade irrefutável e irrevogável, de uma clausula de barreira autentica e moralizadora, com 4 ou 5 por cento do total. (20 ou 25 deputados, sem coligação proporcional). O Partido Comunista (partidão) pela primeira vez disputou eleição. Em 1945, depois de 56 anos de indiretas.

Elegeu 12 deputados e 1 senador (Luiz Carlos Prestes). Agora, 70 anos depois de tudo o que aconteceu no país, expulsaram Prestes (a grande figura da sua e de varias gerações, eterno, apesar dos erros e dos equívocos repetidos), se refugiaram no que identificam como PC do B. Concorreram a diversas eleições, continuam com 12 deputados, mas perderam o senador. Só que estão sempre em cargos proeminentes. Até o Ministério da Defesa, uma contradição evidente.   

Em suma: os 144 milhões que votarão dentro de 2 meses, deveriam se conscientizar. Podem realizar ou pelo menos começar a verdadeira Revolução. Sem armas, muita convicção, e perguntando ou tentando se lembrar de onde ouviram as palavras: LIBERDADE, IGUALDADE, FRATERNIDADE.

Meirelles, fracasso no BC, "empavonado" na Fazenda

Enriqueceu no exterior, fez fortuna no setor bancário. No ano 2 mil resolveu voltar para o Brasil, seduzido pela carreira política. Em 2002, "conseguiu" um mandato de deputado, com 183 mil votos. Milagrosos. Caíram do céu. Também em 2002, Lula foi eleito Presidente na quarta tentativa. Encontrou Meirelles no aeroporto, não se conheciam pessoalmente, Lula convidou-o para presidir o Banco Central. Meirelles aceitou imediatamente. Não podia se licenciar, renunciou, tomou posse logo depois de Lula.

Começou uma disputa com Palocci, Ministro da Fazenda, mais poderoso do que ele. Ficava irritado quando Lula elogiava o Ministro da Fazenda, se esquecia do Banco Central. Palocci saiu no meio, por motivos óbvios. Meirelles ficou os 4 anos do primeiro mandato. Soube pelos jornais que não continuaria. Era o "estilo" Lula, mas Meirelles não merecia continuar. Penou 10 anos no ostracismo, seu nome aparecia, quando ele mesmo alardeava, que fora sondado por Dilma para ocupar a Fazenda. O que não aconteceu, a presidente jamais cogitou do seu nome.

Sofreu de 2006 a 2016. Temer conheceu-o, quando foi a JBS, resolver problemas de caixa 2. A JBS era extraordinária doadora, Meirelles presidente do holding. Está completando 3 meses, só promessas ou ameaças. Principalmente de aumento de impostos, que ele chama de "pontuais". Para significar que não serão para sempre. Efetivamente, nenhuma realização. Mas está sempre se repetindo na televisão. E acredita que está "agradando", e assumirá no Alvorada como residência, e não no Jaburu. Outra crença sem lastro de Meirelles: será indicado por Temer para a sua sucessão.

Turquia e Trump

Dois problemas sérios para os quase 6 meses que faltam para Obama entregar a presidência. Em 20 de janeiro. A Turquia, fonte de preocupação sem limite. Ele ficou contra o golpe, mas se recusou e extraditar o clérigo, pedido do presidente Erdogan. Obama recomendou calma, sabia (como ressaltei e registrei aqui, que aconteceria) que ele é muito vingativo. Só que está indo alem do previsto ou imaginado. 

E não é só a grave questão da pena de morte. O numero de prisões de civis é espantoso. Não se sabe o numero exato de "responsáveis" pelo golpe. Chegam a mais de 120 mil. Certo, 46 jornalistas, que estavam trabalhando. A reação dos países da UE, tímida em relação á brutalidade e crueldade do presidente da Turquia. Apenas ameaçam com veto á entrada na UE, se for aprovada a pena de morte.

Outra grande preocupação para Obama: sua sucessão. Não que Hillary esteja derrotada ou a caminho disso. Mas Trump é um susto permanente. Como o mundo se radicaliza, o bilionário atrai os radicais de todas as origens. E naturalmente inconseqüências. O fato do senador Sanderes, não estar conseguindo transferir apoio para a ex-adversaria, até compreensível. Mas inaceitável. Trump não pode de jeito algum presidir os EUA. Digamos que se eleja e queira vir ao Brasil?




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