Editoria: Helio Fernandes. Subeditoria: Roberto Monteiro Pinho

segunda-feira, 25 de julho de 2016

A Olimpíada desgastada pela política. Temer e Renan, mestres e participantes em impeachment.
HELIO FERNANDES

Simbolicamente já vivemos a Olimpíada, ha muito tempo. Oficialmente começou ontem, com a chegada das primeiras delegações, e a abertura da Vila Olímpica para os atletas. Serão mais de 10 mil, centenas já estão aqui, tomaram posse de suas instalações. Mesmo precárias.

De hoje á Abertura, dia 5, faltam 10 dias. Quem não tem ingresso para a Abertura, corra para adquirir, será lindíssima. Conheço pessoal ou profissionalmente, toda a equipe que projetou e concretizou o inicio dos jogos. Pela genética ou conquista, têm o astral da competência e do sucesso.

Quanto aos jogos propriamente ditos, houve um retrocesso, da esperança ao pessimismo. Quando o Rio foi indicado, na terceira vez que disputava, entusiasmo, aplausos retumbantes, nenhuma restrição. Mas as coisas foram mudando. Até pesquisas encomendaram e publicaram, com o único intuito de desmoralizar o evento. Nenhuma explicação, mas não ha justificativa, para acreditar que os brasileiros,e principalmente os cariocas, estão contra a Olimpíada.

Fizeram tanta publicidade da Zica, que parece que as pessoas estão caindo mortas no meio da rua, atrapalhando o transito. Depois veio a "porralouquice" (royalties para o Ministro da Defesa), do Ministro da Justiça, que compartilhou sua paixão pelo exibicionismo, com o amadorismo dos supostos terroristas. Se essas ações já assustam e intranqüilizam o mundo, imaginem a repercussão aqui, que jamais esteve no mapa do terror. Ha 2 anos, realizamos uma Copa do Mundo, considerada das mais tranqüilas e bem organizadas.

Mas nada disso atingiu o sucesso do evento. O que teve a maior repercussão, rigorosamente negativa, foi à crise política. Provocou até conversas de presidentes e Primeiros Ministros, que estavam com a viagem confirmada, e cancelaram.

Obama desmarcou, mandou o Secretario de Estado. Angela Merkel esteve num Congresso Econômico, com Dona Dilma. Na despedida, se abraçaram, Merkel falou, "nos vemos no Rio". Será substituída pelo presidente, que na hierarquia política administrativa da Alemanha, é tão decorativo quanto Temer antes da traição. O Primeiro ministro da Itália, confirmou.

Reino Unido e outros, nem deram satisfação. Inicialmente, estariam aqui, mais de 100 presidentes ou primeiros Ministros. O Presidente da Argentina vem e ficará.
Ante ontem, reabrindo o maravilhoso Itamaraty, (que foi sede do governo até 1896, quando o vice assumiu interinamente, comprou o Catete e mudou para lá) o Ministro Serra anunciou: "Confirmaram presença 45 presidentes ou Primeiros Ministros". Uma redução impressionante na qualidade e quantidade.

Serra sabia, mas não explicou tantos cancelamentos. Vou revelar com exclusividade.Quase todos tiveram a mesma perplexidade e não encontraram uma forma de se comportar sem se comprometer. "Estariam no Brasil com dois presidentes. Um afastado, o outro provisório". Visitariam ambos? Escolheriam um deles, obviamente tomando posição? Os dois usam a palavra "presidente", a decisão definitiva só se dará depois das Olimpíadas terminarem. Não quiseram arriscar uma inconseqüência ou incoerência diplomática.

O Rio está ameaçado de se transformar provisoriamente num Principado. Os Príncipes e Sultões, esses virão na certa.

Temer e Renan, tentam se "reconciliar"

O relacionamento entre eles, sempre foi tumultuado e conturbado, até que surgisse um poderoso componente pessoal que reaproximasse os dois, mesmo sem uni-los ou reuni-los. Em diversas oportunidades, o fator união se deu em torno do impeachment. No de Collor, os dois a favor. Líder do governo, Renan mais preponderante na derrubada.Tão eficiente, que FHC, o grande beneficiado, nomeou-o ministro da  Justiça.

Michel Temer, malabarista do silencio comprometido, foi eleito presidente da Câmara. Era suplente de deputado, Renan aplainou o caminho, mesmo sem voto suficiente para conquistar (?) o cargo importante. Dessa posição privilegiada, pôde salvar FHC do impeachment. Que seria justíssimo. Renan e Temer, na mesma trincheira que protegeria e garantiria a reeleição comprada e paga á vista. E que produziria o desgoverno do "retrocesso de 80 anos em 8".

Agora, na longa caminhada para que Temer se beneficiasse diretamente da terceira tentativa de impeachment, novos encontros e desencontros entre eles. Renan tentou sair vencedor, não conseguiu, aumentou a inveja e o ressentimento. Temer, provisório quase efetivado, assustado que do Senado surja alguma surpresa, tenta cativar Renan. Vago o ministério do Turismo, Temer pediu a Renan para preenchê-lo. 

O presidente do Senado aceitou, indicou um correligionário de Alagoas. Seu nome: Marx. Temer recebeu,investigou, telefonou para Renan pedindo para trocar a escolha. Renan deu uma gargalhada, comentou, "ele se chama Marx mas não é marxista". Resposta de Temer, nada satisfeito: "O problema é do nome, mas pelo fato dele estar citado na Lava-Jato". Renan continua com direito ao ministério. Desprendimento de lado a lado.

O COI concorda com o doping da Rússia

O mundo inteiro, não apenas esportivo, aplaudiu o Comitê Olímpico Internacional pela descoberta e punição do doping. A investigação não atingiu apenas a Rússia, permitiu a constatação e punição de “ganhadores" de outras competições. Incluindo a Olimpíada de Inverno da própria Rússia. Semana passada o COI anunciou: "Todos terão que devolver as medalhas".

Acreditamos na punição até o fim de semana. Mas a partir daí o COI mudou totalmente de posição e convicção. Retirou o VETO á Rússia, passou a "competência" para as Federações, que estavam publicamente contra as punições. O doping é o câncer que mata o esporte. È a ratificação da deslealdade que derrota os atletas que competem limpamente. Não se valem desses recursos vergonhosos, que deviam ser banidos sem contemplação

O fenômeno Usain Bolt deu entrevista sexta feira em Londres. Estava com um esparadrapo no braço, mostrou e explicou: "Estou vindo de um exame antidoping. Todo mês sou chamado, eu e meu medico ficamos satisfeitos. Estamos defendendo a integridade do esporte que adoramos". Completou: "Estou indo para o Brasil, vou conquistar a terceira medalha Olímpica, seguida, nos 100 metros. Disputarei também os 200 metros".

Vamos aplaudi-lo com a mesma convicção como contestamos o COI, que traiu a sua própria legenda gloriosa, razão maior da Olimpíada: "O importante não é VENCER e sim COMPETIR".







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