Editoria: Helio Fernandes. Subeditoria: Roberto Monteiro Pinho

terça-feira, 19 de julho de 2016

A reforma política indispensável, que não virá. O futuro de Maia depende de Cunha.

HELIO FERNANDES

Ontem dediquei tempo e espaço ao que tentam ha muito tempo, implantar como REINVENÇÃO da democracia. Nesta Republica traída desde o nascimento, e fixada como militar, militarista e militarizada, faltou sempre o componente principal, inarredável e irrecorrível: o político. E viemos de 1889 a 2016, sem esse componente que consolidaria a Republica. Tivemos momentos fugazes de democracia, pela qualidade e quantidade de personagens pessoal e politicamente admiráveis.

Em 1950, Gilberto Amado, deputado, escritor, acadêmico, embaixador, fez observação no seu livro biográfico, "Presença na Política". Escreveu: "Antes de 1930 a eleição era falsa, mas a representatividade era verdadeira. Depois de 30 a eleição passou a ser verdadeira, mas a representatividade é inteiramente falsa".

Abandonou a política, se transformou em embaixador, seu ultimo cargo foi na França. Não teve tempo ou informação para corrigir alguns pontos da sua observação, valida pelo menos para estudo. Ou para contestação. Como é o meu caso. Contesto e mostro que só a reforma política e partidária, poderá contribuir para a consolidação, implantação e recuperação do que já se chamou de "Brasil, país do futuro".

A degradação da vida publica foi mostrando o inqualificável, que chegou até agora com raras ou raríssimas esperanças de recuperação. Tão volúvel, falsa mas evidente, que o segundo encontro do novo presidente da Câmara, Rodrigo Maia, uma novidade, foi com Renan Calheiros,uma velharia.Irrecuperável e comprometida. Procurando "faturar popularidade, nos meses que lhe sobram na presidência do Senado (se não for cassado antes ou afastado da presidência, pelo envolvimento com a Lava-Jato) falou logo em reforma política.

Tentando o jovem presidente: "Temos que acabar com as coligações proporcionais e acabar com a multiplicação de partidos". Dois pontos rigorosamente necessários, que já deveriam ter sido extirpados ha muito tempo. Como são decisões privativas do Legislativo, não sairão das gavetas. A coalizão proporcional, excrescência, violência contra a democracia e a representatividade autentica. Deveria se eliminada.

A clausula de barreira já existiu como mistificação, apenas para enganar o cidadão. Deveria ser aprovada imediatamente, com efeito moralizador e com a finalidade de reduzir os partidos. Essa proliferação de partidos sem expressão, é dos maiores fatores de desmoralização. Partidos que não obtivessem 4 ou 5 por cento da Câmara, não teriam representação. Seria obrigatório elegerem 20 ou 25 deputados, razoável. Cada partido representando os partidos sobreviventes, teria que lançar candidato próprio a Presidente da Republica. Num possível segundo turno poderiam fazer acordo.

Já que Renan procura convencer o novo presidente da Câmara, poderia ir mais longe com duas propostas moralizadoras e de economia para o cidadão. Fim do chamado Fundo Partidário, que consome mais de 1 bilhão. E é uma fonte inesgotável de negociatas. Partidos sem partidários, "vivem" dessa falcatrua, é o nome. Seguindo no mesmo roteiro, acabariam o horário GRATUITO de radio e televisão. E criariam a cassação ética, imediata e sumaria para quem mentisse deliberadamente, usando essa palavra. Sabendo que tudo é pago pelo contribuinte. Que acaba acreditando que é mesmo GRATUITO.

Essas raras medidas são fáceis de aprovar. Desmistificaria a vida política, eliminaria o grande fator de corrupção política, econômica, pessoal, partidária, que é o regime ou sistema PRESIDENCIALISTA PLURIPARTIDARIO. Uma excrescência, extravagância, mistificação que não existe em nenhum lugar do mundo, Qualquer governo, até mesmo o do provisório, depende e dependerá sempre do chamado troca - troca.

Esse "sistema espúrio, "aprisiona" o Executivo ao Legislativo. É uma clara e 
 publica violação da Constituição, que estabelece: "Os Poderes são autônomos e independentes entre si". Preocupado que Rodrigo Maia se deixe convencer pelo presidente do senado, o provisório tomou providencias, no entendimento dele, acauteladoras. E no segundo encontro com Maia, convidou-o para líder do governo na Câmara. A partir de fevereiro, quando tem que passar a presidência ao deputado que ficará 2 anos no cargo.

Artimanhas de Cunha, preocupam o presidente Maia

Maia não respondeu sobre o convite para ser líder em fevereiro. É muito tempo. E tempos incertos. Alem disso, suas preocupações são mais urgentes e importantes. E naturalmente ligadas a Eduardo Cunha. Apesar do recesso tem ido diariamente á Câmara, e pode sentir o ambiente.

Assim que foi eleito, afirmou: "Só colocarei em pauta a cassação do ex-presidente, quando houver numero alto no plenário". Começou a sofrer pressão, por enquanto não pessoal. Mas deputados de vários partidos, ligados ao Jaburu, querem que a questão seja resolvida.

Eduardo Cunha baseia sua defesa precisamente no comparecimento, ou melhor, na ausência de deputados. Tem alertado os aliados sobre isso. Como sabe que o presidente da Câmara não quer se arriscar, Cunha também não quer correr risco. Como são necessários 257 votos para cassá-lo, tem dito: "Precisam colocar no mínimo 400 deputados dispostos a votar contra mim".

Considera que ainda tem no mínimo 150 amigos fieis, que votarão contra a cassação. Para os que receiam aparecer, explica: "O voto é aberto, mas basta dizer SIM ou NÂO".

Cunha trabalha intensamente a abstenção. Acha que não votarão logo depois do recesso. Quer ir mais longe, estarão perto do fim do ano e da importantíssima eleição municipal. Por outro lado, os que estão arrependidos e constrangidos por terem deixado Cunha sobreviver tanto tempo, lembram sempre a Maia: "Teu futuro depende do que acontecer com Cunha". Não acredito na salvação de Cunha. Mas o quadro na Câmara é esse. E nem examinei o "centrão". Alem das duvidas, rigorosamente verdadeiras, a respeito da oscilação de Michel Temer.

Família Bush contra Trump

Sem atropelos, carregado pela família, o bilionário conseguiu ultrapassar obstáculos. Já é decididamente o candidato Republicano, embora com um grupo contra ele. Os Bush queriam implantar o terceiro presidente. O pai ficou 4 anos, derrotado. O filho, George W.Bush, derrotou o vice de Clinton, Al Gore, em manobra ilegal, mas reconhecida pela justiça do estado que ele governava. Os 8 anos de George W., calamitosos e criminosos. Atacou o Iraque, acusando Sadah Hussein de ter armas nucleares.

Completamente desmentido e desmoralizado, a guerra dura até hoje, embora o fato jamais tenha existido. Hussein foi condenado á morte e executado. O irmão ex-governador, Ted, tentou disputar a convenção, não passou da segunda previa. Achou que podia copiar o vice Temer, ser presidente sem voto, não conseguiu. Quem conseguiu copiar foi Melanie, mulher de Trump. As televisões dos EUA mostraram seu discurso, em partes enormes, iguais ao de Michele, mulher de Obama.

Trump se apresenta como conservador, mas é reacionário por direito de conquista. Reacionário, perigoso, sem escrúpulos. Exibicionista, para ficar nas manchetes, aparecia num "reality show", financiado por ele.

Conservador era Churchill. Bebia, jogava, fumava, escrevia e combatia para salvar o mundo e a democracia. Frasista notável, basta lembrar esta: "A democracia é o pior dos regimes. Excetuados naturalmente todos os outros"








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