Editoria: Helio Fernandes. Subeditoria: Roberto Monteiro Pinho

quarta-feira, 13 de julho de 2016

A monstruosidade do preconceito racial. Cunha ainda impune.

HELIO FERNANDES

O mundo e principalmente os EUA, deveriam estar comemorando os 150 anos do fim da escravidão Em 1866 foi aprovada a Emenda 13 que eliminava a guerra contra os negros. Em vez de festa, brancos assassinando negros, estes revidando com igual violência, por conta dos direitos que foram colocados na Constituição, mas jamais transformados em realidade.

Lincoln, das maiores figuras da Historia dos EUA, anti-escravagista por vocação, formação e convicção, foi eleito em novembro de 1860. Tomou posse em 1861, o país já tendo começado a Guerra Civil, que se transformaria na mais cruel e selvagem dos tempos modernos.

Governou 4 anos, ele e seu vice Johnson, Republicano, mas solidário e irrevogável no propósito de acabar com a guerra e ao mesmo tempo liquidar o preconceito e estabelecer a igualdade. Que não pode se transformar em desigualdade, levada em consideração apenas a diferença da cor da pele.

Com esse preconceito já dominando o mundo inteiro, ser negro passou a ser crime, um libelo contra a liberdade da existência, do isolamento humilhante, da crueldade de não terem direitos, de não serem reconhecidos como cidadãos.

Lincoln dedicou os 4 anos do mandato, dia após dia, ao combate dessa selvageria. Lutou obsessivamente em duas frentes enormes. Acabar a Guerra que matava milhares de pessoas. Liquidar a discriminação, que condenava milhões.  Foi derrotado nos dois objetivos. Mas com seu esforço e competência reconhecidos, foi reeleito para mais 4 anos. Mas esses tempos foram transformados e eternizados em apenas 30 dias.

Em 1865, tomou posse. Quando completava 1 mês do segundo mandato, foi ao Teatro Ford, com a mulher Mary Todd. Assassinado covardemente, entrou para a Historia. A luta pelo fim da escravidão continuou. 1 ano depois, já sem Lincoln presente, mas honrando sua memória, aprovaram o fim da escravidão. Que agora, 150 anos passados, continua um inútil e desacreditado principio constitucional.

Dando seu próprio exemplo de primeiro negro presidente, Obama tenta desesperadamente mostrar e até provar, que "os EUA não estão divididos". Podia acrescentar que alem de negro, está sendo rigorosamente eficiente. Não adiantará nada. Nem nos EUA nem no mundo. No Brasil conhecemos muito bem, nos mais diversos setores, o horror, o terror e a indignidade da discriminação.

È preciso continuar a luta de Lincoln, de outras personalidades como Luther King, (também assassinado) sem muita esperança. Não conseguiremos nada, o mundo está mais dividido do que nunca ou do que sempre. Não podemos esquecer do Apostolo Paulo, que ensinava a importância de "combater o bom combate".

A guerra contra a Lava-jato

Enquanto transcorria a ininterrupta e inacabável quarta feira, com a luta pela cassação do corrupto Cunha, e a eleição do presidente da Câmara, nos bastidores, outra grande batalha. Renan Calheiros que desavergonhadamente apresentara projeto para intimidar as equipes que combatem a corrupção, enfrenta problemas. Seu projeto, anunciado como sendo contra "abuso de autoridades", visa apenas os que combatem a corrupção. Membros da Policia Federal, Ministério Publico Federal, juízes, desembargadores, Ministros do STJ e STF. Um escárnio e excrescência.

Como o projeto é audaciosamente claro, principalmente apresentado por um senador citado 9 vezes no Supremo, não conseguiu muitos adeptos. Até seu intimissimo Romero Jucá, presidente da Comissão, refugou. Jogou o projeto para depois do recesso. Renan compreendeu: a única possibilidade de aprovação, era obter o apoio do presidente provisório. Mas não conversando, e sim negociando, com Temer intimidado. 

Assim, como revelei ontem com exclusividade, retirou da pauta o projeto que legaliza a jogatina. Os recursos que poderiam vir dessa ilegalidade, "realidade" que fascina o presidente provisório. Proposta que Renan vai oferecer: Temer apóia o projeto contra a Lava-Jato, ele, Renan, recoloca em pauta o projeto da jogatina, em regime de urgência.

Fiquem atentos. Aqui ou em jornais e televisões. Se o projeto da jogatina voltar á pauta no senado, é porque Renan e Temer se acertaram, como sempre. De qualquer maneira, o dilema pernicioso, com o cidadão-contribuinte atingido pela jogatina e com a tramitação garantida, do projeto contra a Lava-Jato.

O projeto contra a CORRUPÇÃO começa a andar

Finalmente uma boa ou melhor, excelente noticia. A Câmara criou uma Comissão Especial para examinar e transformar em Lei, o projeto que foi coordenado pela equipe da Lava Jato. Só para não esquecer: a Constituição estabelece que com 1 milhão de assinaturas populares, o requerimento pode ser apresentado á Câmara. A equipe de Curitiba conseguiu 2 milhões de assinaturas, que já são 2 milhões e 200 mil.
Tem 10 itens contra corruptos e corruptores.

Cada um item, com mais credibilidade, dignidade, responsabilidade. Já tentaram eliminar 3 itens, mas o projeto foi apresentado e aceito na integra. Ponto contra a roubalheira, não apenas das empreiteiras. A comunidade não tem prevenção contra ninguém. Só não quer ser roubado por todos.

Rogério Rosso se defende

2 horas antes da eleição, favorito como candidato á presidência da Câmara, se apresenta em publico. E declara publicamente: "Não pratiquei nenhuma irregularidade". Não destroem nenhuma das acusações, minuciosas, que fiz a ele. Deixo as acusações para depois. Quero apenas que responda a estes itens. Foi secretario duas vezes do governador CASSADO, Roberto Arruda e isso é moral?

Mais tarde trabalhou com o governador CORRUPTO, Joaquim Roriz. Este não chegou a ser cassado, renunciou a 7 anos de senador para se livrar da punição. Para terminar o mandato de Arruda, quem foi escolhido? O próprio Rosso,sem eleição, apoiado pelos dois. Isso é moral? Ou serve de credencial para presidir a Câmara e ficar como Vice presidente eventual?

Eduardo Cunha: a baixaria do Conselho de Ética, se repete na CCJ

Às17 horas em ponto, o grito retumbante e diversificado: "Vergonha, vergonha, vergonha". Era a única resposta possível á decisão do presidente Osmar Serraglio: "Estou encerrando esta sessão e marcando outra para amanhã, quinta feira". Nada surpreendente, no mérito. Só que na pratica, se esperava que o prolongamento da sobrevida do ex-presidente, tivesse como protagonista, o relator.

Hoje pela manhã, a hora não interessa, fazem o que Cunha manda, continua o espetáculo da desmoralização da Câmara como um todo e da CCJ em particular. Antes da mudança da capital, freqüentei a Câmara quase diariamente. E vi essa CCJ presidida por Milton Campos, Afonso Arinos, Gustavo Capanema, Djalma Marinho, e muitos outros. De vários partidos mas com a mesma dignidade e espírito publico.

Hoje, Brasília se define pela jurisprudência Toffoli, Ministro do Supremo: criou o "foro privilegiado" para residência, (apartamento ou casa) "funcional".  A Constituição garante "foro privilegiado" para determinados personagens. Agora segundo Toffoli, todos os "residenciais" são imunes, por si e pelos dependentes do proprietário. Hoje quinta, começa o recesso. È o que Cunha e apaniguados chamam: "Decisão só em agosto".

A eleição do presidente da Câmara

Às 17,30, foi aberta a sessão. Mas só vale oficialmente, quando 257 deputados estiverem no plenário. Preferiam conversar, negociar, trocar votos por promessas, a serem cumpridas depois. Na "casa", 376 deputados que apelavam aos14 candidatos inscritos, apenas 3 verdadeiros.

Surpresa total, quando se soube que Rosso procurou Rodrigo Maia. Falaram quase 20 minutos. Sobre o segundo turno. Ás 18,40 entraram todos, começou a sessão. Rodrigo Maia, o primeiro orador. Mas ninguém vai ganhar a eleição da tribuna. Por falta de oratória, e excesso de compromissos.


PS - Discursos chatissimos dos 11 que se apresentam, notavelmente sem nenhuma chance. Ridículos, principalmente os exibicionistas, que só falam neles mesmos.

PS2- Impressionante a incompetência do jaburu. Temer disse varias vezes, "ficaremos neutros, não apoiaremos ninguém". Neste momento, impossível dizer quem vai ganhar. Mesmo porque o importante é o que vem depois, e que apavora o presidente provisório.

PS3- A decisão vai para o segundo turno, varando a madrugada. Com um fato rigorosamente verdadeiro: nas ultimas horas, Temer foi informado pelo crescimento enorme de Marcelo Castro. Aí se desesperou de vez, mudando totalmente de estratégia, perdão, "estratégia".


PS4- Prevendo, percebendo, ou até adivinhando, se convenceu que Marcelo Castro iria, certo, para o segundo turno. Mudou tudo, passou a apostar em Rodrigo Maia em vez do Rosso, para a disputa final. Pode ser a explicação para o que escrevi lá em cima, sobre o encontro entre Rosso e Maia, antes de entrarem no plenário. È uma eleição desvairada, comandada por um provisório, que até agora era prisioneiro do "centrão". Quer se libertar, só não podia ser tão estabanado.

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