Editoria: Helio Fernandes. Subeditoria: Roberto Monteiro Pinho

terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

A PEC DA BENGALA, OBSESSÃO DO PLANALTO. O PMDB E TODOS OS PARTIDOS TÊM QUE TER CANDIDATO. ALMOÇO E JANTAR DE GRAÇA.

HELIO FERNANDES
25.02.15

O autor da ideia, que quase concretizou, se chama Luis Inácio lula da Silva. Em outubro de 2009, praticamente faltando 1 ano para terminar o segundo mandato, começou a trabalhar para que Ministro dos tribunais superiores (Supremo, Superior de Justiça, Superior Militar) só caíssem na “expulsoria” aos 75 anos e não aos 70.

Cometeu um equívoco, com duas pontas ou exigências, que invalidam a proposta. O primeiro parecia o mais difícil, mas Lula quase conseguiu. O segundo, nem catalogado como obstáculo, foi intransponível.

1 – Lula queria uma PEC ampla, aumentando seu mandato até 2012, estendendo também o dos governadores. Houve resistência, mas com habilidade Lula ia conseguindo.

2 -  O que derrotou a PEC: todos os outros setores da Justiça, da primeira instancia aos juízes federais, desembargadores estaduais e federais, exigiam entrar no beneficio. E mais grave ainda, o que levou Lula a desistir: funcionários públicos, médicos, professores, advogados, arquitetos, milhões deles, que também caem na compulsória aos 70 anos, reivindicaram o mesmo direito. Aí não dava.

Agora não querem aprovar essa PEC, supostamente para impedir Dona Dilma de nomear mais cinco Ministros. Se a PEC não for aprovada, a presidente nomeia os substitutos de Celso de Mello, Marco Aurélio, Lewandowski, Rosa Weber e Teori Zavaski. Ainda existe uma vaga de Joaquim Barbosa, já dependendo dela a seis meses.

Pode será votada a qualquer momento, se o desentendimento PMDB-Dilma se prolongar. Tudo pode acontecer.

Luiz Inácio Adams.

Advogado Geral da União, queria ir para o Supremo, esteve muito perto há alguns anos. Flagrado privilegiando empresas de um ex-senador que “explorava ilhas da União em São Paulo”, foi expulso da lista, antes mesmo de ser nomeado.

Agora voltou a ambição, Dona Dilma está entusiasmada com seu trabalho a favor das empreiteiras. Se o Planalto e o Advogado Geral da União conseguirem a leniência para essas empreiteiras corruptas e corruptoras, e a PEC da Bengala não for aprovada, Dona Dilma não esquecerá de Adams. Cinco vagas para preencher? Pelo menos uma tem que ser para ele.

Almoço e jantar de graça.

Sempre insistem que no capitalismo isso não existe. Pois anteontem, (segunda) as duas coisas aconteceram. Não simultaneamente, porque almoço é á tarde e jantar, á noite. Começou com o depreciativo Aloizio Mercadante, que sem avisar foi almoçar com Eduardo Cunha.

Este, surpreendido, saiu pela porta dos fundos, sem paletó, foi abraçar o Chefe da Casa Civil no estacionamento, O Presidente da Câmara está satisfeito com a residência oficial, mas sonha com uma outra, consequência da elevação da hierarquia sucessória.

Logo que foi eleito presidente da Câmara, fez declaração na televisão, mostrando hostilidade benigna: “Posso conversar (com Dona Dilma)  mas não recebo intermediários ou emissários”. Depois do encontro com Mercadante, sobraram muitas análises ou conclusões.

Pode se considerar tão triunfante, que permite a concessão até de uma conversa com sabor de reencontro. Quem sabe tenha percebido que não avançou tanto quanto esperava, imaginava ou acreditava.

Teme (não confundir com Temer adversário nas hipóteses surrealistas, por enquanto) que seus dois anos como presidente da Câmara terminem sem nada acontecer. Eduardo Cunha não é tratadista para ser citado, mas sabe muito bem que só poderá personagem importante até 1º de fevereiro de 2017.

Estes dois anos de agora serão terríveis, tumultuados, praticamente tenebroso para o governo.  Mas não serão definitivos. Os dois últimos é que serão cruciais. E ele então estará esquecido e superado, transformando a escolha do novo Presidente da Câmara numa tragédia grega.

O jantar de graça.

Esse foi proporcionado e empolgado pelo ministro da Fazenda, o segundo Joaquim. Sua atuação é patética, tentando oferecer otimismo vazio a todo país, que mergulhou no pessimismo, não tão crônico mas pelo menos anacrônico, para um país-continente como sempre o Brasil foi considerado.

Para o Ministro da Fazenda, a segunda feira foi estafante, mental e fisicamente. Falou durante horas para quase duzentos empresários, que conversavam enquanto ela tentava mostrar, sem provar que a economia vai bem. Um tempo enorme desperdiçado.

Textual: "Não há nada de problemático com a economia brasileira". Muita gente riu, tentou se corrigir: "A economia deu uma escorregadinha". Ele mesmo se surpreendeu com a seriedade da plateia, ninguém estava levando a sério o que ele dizia, principalmente e contradição.

Para terminar, já passava das 18 horas, foi amontoando uma porção de frases feitas, principalmente sobre ajuste fiscal. Perguntaram "qual a garantia que ele dava sobre os resultados das medidas", saiu correndo, foi para o aeroporto, pegou o avião, (da FAB) precisava ir ao jantar na residência oficial do vice-presidente. Chegou antes de Eduardo Cunha, que estava operando o Picciani.

No Palácio Jaburu, o segundo Joaquim sabia que estava diante de um grupo que podia criar muitos problemas, foi cauteloso. Perguntou duas vezes pelo presidente da Câmara, ninguém respondeu. Insistiu, "o Brasil precisa de investimento, temos que atrair investidores".

Começou a falar sobre reforma cambial e a alta do dólar, o Presidente do Banco Central estava presente, mudou de rumo. Terminou com a repetição do que vem falando: "Estamos arrumando a casa, isso leva tempo".

Depois da segunda feira cansativa, Joaquim Levy ontem, terça, se reuniu por horas com os mais importantes líderes do PMDB. E a queixa do partido foi contundente, e para o Planalto, alarmante. O mínimo que Renan Calheiros falou: "Não participamos das medidas econômicas, não podemos ser responsabilizados". Dona Dilma não sabe o que fazer.

Regina Amadeu, Silvio Moreira, Antonio Azevedo, Milton Souza, querem saber minha posição em relação a esses bancos que recebem fortunas de ladrões do mundo todo. Principalmente desse HSBC da Suíça. É evidente que combato esses bancos aqui mesmo no Brasil, por que não combateria poderosos que pagam multa e pedem DESCULPA?

Esse presidente do HSBC, a maior autoridade, foi indicado e investigado por autoridades, e terá que explicar quais são os depositários, seus nomes quanto depositaram e de que países. Prestarão depoimentos com informações privilegiadas, diante de Procuradores do mundo inteiro, roubados com cumplicidade dos bancos suíços.

Jornalistas independentes, criaram grupo investigativo, e arrolaram centenas de depósitos, em dezenas de bancos, com bilhões de dinheiro roubado.

Antigamente existia um ditado popular, que dizia, "ladrão que rouba ladrão tem 100 anos de perdão". Com agradecimento a vocês estou mudando esse ditado, passa a ser assim: "Ladrão (banqueiro) que protege ladrão (empresário) tem que pegar 100 anos de prisão".

Meus parabéns, Jonas Barreiras, você fez todo o trajeto de um petroleiro. Trabalhou em navio graneleiro, em plataforma, e até em dutos da Petrobras. Ninguém vai destruir, destroças ou demolir a empresa. E você escreve de Macaé, que se tornou uma grande cidade por causa da Petrobras.

Jamais afirmei, Willian Brito Passos, que o PMDB chegaria á presidência. Defendo ha anos e anos, que todos os partidos sejam obrigados a terem candidato próprio a presidente. Se não lançarem candidato, perdem direito ao fundo partidário e ao horário de televisão. O PMDB tem o vice-presidente, o presidente da Câmara e do senado, exige maior participação no "troca-troca". Uma vergonha.

A cumplicidade do PMDB com o poder não é de agora. FHC que apesar de ser financiado pela Fundação Ford, pregava austeridade, nomeou Renan Ministro da Justiça. Esse mesmo, Renan Calheiros.

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