Editoria: Helio Fernandes. Subeditoria: Roberto Monteiro Pinho

quarta-feira, 19 de julho de 2017

TEMER QUER CONTINUAR, MAS O PERSONAGEM AINDA É O LULA 

HELIO FERNANDES

Estamos em 2017 em plena crise, que vem de 2016. Na verdade, só se fala em 2018, na sucessão sem nomes, por causa da decadência da vida pública. A derrocada é muito mais política do que econômica. O que mais me perguntam diariamente, é como chegaremos a esse tão citado, almejado, ambicionado 2018. 

Tenho tentado responder, mas a dificuldade é cada dia maior. Ontem, escrevendo sobre conversas do AINDA presidente Temer, eu revelava que 2018 entra no seu calendário, e mais do que isso, ele admite uma reeleição depois dos 80 anos. Terminei dizendo que como esse assunto não sairá das pautas nem das manchetes, voltaria assim que surgissem novidades. É o que estou fazendo. 

Enquanto Temer tenta se afirmar de forma delirante e inaceitável, o ex-presidente Lula, surge ou ressurge com toda a força. Vejam ou leiam este episódio impressionante, quase inexplicável que eu mesmo tenho que tratar com certa cautela.

Condenado a 9 anos e meio pelo Juiz Sérgio Moro, estamos diante de um episódio inacreditável e sem nenhuma base na realidade. 

Os Procuradores da Lava-Jato que denunciaram o ex-Presidente, denúncia aceita pelo Juiz Sergio Moro, reapareceram de forma espantosa, quase inacreditável, mas rigorosamente verdadeira. Sumarizando. Enviaram um documento ao Juiz Sérgio Moro, pedindo que ele reabrisse o processo no qual Lula foi condenado a pedido deles. Não explicam a razão mas dizem textualmente:"Se o processo for reaberto, o Sr. tomará conhecimento dos nossos motivos."
Vou numerar para ficar mais claro.

1- O processo não está mais com Sergio Moro. 
2- Já foi enviado à instância superior em Porto Alegre.
3- Os advogados de Lula, já entraram com a defesa em porto Alegre.
4- O Presidente Thompson Flores, do Tribunal de Porto Alegre, já deu entrevista longa à televisão explicando a tramitação do processo. Garantiu que até agosto de 2018, o processo estará julgado. Esclareceu mais, que o Tribunal tem 7 membros, e como os processos da Lava-Jato são numerosos, 3 desses juízes já estão cuidando da sua tramitação. 
5- Como é que o mesmo processo pode estar sob a jurisdição de um juiz singular e de um Tribunal coletivo?

Fiquei tão surpreendido quanto o mundo judiciário e advocatício. Resolvi, então, consultar dois grandes criminalistas que já foram meus advogados durante a ditadura. Foram taxativos: "O Juiz Sérgio Moro não tem mais nada a ver com esse processo. Agora, qualquer decisão, só da instância superior. Os fatos, qualquer que seja a interpretação, terminam aí." 

Tomo conhecimento, então, vindo de uma boa fonte, que me estarrece embora não chegue a ser uma INFORMAÇÃO, não passe de um INFORME. Mas com todas as ressalvas e todas as cautelas, não posso deixar de publicar. Os Procuradores que denunciaram o ex-Presidente, estariam contestando a justificativa do Juiz Moro, e estariam dispostos agora, a pedir a anulação da condenação do ex-Presidente. 

Eles deveriam ter feito esse pedido ao Tribunal Regional de Porto Alegre. Segundo os INFORMES (que eu me recuso a transformar em INFORMAÇÃO) duas versões.

1- Consideração com o Juiz Moro, já que vêem trabalhando com ele há três anos e meio.
2- Acreditam que apesar de já ter havido a sentença, o Juiz Federal Sérgio Moro, ainda tem ascendência sobre o processo.

PS: A palavra agora, está com Moro, que dirá se pode ou não pode, ainda interferir no processo.
PS2: Terminando por hoje: É estranho, inédito, e quase incompreensível, que o Ministério Público, protagonista principal de uma condenação, reivindique participação numa decisão contraria, ou seja, a absolvição.

O EXIBICIONISMO VAZIO DE RODRIGO MAIA

Ontem, deu entrevista de meia hora para a televisão. Assisti atentamente, dada a inesperada e surpreendente projeção do personagem. Mas dos 30 minutos, apenas 4 podem ser aproveitados. Vou resumir para que não pensem que estou contra ele, embora na verdade, jamais possa ficar a favor. Nesses 4 minutos, 3 afirmações.

1- "Conduzirei a votação com total independência, sem favorecer o Presidente Temer".

2- "Não me incomodo se não for Presidente da República, agora. Sei que serei no futuro".

3- "Decidida a votação do Plenário, qualquer que seja o resultado, passarei a estudar em profundidade os pedidos de impeachment do Presidente Temer. Também com a mesma isenção e independência".

Como sou repórter e comentarista, fiquei vendo a entrevista até o fim. Não perdi tempo porque é a minha obrigação. Mas nos outros 26 minutos sobrou apenas, exibicionismo e ambição, ambos vazios, mas empolgados.


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