Editoria: Helio Fernandes. Subeditoria: Roberto Monteiro Pinho

segunda-feira, 18 de janeiro de 2016

No presente, ninguém trabalha tanto pelo futuro quanto Michel Temer.

HELIO FERNANDES

Parece contradição, e é. Com horror a povo e elitista por vocação, escolheu como profissão, uma que depende do aval popular, ou seja, a ratificação pelo voto. Nas varias disputas para deputado, (o máximo que pretendeu), raramente se elegeu. Mas sempre se empossou. Um dos vícios do sistema brasileiro é a proteção ao suplente, da qual sempre se serviu. Ficando como primeiro ou segundo suplente, fez carreira portentosa, chegando até mesmo aonde não esperava.

Suplente “efetivado", foi feito presidente da Câmara, com a oportunidade de salvar FHC do impeachment. Para ocupar esse cargo, teve o apoio incondicional de Renan Calheiros. Sem ele não alcançaria o cargo mais alto da Câmara. Agora, para continuar na presidência do PMDB, cargo que "ocupa" desde 2001, considerou que a primeira providencia seria a de hostilizar e desalojar o ex-protetor. 

Chegou à vice presidente da Republica, o primeiro na hierarquia, esperando que o destino decidisse por ele. Não acontecendo nada, ficou 4 anos em silencio. Reempossado por Dona Dilma e o PT, sem qualquer colaboração dele, resolveu mudar de tom e de técnica. E no quinto ano, (o primeiro do segundo mandato) desandou a falar.O primeiro desastre:"Precisamos  encontrar alguém que consiga REUNIFICAR o país".Não foi difícil identificar que o personagem era  ele mesmo.

Ridicularizado, mudou de veiculo, do verbal passou para o escrito, surgiu então à carta, confessando, "sou um vice decorativo". Mais ridículo, o texto é magnífico, Moreira Franco redige admiravelmente. Mas é impossível traduzir idéias que não existem, preencher o vazio que Temer chama de "decorativo".

Agora, sozinho, Temer ataca em varias frentes, mesmo devassando a intimidade com Eduardo Cunha. O impeachment seria uma solução, assumiria a vaga de Dona Dilma, e ganharia o "direito" de continuar em 2018. Tudo errado, o impeachment será derrotado se chegar ao plenário.Terá que contornar então o pavor de perder o mandato por decisão do TSE. Os advogados que contratou lhe dizem isso.

Finalmente, é indispensável que consiga se reeleger como presidente do PMDB. Lançou então, no plano interno, a idéia: "Precisamos unir o partido". Nenhuma oposição, basta ele abandonar o desprezo pelos outros, desistir dessa reeleição eterna. Deixar de lado essa vocação da tirania, o gosto pela traição. Se conseguir chegar a 2018 como vice, e se aposentar no cargo, que maravilha viver. Só que está cada vez mais difícil, quase impossível.

A carta voltou a servir como comunicação.

 Ha 56 anos ficou famoso um filme de Beth Davis, intitulado, "A Carta”. Notável realmente. Durante 30 anos serviu de dialogo á distancia, com a publicação de cartas entre escritores, políticos, instrumento de trabalho de historiadores. Com o surgimento da tecnologia, apareceram varias formas de relacionamento. O mais importante é a mensagem. Michel Temer reviveu a carta, logo imitado por 104 advogados, que optaram por esse tipo de defesa. 

Quinta feira passada, o presidente do Banco Central enviou carta ao Ministro da Fazenda. Como Tombini e Barbosa não têm dialogo pessoal e as idéias são conflitantes, o veiculo usado foi esse. Um amigo me mostrou copia da carta e a revolta do ministro. Têm 27 linhas, todas incompreensíveis. O aborrecimento do Ministro, foi pelo fato de não entender coisa alguma.

Precisava mostrar a alguém que a decifrasse, o meu amigo que também é economista, foi o escolhido. Leu, decodificou, desvendou, disse para o Ministro:"Acho que ele quer comunicar que vai aumentar os juros".Como Barbosa é contra o aumento alucinado desses juros,  ficou ainda mais furioso.

Portanto, fiquem alerta e preparados: vem aumento dos juros. E de 0,50. Pode ser amanhã, quarta feira, ou logo depois do carnaval. Tombini considera que aumento de juros é uma fantasia. Nisso está correto, os juros atingem o pais, e a inflação continua subindo. (Só não descobri se Barbosa mostrou a carta a Dona Dilma).

1 - O grande perdedor em toda essa tragédia grega é o Brasil. Dominado por um grupo enorme de incompetentes-corruptos-empreiteiros-politicos-economistas, não tem presente nem futuro.

2 - As palavras mais pronunciadas todas no sentido negativo: inflação, desemprego, juro elevado, divida impagável, desesperança, desinvestimento, três anos para não chegar a lugar algum.

3 - E uma terrível realidade, num deserto de homens e de idéias. E uma mulher fingindo que governa, mas odiada de todos os lados. Se por acaso chegar a 2018 ainda no Planalto, não sabe para onde ir. Não poderá andar na rua ou ir a qualquer lugar, será vaiadissima.

4 - Se isso servir de conforto para a desgraça em que mergulhou o país, os adversários de hoje terão o mesmo destino e o mesmo aman. O amanhã que não virá. 
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2 comentários:

  1. Caríssimo sr Hélio Fernandes,

    Não podia ficar alheio à está coluna,uma vez que o sentimento aliado a clareza do texto, é um espelho do que vem acontecendo em nosso pobre país.
    Anteriormente podia acompanhar seus relatos e debates pela TV, hoje me foi por satisfeito em poder sempre que posso, ler e reler,textos como este, da nossa realidade nua e crua, mesmo sem golpe , sem entender mais quem é da esquerda,centro ou direita, fomos enganados e saqueados em nome do ufanismo do crescimento.
    Vejo que meus 40 anos de trabalho e dedicação, serviu para me alimentar criar meus filhos, introduzi-los na sociedade, com melhores condições que as minhas, hoje fico preocupado, não só com a geração deles, como as que viram os suceder.
    As nossas ditaduras e as nossas repúblicas, de tempos em tempos se alternam em nome de mudanças e melhorias, mas que na realidade, cada vez mais, a riqueza deste país, ficam mais concentradas na cada vez menor, casta dos ricos, políticos e poderosos e que hoje é 1% de nossa população.
    Os interesses pessoais de cada um, desses 1%, covardemente em nome do restante da população, só os fazem enganar.
    Vem uma nova eleição e não temos mais um idealista e líder sequer, para unificação da massa, perdida, com seus sonhos interrompidos, traídas pelos inúmeros discursos de estarmos em franco desenvolvimento e ao final, descobrimos que a traição, a mentira, falou mais alto e que os eleitos, não têm unidade, tentam resolver até no tapa,como temos visto esquecendo do país e processando uns aos outros.
    O DNA de nossa política, mesmo com a retirada de alguns desqualificados, conseguiu fazer escola em Brasília e para lá, só vão os aprovados pelas facções, (partidos políticos), todos!
    Se fossem para o bem do país, deveriam se chamar,' Unidos' e não Par Tidos.

    Bom dia e um forte abraço,

    ResponderExcluir
  2. Caríssimo sr Hélio Fernandes,

    Não podia ficar alheio à está coluna,uma vez que o sentimento aliado a clareza do texto, é um espelho do que vem acontecendo em nosso pobre país.
    Anteriormente podia acompanhar seus relatos e debates pela TV, hoje me foi por satisfeito em poder sempre que posso, ler e reler,textos como este, da nossa realidade nua e crua, mesmo sem golpe , sem entender mais quem é da esquerda,centro ou direita, fomos enganados e saqueados em nome do ufanismo do crescimento.
    Vejo que meus 40 anos de trabalho e dedicação, serviu para me alimentar criar meus filhos, introduzi-los na sociedade, com melhores condições que as minhas, hoje fico preocupado, não só com a geração deles, como as que viram os suceder.
    As nossas ditaduras e as nossas repúblicas, de tempos em tempos se alternam em nome de mudanças e melhorias, mas que na realidade, cada vez mais, a riqueza deste país, ficam mais concentradas na cada vez menor, casta dos ricos, políticos e poderosos e que hoje é 1% de nossa população.
    Os interesses pessoais de cada um, desses 1%, covardemente em nome do restante da população, só os fazem enganar.
    Vem uma nova eleição e não temos mais um idealista e líder sequer, para unificação da massa, perdida, com seus sonhos interrompidos, traídas pelos inúmeros discursos de estarmos em franco desenvolvimento e ao final, descobrimos que a traição, a mentira, falou mais alto e que os eleitos, não têm unidade, tentam resolver até no tapa,como temos visto esquecendo do país e processando uns aos outros.
    O DNA de nossa política, mesmo com a retirada de alguns desqualificados, conseguiu fazer escola em Brasília e para lá, só vão os aprovados pelas facções, (partidos políticos), todos!
    Se fossem para o bem do país, deveriam se chamar,' Unidos' e não Par Tidos.

    Bom dia e um forte abraço,

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