Editoria: Helio Fernandes. Subeditoria: Roberto Monteiro Pinho

domingo, 24 de janeiro de 2016

EUA: ISOLACIONISTA ATÉ 1941, HOJE QUASE NO OSTRACISMO, SEGREGRACIONISTA, APAVORADO COM A VOLTA DO RACISMO, DOMINADO PELO TERROR DO ESTADO ISLÂMICO.

HELIO FERNANDES
(reprise)

Mudaram muito. O único país do mundo ocidental, a conquistar independência pelas armas, garantir a República pela insuperável solidariedade entre aquelas províncias, (13 na época) que nem nomes tinham.

Em 1776 deflagraram a Independência, com aquele belo manifesto, escrito totalmente por Thomaz Jefferson. Tão importante, que historiadores, mais tarde, analisaram e definiram: “É o que de melhor já se escreveu em língua inglesa, excetuando Shakespeare”. Exaltando Jefferson mas ressalvando Shakespeare.

Começaram então a organização da República, tudo pela forma direta, nada era feito indiretamente. (No Brasil tudo foi mistificação. A independência, uma farsa. A Abolição da escravatura, prorrogação a favor dos senhores de engenho. A República, golpe militar, militarizado e militarista, deturpado e derrotando uma das mais brilhantes gerações de lutadores civis).

Depois da vitória contra os ingleses, os americanos fizeram a maravilhosa Convenção da Filadélfia. Durante meses e meses discutiram os assuntos que deveriam ser debatidos e resolvidos na Constituinte, e os que de menor importância podiam ficar por ali mesmo.

Quatro assuntos principais.

1 – O nome do país. Só existiam províncias, nenhum estado. 2 – A Constituição deveria ter maioria Federalista ou Estadualista? 3 – Duração dos mandatos presidenciais. 4 – O país deveria se voltar apenas para o desenvolvimento e o bem estar no resto do mundo? Tudo era polêmico e controvertido, por isso colocavam na pauta da Constituição.

1– Queriam que o nome definisse o país, geograficamente e politicamente. Então decidiram por Estados Unidos da América do Norte. O que antes eram estados unidos, em minúscula, ganhou maiúscula. E a localização, América do Norte. Controversa, mas contornável.

2 – A primeira grande hostilidade, quase uma divisão. A maioria considerava que um terço apenas da Constituição deveria ser Federalista, traçando as grandes metas do país, organizando a ordem e a justiça, estabelecendo as metas nacionais.

Os outros dois terços seriam obrigatoriamente Estadualistas, com independência total, Os oito “países fundadores”, como eles mesmos se identificaram, concordaram depois de meses de lutas e debates. A Constituição ficou sendo e continua até hoje, 30 por cento Federalista e 70 por cento Estadualista.

3 – A duração dos mandatos presidenciais provocou o mais longo debate. Washington Jefferson, J. Adams, Monroe, Madison, lutavam por mandatos de dois anos, sendo prorrogação. Derrotados, propuseram três anos, finalmente quatro, Não ganharam nada, a Constituição aprovou quatro anos ininterruptos, o que prevaleceu até 1952.

Todos esses citados foram presidentes por oito anos, uma eleição e uma reeleição, não quiseram mais, desistiram da vida pública. Outros não aceitaram o cargo como o notável Benjamin Franklin. Indicado, recusou, explicou: “Eu só queria ter um país que pudesse chamar de meu, continuar com as minhas invenções”. Continuou, inventou o para-raios. Sua efígie (desculpe) está na nota de 100 dólares.

4 – Dos pontos polêmicos esse foi o mais rapidamente resolvido. Os americanos queriam se isolar do mundo, viver o mais confortável e mais longe de todos. A Constituição foi promulgada em 1788, durante 11 anos viveram apenas para eles mesmos, sem preocupações com o que acontecia do lado de fora.

110 anos depois em 1898, quebraram esse chamado isolacionismo, suas tropas saíram de casa pela primeira vez. A Espanha invadiu a República Dominicana e Cuba, foram derrotados pelos americanos. Que ganharam o direito de anexar a República Dominicana, e tiveram entrada livre na belíssima Cuba.

Construíram a base de Quantanamo, posto principal para a derrota da Espanha. Se instalaram suntuosamente, construíram cassinos, grandes empresas americanas foram para lá. Até 1959, com a chegada de Fidel castro e a derribada do sargento Batista, que estava no poder como “marechalissimo”.

Depois da vitória contra a Espanha os americanos voltaram para casa, ainda isolacionistas. Na primeira Guerra Mundial, (a verdadeira) também não os atraia. Declarada oficialmente em 1º de Setembro de 1939, quando Hitler e Stalin então aliados, devastaram a Polônia.
Stalin atravessou a fronteira da Ucrânia, hoje tão comentada. Hitler passou por toda a Europa assombrando franceses e seu Primeiro Ministro Deladier. E ingleses e o Primeiro Ministro Chamberlain.

Os americanos não tomaram conhecimento da guerra, que ia se alastrando pelo mundo. Fundaram o “Comitê Isolacionista”, chefiado pelo Coronel Lindberg. Herói Nacional, foi o primeiro homem a atravessar o Atlântico, em 1936, num avião que de tão pequeno era chamado de “casca de nós”. Foi de Nova Iorque a Paris em 38 horas, inacreditável para a época.

A França foi ocupada por Hitler sem um tiro, em 1º de setembro de 1940, 1 ano de guerra, e os EUA de fora. 1º de setembro de 1941, dois anos de guerra, e os EUA nem observando. Mas dois meses depois, em 7 de dezembro de 1941, o mundo mudaria e atingiria surpreendentemente os EUA.

Numa façanha que deixou o mundo perplexo, mais de 50 aviões japoneses saíram de Tóquio, e sem escala chegaram á base da Marinha em Pearl Harbour. Destruíram dois terços da frota naval americana.

Isso era considerado impossível mas aconteceu. No dia seguinte, 8 de dezembro, os EUA entravam em guerra contra o que se chamava de nazi-nipo-fascismo. (Alemanha, Japão e Itália, então aliados).

No mesmo dia o coronel dissolveu o Comitê Isolacionista, me alistou na aviação, lutou até o fim, foi herói mais uma vez.

A partir desse dia os americanos mudaram tudo no país. Criaram a indústria de guerra, os homens foram lutar, as mulheres para as trincheiras da retaguarda, construir para resistir e conquistar. E nunca mais foram isolacionistas, descobriram a satisfação de dominar o mundo, o prazer de serem considerados a maior potencia mundial.
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