Editoria: Helio Fernandes. Subeditoria: Roberto Monteiro Pinho

segunda-feira, 21 de dezembro de 2015

Resta esperar 2016?

FERNANDO CAMARA

A última semana de “agenda cheia” de 2015 começou com as manifestações em favor do impeachment, onde o público bem menor do que o esperado pelos organizadores, embalado por uma carta político passional do vice Michel Temer, deu ânimo ao governo. E não foi à toa: ontem, o Datafolha registrou que a avaliação negativa de Dilma,que era de 71%, passou a 65%, ou seja, ela respira. Se voltará com novo fôlego em 2016 ainda não dá para saber, porque o tempo e a Lava-Jato não param. Vejamos a semana passada, dia-a-dia:

Segunda-feira

Bumlai, o churrasqueiro do Lula, foi denunciado com mais 10 investigados , dentre eles o filho, Maurício de Barros Bumlai, e a nora do pecuarista, Cristiane Dodero Bumlai, os irmãos Salim e Milton Schahin e Fernando Schahin ,o ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto, os ex-diretores da área Internacional da Petrobras Nestor Cerveró e Jorge Zelada, o ex-gerente executivo da estatal Eduardo Musa e o lobista Fernando Falcão Soares.

Assim segue a confirmação de que as ações da policia seguirão pautando o cenário político. Há quem defenda a aplicação do sistema de quotas para a Polícia Federal. Quotas de 50% para descendentes de japoneses.

Terça-feira

Operação Catilinária e a cultura romana entraram nos lares brasileiros, com todos os jornais explicando a série de quatro discursos célebres do cônsul romano Marco Túlio Cícero. Os políticos entraram de vez na Lava-Jato e, agora, o difícil será saírem dela com vigor para concorrer às eleições. Mas alguns, talvez saiam apenas arranhados, com chances de recuperação. Alguns, entretanto, não terão tanta sorte.
O presidente da Câmara, Eduardo Cunha, por exemplo, não teve o mesmo alívio que conseguiu o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL).

O ministro Teori Zavascki, do STF, responsável pela Lava Jato no Tribunal, negou o pedido de busca e apreensão na residência do senador. Talvez tenha agido de forma a evitar, naquele momento, comprar briga com os dois presidentes de outro Poder. Mas, o que não se sabia era que àquela altura ele já havia silenciosamente autorizado a quebra de sigilo bancário de Renan, em 9 de dezembro. A decisão, entretanto, só veio à tona nove dias depois.

Passaram despercebidos pela imprensa:

- Aldo Guedes, ex-presidente da Copergas e ex-sócio de Eduardo Campos.
- Alexandre Santos (PMDB-RJ), ex-deputado federal.
Djalma Rodrigues de Souza, ex-gerente executivo de Gás Natural da Petrobras.

Este, pernambucano, está abaladíssimo, não tem perfil para firulas, e se sentir estressado falará.

Conselho de Ética, após dois meses, aprovou por 11 votos a 9 o parecer pela continuidade do processo contra o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ). Tia Silvana, uma paulista panfletária, diz que um sujeito para entregar todos os malfeitos ou é frouxo e não aguenta um tranco ou é forte e suporta tudo.

O Governo anunciou a redução da meta fiscal para 0,5% do PIB, sem avisar ao ministro da Fazenda. Mais decente seria uma demissão com agradecimentos pelos serviços prestados. E foi.

Quarta-feira

Manifestações contra o impeachment e a favor do pedido o afastamento de Cunha. O PT mostrou que pode pôr gente nas ruas.

No mesmo dia, Luiz Edson Fachin faria a alegria do presidente da Câmara, Eduardo Cunha, ao colocar em cena um voto em que mantinha a votação secreta para eleição da comissão especial com a escolha da chapa alternativa. Cunha já se preparava para eleger o restante da comissão, influindo inclusive para colocar João Barcelar e Wellington Roberto, integrantes da tropa de choque cunhista como suplentes. Mas, no dia seguinte...

Quinta-feira.

O voto dos demais ministros...
Julgamento no STF...

O STF acabou com o discurso do Golpe.

O STF concluiu com tensão o processo de desarmonização dos Poderes, e interferiu nos entendimentos internos da Câmara dos Deputados.
O ministro Luís Roberto Barroso disse que a Câmara não escolheu e como não escolheu, ele considera inaceitável a chapa avulsa. A partir deste princípio, a Câmara passará a viver uma ditadura dos Líderes onde, se a bancada discordar de uma determinação do líder, não poderá se manifestar contra.

Absurdo! A senadora Rose de Freitas PMDB/ES concorreu, e perdeu no voto contra o líder Henrique Alves PMDB/RN, que se tornou presidente da Câmara. O atual segundo-vice-presidente, o deputado Giacobo PR/PR, concorreu em chapa avulsa, sem a indicação do líder e venceu, em votos, do deputado Lúcio Vale PR/PA. Todos respeitam, civilizadamente, os resultados. Não entendem como se organiza e como funciona o Legislativo.

Candidaturas avulsas são rotina.

Picciani foi um candidato avulso! E agora tendo contra a sua "orientação" 51% dos parlamentares no exercício do mandato, indicou oito contra o impeachment, sem política na mente, ele mesmo provocou a revolta na sua bancada.

Voto aberto (decidido por 6x5) prejudica o voto favorável ao impeachment, nenhum parlamentar pode votar contra a vontade do Governo sem por em risco possíveis retaliações, na sua base, ou na sua vida pessoal, fato que aconteceu com as deputadas Elcione Barbalho PMDB/PA e Simone Morgado PMDB/PA, mãe e madrasta do ministro Helder Barbalho, que votaram contra o Líder Picciani e tiveram que envergonhadamente modificar o voto. Lívio ficou surpreso...

Decisão positiva é que o STF não irá determinar se Dilma praticou crime e o pedido de Impeachment está aceito. A defesa será feita no curso do Processo. Não considero que Dilma terá vida boa, diante das decisões que parecem ser favoráveis à permanecia dela a frente do Governo, ela não tem e não terá a maioria na Câmara e sempre terá que negociar com Senado, cada ação, cada projeto.

O Senado pode barrar (8x3), e na decisão indica que pode barrar na entrada por maioria simples! Isto é, o Senado, sendo a casa revisora e formada por representantes dos Estados, reunidos em 41 membros, abrem uma sessão e22 senadores podem rejeitar uma decisão de 342 deputados, representantes do povo. Que definições esdrúxulas! Assim é difícil mostrar ao mundo que no Brasil tem segurança jurídica.

Marco Aurélio de Mello, que votou em todos os itens a favor do Governo assim como Luiz Fux, está feliz com a nomeação da sua filha Letícia Mello, nomeada na quarta-feira pela presidente Dilma Rousseff desembargadora do Tribunal Regional Federal da 2ª Região (Rio de Janeiro e Espírito Santo); ela disputou a vaga com outros dois advogados mais experientes; aos 37 anos. Vejam como cada um dos ministros votou:

Ministro
1) Chapa alternativa
2) Votação secreta
3) Defesa prévia
4) Senado pode barrar?
sim
sim
não
não
não
não
não
sim
não
sim
não
sim
não
não
não
sim
não
não
não
sim
sim
sim
não
não
não
não
não
sim
sim
sim
não
não
não
não
não
sim
sim
sim
não
sim
não
não
não
sim
RESULTADO FINAL:

Com este conjunto de decisões, parece que Dilma ficou refém do Renan e Picciani retornar à Liderança.

Sexta-feira.

Troca o comando no ministério da Fazenda. Levy segue o seu caminho e o nó continua. Levy não tinha mais como permanecer. Boicotado por todos do Governo, ele não é do PT, não é convincente nem maleável como o Meirelles.
Nelson Barbosa, por sua vez, conseguiu conquistar um sonho.

As Agências de Classificação Econômicas concluíram que o Governo atrapalha e atrapalhará a vida econômica. Assim elas se afastam e rebaixam os índices econômicos do Brasil.

Dilma chegou a procurar um nome no mercado, mas na falta de quem quisesse assumir, ficou com a solução caseira que pudesse agradar ao PT. Só Nelson serve para cumprir o papel de ratificador da política econômica de Dilma.

Ela fez a opção pela sobrevivência e de trabalhar para reconquistar sua base social, utilizando o dinheiro que puder, e aumentando a inflação. Seguirá na cooptação de segmentos sociais organizados: Índios, operários, desempregados, sem terras, sindicatos.

Dilma não tira férias em janeiro, e nem Temer assumirá a presidência.

Cerveró contará mais

Delcídio continua preso e Cerveró (que foi diretor internacional da Petrobras e não fala inglês) vai passar o Natal em casa. Cerveró disse que se comprometeu repassar US$ 2,5 milhões ao senador Delcídio e que ajudou a destinar US$ 6 milhões de propina para Renan Calheiros e Jader Barbalho.

Ameaçou entregar mais uma operação em que envolveria um atual diretor da Petrobras e mais parlamentares por mais uma operação, a de compra de quatro navios petroleiros que foram comprados, por um intermediário da Frontline, conhecida empresa de transporte de petróleo bruto, e em seguida revendidos para a Petrobras por mais que o dobro, em 2011. Esta operação assustou ao Mariozinho (um simpático broker experiente) na época, pois não entendeu nada, mas agora poderá ser esclarecida.

Sábado

Ufa! Até o japonês descansou.

Nova Comissão Especial

Renan será o próximo alvo, e se despediu do ano legislativo com as seguintes palavras: "O ano que não começou e não terminou ". Ele acha que serão esquecidas as denúncias contra ele. De novo? Renan assume para si a tarefa de unir em outra direção.

Lula entregou José Dirceu

 Afirmou no depoimento em prestou à PF, que as nomeações dos diretores da Petrobras forma feitas por José Dirceu... De 2004 pra cá muia coisa mudou...

Randolfe o fotogênico

Reparem como o senador Randolfe Rodrigues ganhou espaços na TV Globo após a troca de partido, do PSOL pela REDE. Até no Fantástico ele está presente.

Com esse "excesso" de democracia, nos despedimos deste 2015, desejando a todos um Feliz Natal e uma boa festa de Ano Novo, à espera do que possa vir em 2016!.
Voltarei em 11 de janeiro de 2016!




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