Editoria: Helio Fernandes. Subeditoria: Roberto Monteiro Pinho

quarta-feira, 2 de dezembro de 2015

Dilma troca o imobilismo pelo retrocesso
02.12.15
HELIO FERNANDES

Aproveitou o espaço cedido a ela mas não conseguiu alça-lo á condição universal,digno da atenção de 150 chefes de Estado. Falo da catástrofe de Mariana, quando a Samarco (e a Vale) transformou terras e cidades habitadas em lamaçal indescritível e inabitável. Ela pensou que sendo sumaria, seria elogiada, ouvida e compreendida. Foi breve, identificou o fato como irresponsável, os poucos que ouviram, ficaram assombrados, fizeram a pergunta sem resposta: "Como isso pode ter acontecido?”.

Como estava levando para o cenário externo um dos mais execráveis problemas internos, sentiu saudades de casa, cancelou a viagem ao Japão e Vietnã, voltou imediatamente, alegando problemas de economia, cortes no orçamento.
Precisa cortar gastos no total de 120 bilhões, nada melhor do que economizar 2 dias de viagem. Deixou tudo para  a ultima hora, chegou no dia 1 de dezembro ,não sabe nem com quem conversar.

Arriscado a presidente usar a palavra irresponsável, nesse trauma,drama e tragédia que emocionou,comoveu e assombrou o país de ponta a ponta. A palavra poderia ser usada para identificar sua ação e atuação em tudo o que aconteceu nas terras da Samarco-Rio Doce. Desde sempre, falta de fiscalização. Depois do lamaçal quilométrico, desinteresse,  desatenção , visita pelo alto, num helicóptero, 6 dias depois de tudo ter acontecido. Multou simbolicamente a empresa em 250 milhões, queria ficar com o dinheiro, revolta e protestos de toda a população abandonada, desabrigada, sem saber como sobreviver. 

O Ministério Publica Estadual entrou em ação, intimou a Samarco, fizeram acordo inicial, a Samarco entraria imediatamente com 1 bilhão para as indenizações pessoais e continuaria a pagar o necessário para a repecuraçao, estimada pelo menos num tempo não menor de 10 anos.

Falaram num Fundo financeiro de empresas particulares. Samarco e Vale, concordaram.  Mas no bilhão inicial, pediram para depositar em duas vezes. Só que sumiram com o dinheiro, que até agora não apareceu. E Dona Dilma só pensa (?) em cortes para refazer o orçamento que ela mesma destruiu e desequilibrou, gastando de forma imprudente e incompetente, muito mais do que arrecadava. 

As ações da Vale, que já estiveram a 58 reais, fecharam ontem na casa de três reais. 
E obrigada a reduzir despesas, não teve duvida: determinou que a eleição de 2016, volte a ocorrer com cédulas de papel, abandonando a urna eletrônica, uma conquista do Brasil. Antes dela, lógico, que tem a vocação e a paixão pelo retrocesso. 

Assassinato policial

Revoltante, monstruoso, abominável, indefensável, a morte desses cinco jovens, no bairro ferroviário de Costa Barros, (Onde nasceu e morou o Ronaldo Fenômeno). Ale do assassinato, a farsa habitual: “Fomos recebidos á bala, reagimos obrigatoriamente". Depois forjaram tudo, covardemente, para jogar a culpa nos mortos. Um deles, 20 anos, acabou de se formar em contabilidade, outro, 16, ia mostrar a mãe o primeiro salário. Como explicar a elas o que aconteceu? 

O comandante do batalhão foi demitido, os assassinos estão no centro prisional, exclusivo para criminosos da PM. Como é publico e notório, levam vida confortável com todos os privilégios. Está cada vez mais difícil viver no Rio, qualquer que seja o local.

A inútil CPI do BNDES

Antes da mudança da capital, todas eram importantes, deputados e senadores "brigavam" para fazer parte, relator ou presidente, nem se fala. Agora, em Brasília ,
no reino da mordomia, da corrupção e da impunidade, pelo menos até chegar o fim da Lava-jato, as CPIs começam e já se sabe como terminarão. Nem a CPI da Petrobras, com tudo o que se sabia, "apurou" alguma coisa. O relacionamento entre membros da CPI e os empreiteiros criminosos era intimo demais.

Agora, depondo inicialmente, o presidente do órgão a ser investigado, economista Luciano Coutinho, montou um roteiro que em Hollywood valeria uma fabula. Só que ficou longe dos fatos, que eram inteiramente do conhecimento do ex-presidente Lula. O pecuarista Dumlai, mais conhecido como "amigo do Lula", quando era presidente, ganhou Habeas Corpus para não falar o que sabe. Para ele vale o ditado popular: ”O silencio é de ouro”. Lula também acha.

Bumlai não falou mas a reunião continuou com o que já se viu mas não se ouviu, a "palavra" de ordem era não falar. Mas continuavam perguntando.

A reunião da Comissão de Ética marcada para as l4 horas, durante quase duas horas. Balburdia completa e total falta de Trepica. Um deputado que defendia Eduardo Cunha, disse para outro com posição contraria: "V.Excelencia é um mentiroso".

Nenhum protesto. “Mas a seguir, outro “eduardista”, retumbou, "o senhor não merece nem honra o mandato". O protesto veio por ter sido chamado de "senhor". O clima não melhorou, até que o presidente ás l6 horas em ponto chamou o primeiro orador, pró Eduardo Cunha, tem mandato popular, todos são a favor dele, estão em todo lado. Não é verdade, mas parece.  

Sessão cansativa, monótona, estranha, extravagante, longa e insuportável, mas não surpreendente. Ha l5 dias escrevi aqui que o resultado seria de 11 a 10, para um lado ou para o outro,não tinha a menor importância, de qualquer maneira quem decidiria seria o plenário. Pelo encaminhar da votação, muito antes de votarem, (se votarem) acertarei na diferença de votos, mas corro o risco de errar o resto da análise. Neste momento, existe a impressão de que as coisas cainham no sentido de uma coalizão e não de colisão.

O primeiro a falar foi o advogado de defesa, que naturalmente defendeu, sem entusiasmo, dava a impressão de que sabia que não precisava. A seguir, o relator, que seguiu a linha da defesa, fazendo um tratado sobre o obvio,concluindo: “Se esta Comissão decidir que o Presidente da Câmara, o terceiro homem na linha da sucessão, é inocente ou se a conclusão for à de culpado, isso será o que esta Comissão aprovará.” E deu o chute final na insolvência mental: "Aprendi a não prejulgar". E se despediu com o quarto data-venia da noite, parecia um magistrado não foi nem um simples relator.

Às 19 horas o deputado Onix Lorenzini em constrangimento, afirma: "Estão tramando alguma coisa, que precisa ser denunciada". “Começa falar Chico Alencar, seu voto e sua vida publicam são conhecidos e reconhecidos, afirma logo na primeira frase: “Nesta sessão preliminar”, e continua de forma admirável”. Este repórter a quilômetros de distancia antecipou que a sessão da terça feira, não seria definitiva. Com Eduardo Cunha como personagem, a opinião publica só aceita uma finalização: ele fora da vida publica. Isso acontecerá, mas ainda falta tempo. Se o PT, PSDB e PMDB (fora os outros) cumprissem seus deveres e os compromissos assumidos, Cunha não seriam mais presidente nem deputado. 

1- Finalmente resolvem explodir a ética, precisamente na Comissão que tem por dever e honra, preservar a grandeza da palavra. E apresentam um voto em separado, uma afronta a Comissão, á Câmara, aos Três Poderes, a todo o povo brasileiro.

2- Eduardo Cunha reconheceria a ADMISSIBILIDADE, (palavra chave do processo) e seria punido (?) com uma advertência por escrito, sem afastamento do cargo ou cassação do mandato.

3- Levando a ignomínia ao ponto mais alto da subserviência, a ação se encerraria na própria Comissão, sem qualquer recurso ao plenário.

4- Lembro da primeira vez foi Bernard Shaw, foi a Nova Iorque, levado por amigos para visitar a Estatua da Liberdade. Perguntado o achara, respondeu: "Meu gosto pela ironia não vai tão longe". Eduardo Cunha e o voto separado e antecipado, não merecem a mesma consideração.
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