Editoria: Helio Fernandes. Subeditoria: Roberto Monteiro Pinho

quinta-feira, 3 de dezembro de 2015

A represália da audácia corrupta contra o governo complacente.

04.12.15
HELIO FERNANDES

Ha mais de 6 meses a palavra impeachment domina o noticiário, é pronunciada com entusiasmo nas reuniões de bastidores, cultivada de forma diferente nos diversos partidos, ditos de oposição ou de situação, verdadeiramente nem uma coisa nem outra. A mídia, impressa ou digital, nenhum contra, apenas nas palavras contraditórias, ontem a chave igual era RETALIA, podiam ter usado REPRESALIA, alternativa e rigorosamente verdadeira.

Nenhum mistério haverá chantagem e guerra suja em larga escala. Já começou. No seu estilo habitual, depois de acordar, na sua primeira afirmação: "A presidente mentiu”. Isso se repetirá durante o longo processo, vou centralizar minha participação jornalística, em fatos que interessam ao leitor e que levarão muitos meses.

1- O recesso parlamentar começa no próximo dia 22, todos querem cortejar a opinião publica que protestará contra a interrupção. 2 - Surgirão centenas de recursos, legítimos ou ilegítimos, começando ou terminando no Supremo, que a partir de agora, de hoje, terá papel relevante.

Quanto tempo levará até o julgamento final

A própria Constituição estabelece: "Encaminhado ao Senado se o processo durar mais de 180 dias o presidente volta ao cargo, embora o processo continue”. Isso é consequência do fato do presidente ser afastado até o julgamento final pelo Senado.

Novos personagens

Eduardo Cunha não resistirá muito tempo. Ele diz, "as ruas darão a palavra final, cumpro a vontade deles". Fanfarrão corrupto e irresponsável tenta fingir que não sabe que as ruas que pedem o impeachment de Dona Dilma, acrescentam: “Sem Eduardo Cunha"!

Como irão durar meses, e o julgamento final é presidido pelo presidente do Supremo, Lewandowski já terá saído, chegado a vez da vice Carmem Lucia. 

Eduardo Cunha já terá deixado a presidência e a própria Câmara, muito antes da votação. Só que como as negociações ou acordos naturalmente espúrios feitos agora, poderão não valer para depois, é preciso esperar. Mas haja o que houver, sempre acreditando no Supremo.

Antigos personagens

Renan e Temer são experientes na tramitação e votação do impeachment. Mas não são catedráticos em coerência. Renan, líder e amigo de Collor foi o principal artífice dos 441 deputados que votaram contra ele. Trabalhou para FHC não ser substituído, ganhou o Ministério da Justiça. 

 Em matéria de sobrevivência política, mesmo sem ter o menor lastro eleitoral, Temer parece o malabarista de Nossa Senhora, personagem do famoso conto de Anibal Machado. (Irmão de Cristiano Machado candidato a presidente em l950, favoritíssimo pelo fato de ser apoiado pelos majoritários PSD e PTB, que votaram em massa em Getulio Vargas. Como compensação, Cristiano foi embaixador no Vaticano. Temer e Renan ganharam uma carreira política para a vida toda).

Abstenção, fator importantíssimo.

Até agora, desperdiçam tempo principalmente na poderosa televisão, mas não deram uma palavra sobre o assunto. Cubro o Congresso, a Constituinte e a vida parlamentar desde 1945, jamais assisti uma votação no plenário, sem abstenção. Isso terá enorme influencia no resultado.

Contei aqui ontem, Vargas derrotou os que pretendiam derrota-lo, 24 deputados não apareceram. No caso de FHC foram l00. Agora, Temer que trabalhou contra Collor, foi a favor de FHC, hoje age em proveito próprio. È vice, se Dilma perder o cargo, é ele que assume, no mínimo por alguns meses ou alguns anos.

Assim que o pedido de impeachment foi para o plenário, ela telefonou para ele. E logo depois chamou-o para conversar no Planalto. Inacreditável, Temer é candidatissimo e alem do mais controla o PMDB, principalmente o da Lava jato.

Números inquestionáveis, que valem para hoje, para toda a ação da Câmara e do senado e para os julgamentos.

Mas os atropelamentos normais e anormais. De efetivo não houve nada. Só a escolha dos 65 nomes que formarão a Comissão, uma lista lida vergonhosamente pelo ainda presidente da Câmara.

1- Essa lista terá que ser votada e aprovada pelo plenário. Mas como já trabalharam muito, marcaram para a próxima terça feira.

2- Hoje sexta, quase ninguém sairá de Brasília e no resto da semana a mesma coisa.

3- Estão marcadas varias reuniões de bastidores, de conspiradores, quase todas clandestinas. O que se repetirá muito. Importantes mesmo, só as grandes votações, que ainda demorarão.
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Helio

Lembrando de suas matéria, resolvi escrever, para contestar no bom sentido sua análise sobre o impeachment da presidente Dilma Rousseff. Sua posição era de que o impeachment não aconteceria, e assim enumerou diversas razões. Uma análise inteligente, lúcida, no clima daquele momento, porém, vivemos nos dias de hoje uma outra realidade. Como sou seu seguidor, e o considero um ícone no jornalismo te pergunto. E agora?
Dilma cai? O povo irá fazer coro, agora mais do que nunca? E o Brasil neste episódio, ira mais para o fundo? Fale sobre isso.

Meus agradecimentos.
Conto com sua análise.

Jair V. dos Santos - Rio de Janeiro

Um comentário:

  1. Com a aprovação, pela Câmara dos Deputados, do requerimento para que seja iniciado o processo de seu impeachment, a presidente Dilma Rousseff poderá esclarecer definitivamente todas as dúvidas sobre as acusações lhe são feitas pela Oposição, pela Imprensa e pela Opinião Pública.
    Como primeira Magistrada da Nação, eleita por dois mandatos a presidente sabe, melhor que ninguém, de seu dever em defender-se perante toda à Nação brasileira.
    Terá a magnifica oportunidade de esclarecer nos mínimos detalhes as acusações que lhe são imputadas, e responder a todos os questionamentos que lhe são feitos.
    É assim em todas as Democracias, dignas de tal nome. Faz parte da essência do regime. É praxe. É uma atitude que só engrandece quem tem ampla defesa e fortalece às instituições e o próprio Regime.
    Deve atender a esse dever e exercer esse direito o mais rápido possível e acabar de uma vez com todas as dúvidas. Se não o fizer, corre o risco de ser motivo de perguntas maldosas, como aquelas que circulam na mídia:"Só ela não sabia de nada?,O sistema de apuração das eleições presidenciais foi manipulado? As verbas de financiamento de sua campanha eram ilícitas?" Certamente existe muita gente interessada nestas respostas, num país, onde é tão difícil ganhar dinheiro honestamente, paga-se tantos impostos e o povo não tem direito a serviços essenciais como Saúde, Educação e Segurança Pública de qualidade.
    Afinal, no Brasil, milhares de pessoas morrem, nas portas de hospitais imundos, onde falta o básico para um atendimento digno. Crianças não têm escolas que ofereçam ao menos o essencial. Os professores e os trabalhadores são mal pagos. A Segurança Pública é uma vergonha. As aposentadorias e pensões pagas pela Previdência beiram à miséria. As verbas destinadas à merenda escolar e à saúde das pessoas são vergonhosamente roubadas.
    Este é um país, onde o cidadão comum paga juros extorsivos ao tomar um empréstimo bancário, mas empresários e banqueiros falidos conseguem empréstimos de longuíssimos prazos a juros subsidiados em estabelecimentos oficiais, criados originalmente para fomentar o desenvolvimento, mas são utilizados para financiar toda a sorte de falcatruas.
    A presidente Dilma deve ao povo brasileiro essas explicações,
    Afinal, a presidente prometeu que ia ter como uma das prioridades de seu Governo o combate à miséria e ao que parece muito de seus correligionários entendem profundamente do assunto e ninguém melhor que ela, como chefe de todos eles, para explicar ao povo como se pode enriquecer, tão, rapidamente.
    Por tudo isso Dilma Rousseff, não deve desperdiçar esta oportunidade de ouro, que lhe é oferecida pela Câmara dos Deputados,dando ao contribuinte brasileiro todos estes esclarecimentos e provando definitivamente que as acusações que lhe são feitas são falsas e levianas.E se conseguir tudo isso processar estes caluniadores na forma da Lei !

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