Titular: Helio Fernandes

quarta-feira, 8 de janeiro de 2020

NA SEGUNDA GUERRA MUNDIAL,O IRÃ LUTOU BRAVAMENTE PELA DEMOCRACIA

HELIO FERNANDES

O presidente Roosevelt, foi o grande coordenador dos chamados aliados.( EUA-Reino Unido). Roosevelt considerava fundamental aliança com a União Soviética, então potencia mundial. Churchill, respeitado democrata mas ultra conservador, não admitia conversar com Stalin.

Só que não resistiu aos argumentos do notável presidente americano. Decidiram então fazer encontros entre os 3 lideres, para mostrar ao mundo, " não estamos isolados". O primeiro e mais importante foi em Teerã, capital do Irã.

PS- Durante 4 anos, os iranianos massacraram o nazi-nipo-fascismo.(Alemanha-Japão-Itália).

PS2- E ajudaram a salvar o mundo do REICH dos MIL anos.

OTIMISMO VAZIO DO GOVERNO, OPOSIÇÃO DESARTICULADA E DESABITUADA

Bolsonaro e Guedes CONVERSARAM, só um falou, o outro ouviu. O Guedes silencioso da CONVERSA, veio a publico, falou horas, como é habitual nele . Só que nunca diz nada que preste ou se aproveite. Ê ministro antes de Bolsonaro ser presidente, perde tempo, desmoraliza a credibilidade que nunca teve.

Ha mais de 1 ano vem PROMETENDO acabar com o desemprego, criando 8 MILHÕES de vagas em 10 anos. Desde que assumiu, vem MENTINDO, e este repórter DESMENTINDO. Agora atingiu o máximo da contradição, acumulando números assustadores. Surgiu em publico, desmentindo a ESPERANÇA que ele mesmo plantou num terreno árido onde nada FLORESCE.

PS- Afirmação para COMEMORAR a entrada de 2020:" Este ano deveremos criar 150 mil vagas de trabalho, APENAS NO SETOR DA CONSTRUÇÃO CIVIL". Tudo fantasia ou surrealismo.

PS2- Mesmo que conseguisse, ficaria longe do razoável ou necessário.

PS3- A oposição se divide, se desarticula, perde até o dialogo. E o PT, em vez de combater DEMOCRATICAMENTE o governo, (desgoverno) contesta voluptuosamente o próprio Lula.

O AUMENTO DO PREÇO DO COMBUSTÍVEL, ASSUSTA O PAIS, CONFRONTA BOLSOGUEDES

Examinam a possibilidade de elevar o litro da gasolina, ( nos postos) para 6 reais o litro.INSENSATO, toda a população seria atingida, DIRETA e INDIRETAMENTE. No mundo petrolífero vale sempre o lugar comum: maior a produção, mais barato o preço.

(Quando a Venezuela era administrada na base do petróleo, sua grande riqueza, o litro da gasolina jamais passou de 0,50 reais. No Brasil, BOLSOGUEDES PENSAM(?) diferente. Discordam muito, tentam garantir o litro da gasolina a esses IMPAGÁVEIS 6 reais.

PS - Essa palavra IMPAGÁVEL tem dois sentidos, o presidente e o ministro, fazem a sua escolha.

PS2- Divergem INSENSATAMENTE. O capitão LAMENTA que o brent, esteja valendo 70 dólares o barril.

PS3- Como tenho criticado muito o ministro da Economia, vou abrir um credito para afirmação correta sua.

PS4- Textual:" Minha grande preocupação, é ter TRILHÕES de dólares debaixo da terra". Haja o que houver, eu defendo ha muito tempo o leilão do pré sal, respeitados os preços internacionais.

terça-feira, 7 de janeiro de 2020

QUAL O MELHOR REGIME POLÍTICO

HELIO FERNANDES

O Datafolha fez pesquisa para conhecer a opinião dos entrevistados a respeito do melhor sistema politico para se viver.

62 por cento, responderam sem hesitação: DEMOCRACIA. Surpreendente. Em 1944, ( em plena Segunda Guerra Mundial ) o Primeiro Ministro Churchill, diante da mesma pergunta, respondeu com uma frase curta, genal, irreversível, indestrutível, apesar dos 75 anos decorridos.

Textual: "A DEMOCRACIA È O PIOR DOS REGIMES, EXCETUADOS NATURALMENTE TODOS OS OUTROS".

PS-Dos 62 por cento que optaram por DEMOCRACIA, acredito que no máximo 10 porcento conheciam ou conhecem a definição de Churchill.

PERNAMBUCO:LEI EM PLENO VIGOR, PROÍBE HOMENAGENS A DITADURAS E DITADORES

Recebida com euforia, até mesmo em gabinetes e nas ruas, respeitadíssima. Devia ser estendida para todos os estados, o regime autoritário, arbitrário, atrabiliário foi nacional , dominou o pais durante 21 anos, juntando tortura, corrupção, incompetência.

Começou logo no primeiro dia do golpe, (hoje chamado vergonhosamente de "governos militares") aterrorizando o Recife. Bem cedo, oficiais (fardados) "pegaram" o sargento,( da ativa) Gregório Fortunato, foram com ele para o centro do Recife, com uma corda amarrada pelo pescoço. Ás gargalhadas, "passeavam" com ele, como se fosse um animal perigoso.

Rapidamente a noticia chegou ao Rio e Brasília, onde estava o comando golpista. Preocupados que o mesmo acontecesse com o governador Arraes, ( sabida e publicamente comunista, eleito pelo voto direto e democrático) transmitiram a ordem:" O governador deve ser retirado do palácio, e levado IMEDIATAMENTE para a ilha de Fernando de Noronha.

PS- São menos de 30 minutos de voo. Persistindo a duvida sobre o que fazer com ele, resolveram AXILA-LO no país que escolhesse.

PS2-.Preferiu a França, ficou 15 anos fora do Brasil, de 1964 a 1979.

PS3- Voltou, se elegeu novamente governador. (Mas isso é outra Historia)

VENEZUELA,AGORA TEM 3 "PRESIDENTES"

Maduro continua destruindo e devastando o país. Politica e economicamente desapareceu. A inflação é a maior da Historia, superou até mesmo a do marco alemão nos anos 30.(Quem sofre sempre é o povo. O cidadão comprador levava um carrinho CHEIO de dinheiro, voltava pela METADE com o que conseguira comprar).

Nem Maduro sabe quando termina seu mandato. Há 2 anos o presidente da Câmara, Juan Guaidó, se auto declarou presidente. E agiu como tal, apoiado por dezenas de países.

PS - Agora, Maduro proibiu a oposição de entrar na Câmara e votar, "elegeu" um comparsa.

PS2- A oposição se reuniu em local incerto e não sabido ,REELEGEU Guaidó.

QUINTA 9, O PRESIDENTE DO BC, DARÁ ENTREVISTA COLETIVA

Pelo cargo que ocupa, e pelas decisões, deve ser interessante. Mas o que se comenta nos bastidores," é que não responderá perguntas". Não acredito.

PS- Mas com o nome e o sobrenome que carrega, tudo é possível.

PS2- O avô, AMERICANÓFILO desde que entrou no Instituto Rio Branco, foi embaixador do Brasil nos EUA.

PS3- Indicado e nomeado pelo presidente Jango.

segunda-feira, 6 de janeiro de 2020

DEPOIS QUE DEIXOU DE SER DÍVIDA EXTERNA, PASSOU A DÍVIDA PÚBLICA, CRESCEU ASSUSTADORAMENTE

HELIO FERNANDES

O presidente do BC, no ultimo dia desse 2019 que não deixa SAUDADES, praticamente sem PRESENTE , e projeta uma realidade sem FUTURO, revelou um balanço que não anima nem permite duvidas ou falsas interpretações. Além da pesquisa sobre o total da divida. COMPARAÇÃO com o PIB.

Segundo a pesquisa do BC, a divida PUBLICA chegou a 5 TRILHÕES,600 BILHÕES de reais. Sem fugir dos números, mostrou que essa divida representa 77% do PIB.

Só neste 2019, a divida aumentou mais de 300 BILHÕES, confirmados pelo presidente do BC. 

Analistas, economistas, especialistas do mercado econômico e financeiro, têm uma preocupação prioritária:" Usando o potencial interno para se auto financiar, dificilmente o governo poderá cumprir compromissos com os credores".

È preciso que seja registrado. A redução dos juros da TAXA SELIC para 4,5%, provocou alivio completo. FHC levou e elevou essa SELIC, para 42 por cento, "crime de lesa PÁTRIA, que não prescreve". Entregou a Lula em 32%, que passou a Dilma com 14%. Ela reduziu para 7%, não resistiu, voltou aos 14%.

PS- Os juros da Selic não podem cair mais, talvez cheguem a um hipotético 4 por cento.

PS2- Se Bolsonaro restringisse sua atividade a governar sem CONTRADIÇÃO com ele mesmo, e tivesse capacidade de compreender e concordar com os filósofos gregos, poderia realmente chegar a 2022,( mais 3 anos) com possibilidades, ( raras, difusas, incoerentes e inconsequentes) de se REELEGER.

PS3- Por enquanto, Bolsonaro tem poucas chances de continuar no Planalto, apesar dos pretensos "ADVERSÁRIOS" serem INEXISTENTES e MEDIOCRÍSSIMOS.

REPRESSÃO AOS DEFENSORES DA DITADURA

Essa LEI que entrou em VIGOR em Pernambuco, deveria ser estendida para o Brasil todo. O país é o mesmo, a crueldade, IGUAL. A impunidade para quem defende a ditadura, ESTIMULO criminoso.

INCOMPREENSÍVEL. INEXPLICÁVEL. SURPREENDENTE

Os tiroteios do Rio, comandados por milicianos, traficantes, facções criminosas, foram reduzidos em 2019.

Mas os mortos aumentaram. Dados de pesquisa oficial.

A JOGATINA DA BOVESPA

Desde os 2 últimos dias de 2019 e os 2 primeiros de 2020, foram dominados pelos mesmos investidores/jogadores.

Ainda em 2019 foram grandes VENDEDORES. Ficaram com capital à disposição, e o índice AGRADAVELMENTE baixo.

Prepararam o clima para 2020. Voltaram sequiosos COMPRADORES. Até a 1 hora da tarde de hoje. 

O índice chegou a 118.400.

À partir daí, se transformaram em VENDEDORES. O fechamento foi de 117.700 pontos. Estava em 118.400, teve uma queda de 0,76%.

PS- Estão satisfeitíssimos, enquanto os investidores normais, que acreditam que a Bolsa tem pouco risco, não sabem o que fazer, perdendo sempre.

PS2- A direção da Bolsa, implacável, está tomando providências para atrair o que chamam de "pequeno investidor". Traduzindo: São "pequenos investidores" individualmente. Mas coletivamente vão contribuir para enriquecer ainda mais, os que dominam discricionariamente o mercado.

O ASSALTO E ATAQUE CONTRA A PRODUTORA, ARTÍSTICA, INTELECTUAL, JORNALÍSTICA, "PORTA DOS FUNDOS", É DE TOTAL GRAVIDADE.

Planejaram, projetaram, executaram com a maior violência, como faziam no passado. Há 80 anos, em 11 de maio de 1938, assaltaram o palácio Guanabara, residência do presidente da Republica. Integralistas, chefiados por Plínio Salgado. Agora, sem ele se confessam integralistas, estavam desaparecidos.

Em 1945, se transformaram em partido, disputaram a constituinte, elegeram bancada mínima, 6 deputados.

Um deles o "camisa verde" Plínio Salgado(pejorativo)confessando a convicção NAZISTA-FASCISTA, tem que ser punidos, usaram coquetéis- molototov, se confessaram integralistas.

E gravaram o próprio ato criminoso para fazer publicidade e promoção.

A IMPRENSA ESTRANGEIRA IDENTIFICA BOLSONARO

Alguns dos maiores jornais dos mais diversos países, não tem poupado o presidente brasileiro. Diversos tem tratado Bolsonaro, como um personagem sem a menor respeitabilidade. É o primeiro presidente do país a ser tratado dessa maneira. Como são muitos, vou traduzir apenas o que disse o The Guardian na primeira página: "Governo Bolsonaro é mistura de desqualificados, lunáticos e perigosos".

Agora, o próprio Bolsonaro tomou a decisão de apoiar os EUA, numa possível guerra com o Irã. Aqui mesmo no Brasil, os protestos são gerais. Qual a razão desse apoio? O Brasil sempre foi um país pacífico, não demora, assim que EUA e Irã decidirem o que vão fazer, a posição do Brasil antecipadamente, já está do lado dos Estados Unidos.

PS- É evidente que a mesma polêmica interna a respeito do apoio brasileiro, sem sequer saber o que vai acontecer, será motivo para que Bolsonaro continue alvo negativo da imprensa estrangeira.

sexta-feira, 20 de dezembro de 2019


OS PERSONAGENS MAIS IMPORTANTES DO GOLPE DE 64, FORAM JOÃO GOULART E OS GENERAIS. JANGO QUERIA FICAR NO PODER, OS GENERAIS QUERIAM TOMAR O PODER.

HELIO FERNANDES

Matéria reprise - Parte II

Tenta atingir Lacerda.

Em março desse 1963, manda Mensagem ao Congresso, decretando Intervenção na Guanabara. O objetivo nítido e visível é tirar Carlos Lacerda do governo da Guanabara. O Congresso reage assombrado, não concorda, nem mesmo os partidos que o apoiam.

Os líderes Waldir Pires (PSD) e Doutel d Andrade (PTB) vão ao palácio Laranjeiras, (Jango quase não ia a Brasília) dizem a ele, “não há clima para a intervenção”. Jango imediatamente retira a Mensagem.

Chega a vez deste repórter.

Em 21 de julho, recebo de um extraordinário informante, cópia autentica de uma circular que o Ministro da Guerra, Jair Dantas Ribeiro mandara a 12 generais. (no total eram 36). Nos dois carimbos: “Sigiloso e confidencial”.

Lógico, publico no mesmo dia, assim que a Tribuna sai, Jango telefona para o Ministro, e deu a ordem: “mande prender o jornalista AUDACIOSO, e enquadre na Lei de segurança”.

Fui preso no mesmo dia, no Batalhão de Polícia, na Barão de Mesquita, onde anos depois se abrigaria o Doi-Codi, comandado inicialmente pelo general Orlando Geisel, mais tarde Ministro da Guerra. Na hora do banho de sol, pude constatar a tremenda divisão do Exército.

Alguns oficiais cruzavam comigo, diziam, "resista, Hélio, estamos com você". Outros me olhavam com ar feroz, se pudessem me fuzilavam. Enquanto isso, meus advogados, Sobral Pinto, Prado Kelly, Adauto Cardoso e Prudente de Moraes, neto, entravam com Habeas-Corpus no Supremo.

O bravo presidente, Ministro Ribeiro da Costa mandou ouvir o Ministro para "saber quem mandara me prender". O general confirmou, aí o Supremo teve que julgar. Desconfiando de que havia alguma coisa fora da curva. O ministro ficou como relator, o que o regimento interno permite. Aceleraram o julgamento, para que terminasse em julho mesmo, os poderosos são supersticiosos, têm pânico do mês de agosto.
Ganhei de 5 a 4, surpresa para o presidente Jango e seu Ministro da Guerra. Tudo estava preparado para que me condenassem a 15 anos de prisão.
Vou numerar os quesitos para facilitar a compreensão.
1- "Em março de 63 foi feita pesquisa, Jango aparece com 70% de aprovação. 86 na classe pobre, 62 na A e B". Desculpe, Navarro não houve nenhuma pesquisa oficial. Se tivesse havido, Jango não teria obtido 62% nas classes A e B.
2- Outra suposta pesquisa, perguntava. "se Jango pudesse ser candidato, o que aconteceria?". Não houve mais essa "pesquisa", a reeleição era impossível.
3- Folha e Estadão não tinham censores nas redações. Os censores só foram impostos para alguns jornais, a partir de 1968, pouco antes do macabro AI-5. A situação do Estadão, sempre foi a mesma, desde 1932, quando surgiu a "Revolução Constitucionalista de 32", comandada pelo Doutor Julio Mesquita. Em 1937 ele foi exilado em Portugal, junto com o ex-presidente Bernardes.
Em 64 apoiou o golpe, não demorou muito foi dos maiores combatentes. Da ditadura. Doutor Julio era assim, gostava do que considerava o bom combate. Não tinha interesse, acima de tudo convicções. Diferente de quase todos os outros.
4- Depois foi sempre contra o golpe, a tortura, a perseguição, não transigia. O jornal foi sempre independente, contra ou a favor. 5- Juscelino era franco favorito para 1965. Pouco antes de terminar seu mandato, fez sondagens sobre uma possível reeleição, confessou, "não havia clima, desisti". Mas lançou seu nome para 65, não perderia.
6- Jango nem era considerado, jamais ganhou eleição, a não ser a fraude da vice montada por Jango em 1960. 7- Os candidatos para disputaren contra JK, se não tivesse havido o golpe, seriam Ademar de Barros pelo PPS, e Lacerda pela UDN. Este sempre admitiu que "sua grande meta era a presidência".
Final: vi, vivi, convivi. Tudo aqui é fato. Conclusão é outra coisa, cabe a cada um. Os jornalões enriqueceram com o golpe, ganharam canais de radio, televisão (que nem havia na época), hoje explicam o passado: "Apoiar a ditadura foi equivoco jornalístico".
Enriquecidos mas não arrependidos. Só que sabem que nada é esquecido, precisa ser explicado.

* A COLUNA VOLTARÁ CIRCULAR EM 4 DE JANEIRO DE 2020.

VOTOS DE FELIZ NATAL E ANO NOVO, AOS AMIGOS LEITORES E FAMILIARES 


quinta-feira, 19 de dezembro de 2019


OS PERSONAGENS MAIS IMPORTANTES DO GOLPE DE 64, FORAM JOÃO GOULART E OS GENERAIS. JANGO QUERIA FICAR NO PODER, OS GENERAIS QUERIAM TOMAR O PODER.

HELIO FERNANDES

Matéria reprise - Parte I

A História do Brasil é inundada e conspurcada por golpes e mais golpes. O primeiro aconteceu em 1889 quando República foi dizimada por dois marechais cavalarianos, que mal podiam subir num cavalo. Essa República que não é a dos nossos sonhos se dissipou nos 41 anos do partido Republicano, até 1930.

Aí veio outro golpe a longo prazo, que se transformou numa ditadura de 15 anos, que chamaram de Revolução. Os primeiros sete anos, poder de apenas um homem (Vargas), pelo menos não havia violência, tortura, prisão, perseguição. Era apenas preparação para o que surgiria em 1937, o assombroso e cruel "Estado Novo", com o mesmo Vargas, apoiado e garantido pelos generais.

Como explico sempre não existe ditadura civil ou ditadura militar, e sim a conjugação de civis e militares. Uns não podem manter o poder sem os outros, são aliados sem o menor constrangimento. Pulemos logo para 1960, quando foi dado o inicio ao golpe de 64.
Nesse ano, pela primeira e única vez, os vice-presidentes eram eleitos pelo voto direto, junto com os presidentes. Era registrada uma chapa, dois nomes, o cidadão-contribuinte-eleitor votava duas vezes, no presidente e no vice.

Jânio Quadros, franco favorito, apoiadissimo pela UDN, teve que aceitar um candidato da UDN, o responssabilissimo Milton Campos. Queria como vice, João Goulart, sabia que este faria tudo o que ele mandasse. Coisa que não aconteceria com um homem como Milton Campos.

Sem caráter, escrúpulos ou convicções, Jânio corrigindo as coisas, criando o Comitê, Jan-Jan, mandando que votassem em Jango para vice-presidente, o que aconteceu.

Jânio: posse, véspera da renúncia.

Jânio chegou ao poder em janeiro de 61, começou logo a articulação com os generais que o apoiavam, para que "conquistasse" o poder sem tempo sem limitação. Meses depois mandou o vice João Goulart para Cingapura, o outro lado do mundo, sem nenhum projeto, nenhuma negociação ou acordo com outros países.

Jango que não era brilhante, mas não tinha nada de tolo, desconfiou da viagem, mas foi. Quando estava lá, recebeu duas notícias. 1 - Jânio renunciara, não se sabia onde estava. 2 - Os generais não dariam posse a ele, apesar de ser vice e o substituto natural, não assumiria. Confusão terrível, os generais tinham armas mas não tinham popularidade. Tiveram que negociar.

Jango voltou, mas não veio direto para o Brasil, parou em Montevidéu. Tancredo Neves, que fora Ministro da Justiça de Vargas em 1951, e tinha ficado intimissimo de Jango, 

Ministro do Trabalho, negociou. E os generais para não perderem tudo, sugeriram o "parlamentarismo com Tancredo de Primeiro Ministro", o que aconteceu.

 (De passagem, esclarecimento para mostrar o péssimo relacionamento de Jango com os militares, exatamente o contrário do seu mestre e protetor, Getúlio Vargas. Ministro do Trabalho, em 1952 Jango dobrou o salário mínimo, os militares não gostaram. Publicaram então o que se chamou de "Manifesto dos coronéis". 69 deles exigiam a demissão de Jango, este aceitou cordatamente. Tancredo aconselhou-o a ficar, Jango não aceitou).

Brizola não queria que Jango aceitasse o Parlamentarismo, obteve do cunhado, a resposta: "Já aceitei. Tancredo é nosso amigo, estamos no poder". Todo o ano de 1962, foi de preparação para o referendo.

Conseguiu marcar a escolha para o dia 6 de Janeiro de 1963. Vitória facílima, 8 milhões para o presidencialismo, apenas 2 milhões parlamentarias, Jango tomou posse logo, era outro Jango inteiramente diferente. A eleição estava marcada para outubro de 1965, tinha muito tempo pela frente, começou a agir.

CONTINUA ...

* A COLUNA VOLTARÁ CIRCULAR EM 4 DE JANEIRO DE 2020.



VOTOS DE FELIZ NATAL E ANO NOVO, AOS AMIGOS LEITORES E FAMILIARES 

terça-feira, 17 de dezembro de 2019


HISTÓRICO DE PRISÕES E LIBERTAÇÕES, JULGAMENTOS NO SUPREMO, 
NÃO HÁ MAIS SIGILO, CONFIDÊNCIA, TUDO É PÚBLICO

HELIO FERNANDES 

Matéria de arquivo

Em 1963, fui preso e levado para a Barão de Mesquita, ainda não havia o DOI-CODI. Só em 1968, 5 anos depois seria criado, comandado, tornado símbolo da crueldade e da tortura, tendo como maior autoridade, o general Orlando Geisel. Como a comissão da Verdade está provando e desvendando, esses generais não torturavam pessoalmente tinham subalternos que “cumpriam ordens”. Iam assassinando, sendo promovidos, passados para a reserva, vinham outros.

Essa comissão da Verdade só foi criada e instalada com mais de 30 anos de atraso, todos os generais de 3 ou 4 estrelas, responsabilíssimos, já haviam morrido. Na Argentina e no Chile, os mandantes e não os coadjuvantes, morreram na cadeia, numa cela, sem o menor conforto, embora não tenham sofrido tortura física. 

O primarismo do SNI 

Criado junto com o golpe de 64, o equipamento tinha pelo menos 100 anos de atraso. E os que tentavam gravar “todas as conversas” eram de incompetência colossal. A começar pelo major, depois Tenente-Coronel Golbery do Couto e Silva que se julgava um gênio. Seu último cargo foi esse que citei, mas como existia a imoralidade de receber duas promoções ao passar para a reserva, se transformou General.

Comandou o SNI desde a sua criação, mais tarde acumulou a chefia do SNI com a presidência da Dow Chemical, a maior fabricante de napalm do mundo, responsável por milhões de assassinatos nas mais diversas “guerras localizadas” como a do Vietnã. Nada lhe aconteceu, morreu fétido de responsabilidade, embora se julgasse a própria santidade de impunidade e da indignidade. 

Minha primeira prisão, julgamento no Supremo 

Hoje não existe mais nenhum sigilo, tudo de sabe na hora, ou até antes de acontecer. Qualquer pessoa na maior inocência ou ingenuidade, pode estar conversando com alguém, e tudo sendo gravado, com um celular no bolso do outro.

Há algum tempo fui falar para centenas de aluno da PUC de São Paulo. Eles iam chegando, colocavam ou jogavam o celular em cima da mesa horizontal. Quando se satisfaziam e iam embora, era só apanhar o aparelho, estava tudo ali. Não havia mais trabalheira e a complicação da preparação, microfones.

No dia 22 de Julho de 1963, antes do golpe todos conspiravam. Generais, governadores, membros do governo. Recebi envelope com uma circular assinada pelo ministro da Guerra, general Jair Dantas Ribeiro. A fonte, excelente, me entregou ainda no envelope original, com o carimbo: “Sigiloso e confidencial”.

Publiquei, claro. Fui preso no mesmo dia. Também no mesmo dia Millôr escreveu: “Não quero defender o Hélio por ser meu irmão mas um jornalista que recebe circular sigilosa e confidencial, assinada por um general ministro da guerra, e não publica, é melhor que abra um supermercado.”

Publiquei, claro. Fui preso no mesmo dia. Também no mesmo dia o Millôr escreveu: “Não quero defender Helio por ser meu irmão. Mas um jornalista que recebe circular sigilosa e confidencial, assinada por um general ministro da Guerra, e não publica, é melhor que abra um supermercado”.

Meus advogados, que não conseguiam falar comigo, estava incomunicável, entraram com Habeas-Corpus no Supremo, na época presidido pelo bravo, combatente e resistente Ribeiro da Costa.

Os advogados que me representavam, eram quatro. Sobral Pinto, que defendeu presos políticos em duas ditaduras, a do “Estado Novo” de 1937 e a dos generais de 64. Hoje é nome de edifício onde a OAB Regional e a IAB Nacional, diante de multidão de advogados, homenagearam o bravo, competente, lúcido e resistente, George Tavares. Isso aconteceu na semana passada.

Prado Kelly, notável advogado e jurista, depois presidente da OAB Nacional, Ministro da Justiça e finalmente Ministro desse mesmo Supremo. Adauto Lucio Cardoso, advogado, deputado, fez um libelo contra a minha prisão. Mais tarde também ministro do Supremo, saindo de lá, não pela aposentadoria e sim com o ato, o gesto e a convicção de em plena sessão tirar a toga e com audácia e determinação, jogá-la no chão, exclamando: “Este não é o Tribunal que eu imaginava”. E foi embora.

E finalmente Prudente de Moraes Neto, umas das mais invulgares figuras que conheci. Depois de me defender, foi presidente da SUUMCC, daí surgiria o Banco Central. Diretos do Diário Carioca (este repórter, mocíssimo era diretos da redação, ele era o diretor responsável), mais tarde presidente da ABI em plena ditadura.

Usou a presidência dessa notável ABI para liderar ou melhorar a situação de dezenas de jornalistas, presos políticos. Sua atuação épica, histórica, maravilhosa, foi em relação ao jornalista Maurício Azêdo, (depois presidente da ABI), um dos presos mais torturados. Durante três meses, Prudente quase todo dia saía da ABI, ia ao Ministério da Guerra, conversar com o Ministro-chefe-do-Doi-Codi, tentando a libertação de um dos mais torturados de todos os tempos.

Finalmente conseguiu a libertação do Maurício. O próprio general Geisel disse a ele: “Amanhã às 9 horas, o jornalista será solto, o senhor pode ir buscá-lo”. Prudente foi com um amigo e o motorista. Maurício Azêdo, quase morto, foi entregue a ele. Emocionante, lancinante, comovente são as palavras obrigatórias para lembrar o ato e o fato. Abraçados Prudente e Mauricio choravam sem parar, não há como descrever.

Há um foto que circulou durante muito tempo na internet. Impossível transcrever a emoção provocada pelo episódio, dois homens públicos notáveis, realizados, generosos, desprendidos, chorando abraçados, não conheço nada tão admirável. Era o auge da rebeldia construtiva. Depois da resistência do sacrifício e da tortura, as lágrimas não pela libertação mas sim pela liberdade. 

Julgamento assustador 

Todos diziam, até mesmo no círculo jurídico se comentava: “Com essa seleção de advogados, o Helio Fernandes será absolvido facilmente”. Exatamente o contrário. Fui enquadrado na Lei de Segurança, pediram 15 anos de condenação.

O julgamento terminou em quatro a quatro. Além dos extraordinários advogados, tive a sorte de ter na presidência do Supremo, Ribeiro da Costa. Pela Constituição e pelo Regimento Interno do Supremo, o plenário só poderia julgar com 8 ministros presentes, menos do que isso, nenhum julgamento.

Palavras do presidente Ribeiro da Costa: “Vou levantar a sessão por alguns minutos, voltaremos para cumprir a obrigação constitucional, desempatar a votação”. E esclareceu: “De acordo com o que está determinado na Constituição de 46 posso desempatar contra ou a favor do jornalista”.

Voltaram, num brilhante voto de improviso, me absolveu, com a afirmação – conclusão: “O jornalista não devia nem ter sido preso, acusado e julgado. Apenas publicou um documento assinado levianamente, o conhecimento do documento serviu a coletividade”. 

PS1- Em toda a história da República, fui e sou o único jornalista JULGADO pelo Supremo de corpo presente. Muitos, incluindo Rui Barbosa, foram PROCESSADOS, o que é inteiramente diferente. 

PS2- Hoje não há mais sigilo para coisa alguma. As novas tecnologias não vão matar o jornal impresso, longe disso. Só que agora a velocidade das notícias é a mesma que Einstein colocou na sua genial Teoria da Relatividade.


quinta-feira, 12 de dezembro de 2019

Fidel: símbolo de uma Era e de uma Revolução, sem nenhuma dúvida um ditador irrecuperável

HELIO FERNANDES

*Matéria de arquivo

No fim do dia 31 de dezembro de 1958, praticamente na madrugada de 1959, um personagem chamado Fidel Castro, começava a entrar na Historia. Morrendo ontem aos 90 anos, eterniza essa permanência, é lembrado para sempre. Morre mas não desaparece. Pelo contrario, fica em evidencia, garante a relevância e a reverencia que muitos lhe negaram em vida. Mas sempre foi ditador, adorava o poder incontestável e incontrastável.

Combatido, temido, respeitado, consagrado, insultado, violento, sem fazer concessão a ninguém, dominando uma pequena ilha, conseguiu colocá-la no mapa do mundo e não apenas geograficamente. Embora não tenha obtido o sucesso político que esperava, foi o grande revolucionário de uma época.

Logo nos primeiros tempos, no dificilimo1959, conquistou a admiração do mundo. Ele e Che Guevara, centralizaram as atenções do mundo, embora projetassem caminhos diferentes. Seus roteiros de vida eram igualmente revolucionários, mas tinham temperamentos, personalidades e objetivos, completamente diferentes.

Fidel Castro queria libertar Cuba. Che Guevara pretendia libertar o mundo.

Em 1960, candidato a Presidente, Janio vai a Cuba 

Oportunista, sentindo a popularidade crescente de Fidel. Favorito para a eleição do final do ano, em março Janio vai visitá-lo. Freta um avião, leva 30 pessoas. 24 jornalistas. Ele e Dona Eloá. Adauto Cardoso, que pretendia ser Ministro da Justiça, e não foi. Afonso Arinos de Mello Franco, candidato a Ministro do Exterior, e o primeiro a ser nomeado. Ficamos lá 9 dias, como sempre em todas as viagens, escrevia diariamente.

1959, um ano dificílimo, precisava fazer varias coisas ao mesmo temo. Faltava tudo, desde transporte a alimentação. Nesse 1960 em que estivemos lá, já existiam os embargos americanos, os culpados de tudo. Mas andávamos nas ruas, sem segurança, era aplaudido, apesar das prisões já estarem lotadas, e o fuzilamento ser uma regra cruel mas insistente. Os fins de noite eram invariavelmente na embaixada do Brasil.

O relacionamento diplomático era excelente. O embaixador do Brasil, Vasco Leitão da Cunha, do primeiro time do Itamarati, logo depois Ministro do Exterior. Em 1964 os ditadores que tomaram o poder aqui, romperam relações. Nada mais compreensível. Se dizendo anticomunistas, não podiam ter relacionamento com ditadores comunistas (idem, idem com a União Soviética).

Inexplicável e inacreditável: a ditadura dos generais torturadores acabou em 1979. Mas o primeiro embaixador em Cuba, só chegou lá em 1999,20 anos depois. Por acaso, foi uma grande figura, Luciano Martins, sociólogo, escritor, exilado em Paris durante a ditadura. Mas foi embaixador em outra ditadura.

Fidel: o fazedor e o brigador com amigos

Assumiu com 70 por cento de analfabetos, em 5 anos, não existia mais nenhum. Também impossível saber como conseguiu construir 8 famosos Hospitais-Universidades, iguais aos melhores do mundo. Com 10 anos no poder, existiam médicos cubanos, praticamente em todos os continentes. Incluindo o Brasil.

Mas não respeitava nem os amigos. Meses depois de chegar ao poder, um dos melhores, mais íntimos e mais brilhantes, Camilo Cienfugos, desapareceu. Nunca foi encontrado, mas se soube: Fidel mandou jogar o amigo no tumultuado mar entre Cuba e a Florida.

Seu relacionamento com Che Guevara, era diário. Mas as divergências também. Nomeou Guevara Presidente do Banco Central, como se ele fosse um Meirelles qualquer. Revolucionário verdadeiro, se considerando obrigado a salvar o mundo, só pensava em deixar Cuba, se entregar á luta, em vez de ficar fechado num escritório. Fidel pressentia isso, ficava preocupado. A seu modo, gostava de Guevara. Mas surpreendentemente tinha inveja do amigo. 

Não demorou muito, num congresso em Roma, encontrou com o jornalista Jean Jaques- Servan Screibe , diretor proprietário de um semanário mais importante da França .Já tendo decidido seu destino, resolveu fazer humor e confissão. Disse: "Se despeça de um revolucionário presidente do Banco Central. Fique atento com as noticias que virão de Cuba".

Guevara abandona Cuba, Fidel e o passado

Não demorou muito, Guevara deixou Cuba, quase sem se despedir de Fidel. Durou poucos meses. Traído, atraiçoado, caiu numa cilada armada por alguns que considerava amigos. Fidel recebeu logo a noticia, se recolheu a um dos palácios, tinha vários. Não derramou uma lagrima. Na verdade, Fidel não chorava, perdão, uma única exceção. Quando a filha pediu asilo nos EUA, sentiu o golpe, chorou. Não pela filha, mas pela repercussão negativa do fato. Para ele pessoalmente e para o governo ditatorial.

1960, 1961, 1962

Os embargos, uma ruína. Todo o ano de 1960, foi de desgraça. Em 1961, logo depois da posse de Kennedy, o ataque militar a Cuba, pela Baia dos Porcos. Estava tudo preparado, a derrota dos Estados Unidos, estrondosa. Em 1962, numa gravação aérea, a descoberta de que existiam aviões nucleares se abastecendo em Cuba, poderiam entrar em ação, a qualquer momento.

Foram aqueles 15 dias em que as manchetes de todos os jornais do mundo, e as televisões, estrondavam repetidamente: “O mundo poderia estar caminhando para a tão temida guerra nuclear”. Que foi impedida no ultimo minuto. Ainda estávamos longe da Internet, todos acalmaram o mundo ao mesmo tempo.

Fidel não era comunista

Converteu-se depois, com a convivência e a submissão á União Soviética, que fornecia tudo que Cuba precisava, principalmente petróleo. Comunista desde adolescente era o irmão Raul. A quem teve que passar o governo em 2008, por motivo de saúde. Nesses tempos, Raul fez modificações importantes, que Fidel não quis fazer por vingança e insensibilidade. 

Tratava-se da remuneração dos médicos e atletas de vários esportes, que iam para o exterior, trabalhar. Fidel exigia que mandassem para Cuba, 100 por cento do que ganhavam. Se não cumprissem, não poderiam voltar ao país. Raul fez um acordo imediato, e que agradou a todos. Os que trabalhavam no exterior, podiam ficar com 80 por cento do que ganhavam e mandar 20 por cento para Cuba, tinham muitas isenções.

Poderia continuar escrevendo indefinidamente sobre Cuba e Fidel. Um só exemplo: em 1987, o ultimo acontecimento promovido e dirigido por Fidel. Um seminário sobre divida externa, hoje divida publica, que atingia também Cuba.

Mais de 2 mil convidados, 47 brasileiros, incluindo Lula, que 2 anos depois, seria candidato a presidente pela primeira vez.

Desses 47 brasileiros, só 2 ocuparam a tribuna. Luiz Carlos Prestes, que não conhecia muito bem o assunto, levou um texto escrito. E este repórter, apaixonado pelo assunto, mostrei o perigo para o futuro de todos os países, "endividados". Agora, 29 anos decorridos, como eu disse, a situação piorou para todos.


Para Cuba, o desastre catástrofe do fim da União Soviética, na noite de Natal de 1991. Foi a ultima crise que atingiu Cuba. Fidel estava muito desgastado, praticamente deixou o país estagnado, passou a viajar pela America do Sul e Central. Queria implantar um "império comunista", liderado por ele. Não conseguiu. Morreu respeitado pelo silencio, mas totalmente impopular.

Se pudesse, iria ler as bobagens exatamente iguais, ditas por Lula e Maradona: "Ele foi um pai para mim". Ele não foi pai para ninguém, era sempre, "o comandante". Uma vez escrevi, "desconfio que Fidel dorme sem tirar a farda, com medo de deixar de ser o comandante".

Dos que escreveram sobre Fidel, ontem, o único lúcido, sensato, esclarecido, inclusive porque esteve exilado lá por 1 ano, foi Fernando Gabeira. Perguntou em poucas linhas ou palavras: "Tantas mortes, tanto exílio, tanta tortura. Tudo isso valeu a pena?".

Para Fidel, sempre ditador, uma cremação de estadista. Se não houver pressão ou constrangimento, no domingo, as maiores personalidades do mundo, estarão em Cuba. Mesmo repetindo o lugar comum obrigatório: "Fidel será julgado pela Historia"

* A COLUNA VOLTARÁ CIRCULAR EM 4 DE JANEIRO DE 2020.


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