Titular: Helio Fernandes

segunda-feira, 19 de setembro de 2016

Tentam federalizar a eleição municipal. Toffoli combate a Lava-Jato

HELIO FERNANDES

Principalmente em São Paulo. Não por preferência premeditada e preventiva. Mas por dois fatos conjugados. É eleitoralmente, o maior município do país. E os mais importantes candidatos á suposta e ainda não confirmada eleição presidencial de 2018, têm base lá. E alem do mais, a potência financeira de São Paulo.  

O dinheiro está em São Paulo. E num momento de crise, e de campanha curta e difícil, ser candidato, no maior colégio eleitoral de pais, mais tranqüilidade. O município é o terceiro orçamento do país. O segundo, o do estado. E o primeiro, naturalmente o da União. Por isso cada candidato a prefeito, está "amarrado" a um presidenciável.

Temos que ressalvar obrigatoriamente, que 2018 está muito longe. Num futuro comprometido com a incerteza. Mas analisando como fato, os candidatos nacionais estão se exibindo em São Paulo, AGORA, tentando se mostrar nacionalmente, no DEPOIS. Mas haja o que houver na eleição municipal que se realiza dentro de 15 dias, os nomes de hoje serão os mesmos em 2018. Sem nenhuma alteração. Não ha renovação

Temer, Aécio, Alckmin, Serra, Lula, Marina. Cada um apóia ou patrocina prefeitáveis. Na esperança ou ilusão de que possa ajudá-los quando ou se conseguirem se transformar em presidenciáveis. Alguns garantidos na própria legenda. Outros, certos da superação no próprio partido, já firmaram e se fixaram, com acordos antecipados.

O PSDB, derrotado nas 4 ultimas eleições, Serra duas vezes, Alckmin e Aécio uma vez cada. De forma inédita, apresentará os 3 na mesma eleição, concorrendo entre si. Aécio, presidente do PSDB, tem a indicação garantida. Alckmin, sabendo disso, tem acordo com o PSB, dito socialista, mas que só pode chegar ao poder dessa forma. E José Serra, na terceira e ultima tentativa de chegar ao Planalto, aos 76 anos, concorrerá por qualquer legenda.

Lula é candidatissimo para 2018, deixou isso bem claro no pronunciamento-resposta ao Procurador Lavagnoll.  E está examinando a possibilidade de comparecer imediatamente no cenário de São Paulo. Logicamente apoiando o prefeito Fernando Haddad. Vai depender de circunstancias e conseqüências. Mas, se depender dele, irá a outros municípios

 Dona Marina tem legenda e convicção: sua vez será inapelavelmente em 2018. A terceira candidatura. Não esquece que Lula ganhou na quarta tentativa. Como ela é sempre incompreensível, não apóia ninguém em São Paulo. Acha que o eleitorado votará nela, por vontade própria. Mas no Rio, apóia candidato sem a menor chance de vitoria, embora não sofra restrições.

Resta o presidente indireto, Michel Temer, um aproveitador completo. Mesmo tendo chegado ao Poder sem eleição, e sem saber até onde vai o mandato que conseguiu não por golpe, mas por conspiração palaciana, não descuida de 2018. A melhor prova disso, é que tem candidato em são Paulo. È Marta Suplicy, apoiada também e fortemente por José Serra, muito mais forte eleitoralmente do que Temer. Não só em São Paulo, mas em qualquer lugar.

O eleitor vota muito mal, a crise política, conseqüência

Depois dos 21 anos da ditadura arbitraria, autoritária, atrabiliaria, todos acreditavam
no que se chamou determinadamente de redemocratização. Mas que rapidamente se materializou numa colossal decepção. Com a colaboração imprudente e displicente do próprio cidadão. Chegamos a impressionantes 137 milhões de eleitores.

Votaram tão mal, que em 24 anos, dois presidentes eleitos sofreram impeachment. Outro, comprou a própria reeleição com dinheiro de empresários. Que como recompensa, exigiram uma parte do patrimônio nacional, que receberam, pagando com o que chamei de "moedas podres". Foram as vergonhosas "doações", que aumentaram a miséria popular. 

E nos trouxe a esta democracia sem eleição. Com um presidente indireto, que jamais disputou qualquer cargo majoritário, pelo voto direto. Mas estando no poder, agride mais uma vez a gramática, e pretende a reeleição. Se nunca foi eleito, como pode ser reeleito?

Estarão em jogo dentro de alguns dias, a eleição ou reeleição de 5 mil e 500 prefeitos, dos mais distantes e variados municípios. Como em quase todos, haverá segundo turno, serão 11 mil candidatos. Se votarem com paixão, vontade, convencidos que a renovação imprescindível começa, por aí. Digamos que acertem 10 por cento, escolham candidatos acima de qualquer suspeita. Serão mil e cem cidadãos, começando uma carreira que poderá levá-los aos mais altos cargos.

Usando a mesma esperança na escolha dos vereadores. Serão mais de 60 mil candidatos, 10 por cento, não é impossível nem difícil. 6 mil eleitos, corretos, honestos querendo servir ao país e á coletividade. Bons candidatos existem, a decepção vem do próprio eleitor. Tomemos como base São Paulo, o mais conhecido.

Dois candidatos, acima de outros. Erundina que já foi ótima prefeita. E Haddad, com todas as credenciais, faz excelente administração. Prejudicado pelo naufrágio do PT. Rossumanno, ninguém sabe o que representa. João Doria, na primeira eleição, empurrado pela maquina, azeitada pelo governador Alckmin, que tentará o Planalto pela segunda vez em 2018.

E finalmente, Dona Marta Suplicy, mais conhecida como "Martaxa", grande aumentadora de impostos, quando foi prefeita em 2 mil. Fracasso completo, não se reelegeu no cargo, perdendo em 2004. Tentou em 2008, nova resposta negativa do
eleitor. Trocou o PT, pelo PMDB de Temer. E o PSDB de Serra.Só pensar em votar nela, e reconduzi-la depois de todas as incoerências, absurdo.

Lula e Toffoli, primários e contraditórios

O Ministro do Supremo, vulnerável antes e depois de surpreendentemente, fazer parte do mais alto tribunal do país. Sua margem de erros ou de equívocos deliberados, é assombrosa. Comparável apenas a Gilmar Mendes. Os dois geralmente com votos os mais discutíveis. E fora do tribunal, falastrões inconsoláveis, antecipando opiniões sobre questões que decidirão ocasional ou definitivamente.

Mas ontem, Toffoli bateu todos os recordes de insensatez: "Judiciário pode cometer o mesmo erro dos militares em 1964 querendo ser donos do poder". Assustador que um Ministro do Supremo faça afirmação como essa. E na mais completa "tofolização", vai em frente: "Se a política for criminalizada e o Poder Judiciário, exagerar no ativismo".

Com essa comparação incomparável, Toffoli atira no coração do próprio Poder que representa. E faz a mais completa declaração de guerra á Operação Lava-Jato. Até hoje, a Lava-Jato tem sido combatida por políticos comprometidos. E advogados também comprometidos. Mas não por acusações e sim pela defesa de "clientes". Que merecem as aspas.

Todos podem ter justificativas e interesses, até amparados em leis e interpretações duvidosas. Mas um Ministro do Supremo,o poder mais alto do Judiciário, criticar antecipadamente esse mesmo Judiciário?Inaceitável. Incompreensível.Inimaginável

Lula também se comprometeu com o exagero e o desproposito. Tem todo o direito de se defender, e da forma como bem entender. Embora só quisesse se dirigir aos companheiros. Mas ofendendo a opinião publica quando mais precisa dela, justificando o "político ladrão", é inacreditável. Não parece coisa do próprio Lula, que se orgulha tanto do que faz, do que fez, do que vai fazer.

E injuriar em bloco, os "concursados, que entram para o serviço publico, leviandade, imprudência, contradição. Textual embora inacreditável: "Esses cidadãos se formam numa universidade, fazem concurso e tão com emprego garantido para o resto da vida". Parece revolta contra a sua própria vida. Não pôde fazer o mesmo.

Mas esse é o seu grande exemplo, sempre exaltado por ele mesmo, até no discurso de quinta feira. Não estudou mas chegou à presidente da Republica. È a desigualdade do sistema, ultrapassada com luta, esforço, tenacidade. Não pode combater agora, sua própria conquista.

A segunda viagem de Temer. De Curitiba, receio e esperança.

Depois da China, os Estados Unidos. Não o país propriamente dito, convidado de Obama, como tentou e não conseguiu. Mas o primeiro presidente indireto a representar o Brasil na ONU. Nos 70 anos do órgão, nunca o Brasil foi tão vexatoriamente representado, do ponto de vista político, como agora. E invariavelmente terá que se submeter á comparação.

Pois o primeiro representante do Brasil, Osvaldo Aranha, foi presidente da ONU. E logo depois da instalação, em 1948,dirigia a Assembléia Geral, quando foi criado o Estado de Israel. Por questões que não cabem examinar aqui, a ONU cometeu o seu equivoco coletivo mais extraordinário, que dura até hoje: não criou ao mesmo tempo, o Estado da Palestina.

È quase impossível para qualquer um, principalmente para Michel Temer, representar o Brasil numa entidade internacional, que foi presidida por um brasileiro estadista.
Durante os 15 anos de Vargas, se tivesse havido eleição, ele teria sido Presidente. E quando o povo pedia eleição direta, o nome gritado era o de Osvaldo Aranha. 

Ocupou quase todos os ministérios, e amigo lealissimo, jamais se insurgiu contra Vargas. Quando este sentiu que estava periclitante, com medo mandou Aranha, para os Estados Unidos como embaixador. Em 1945, derrubada a ditadura, não houve cassação ou inelegibilidade. Mas houve investigação. Osvaldo Aranha, glorificado, logo depois foi nomeado Embaixador na ONU.

O Brasil não tem nenhum presidente estadista. Mas teve duas oportunidades: com Rui Barbosa e Osvaldo Aranha. Rui disputou duas vezes como candidato independente, na era do partido único, o Republicano. E desistiu também duas, por convicção. Aranha não teve nem chance.

Caimos tanto, que temos agora um presidente indireto, orgulhoso de ter comandado a conspiração parlamentar, que o beneficiou. Na ONU, todos vão saber que não houve GOLPE no Brasil. Mas não entenderão que democracia é esta, com um presidente sem voto, sem povo, sem eleição. E sem mandato.

Curitiba: ansiedade e medo

Ultrapassado o problema Eduardo Cunha, que age apenas nos bastidores, com ameaças e intimidações, todos se voltam contra ou a favor da Lava-Jato. CONTRA está mais do que visível. Ninguém vai parar ou eliminar a operação, mas tentam das mais diversas formas. Abertamente o perigo vem do Congresso, que trilha o caminho das “mãos limpas" na Itália.

Lá a liquidação veio amparada e destruidora, através de legislação. Trocaram o combate á corrupção, pelo aparecimento de Berlusconi, que se entronizaria por mais de 20 anos, como o maior ladrão do mundo. Foi retirado da vida publica, enriquecido e impune. E na mais completa liberdade, sem ser condicional.

A FAVOR da Lava-Jato, está à opinião publica, com mais de 80 por cento de apoio. A partir de hoje, e a qualquer momento, pode surgir à decisão do juiz Sergio Moro. Inicialmente, "especialistas"  diziam: "Ele vai demorar a decidir, se aceita ou rejeita o pedido dos Procuradores". Já falam que decidirá imediatamente. Haja o que houver, será a sua mais difícil decisão.

Os Procuradores espetaculares e espalhafatosos, dificultaram seu trabalho. Alem do mais, terá que sentenciar sobre o presente e o futuro de um ex-presidente. Que apesar de erros, imprudências e equívocos, mas ainda é a maior liderança política do país. E já politizou sua defesa, elogiando os políticos, mesmo, os ladrões. Ele usou a palavra, sabendo o que dizia.

Bom arquiteto da palavra, Lula "italianizou" a Lava-Jato. O país todo, com esperança e receio, se volta para Curitiba. Façam o mesmo, é de lá que surgirão os fatos. Não dá nem para adivinhar. É o momento crucial do processo. Com mais de 100 personagens importantes, assistindo ou esperando tudo. Apavorados. E querendo retomar o controle.

PS- Econômica e administrativamente, o país continua tão parado quanto estava antes. Temer não faz nada. Pressionado pelos partidos de maior representatividade numérica, anuncia, revoga até mesmo o que não passa de promessa. E isso quase que diariamente.

PS2- È tão hesitante e sem convicção, que quando garante alguma coisa, já contam com a reviravolta. Por isso, dizem que Temer tem 3 velocidades: "Pra trás, lento e devagar".


PS3- A Associação Nacional e Internacional de Imprensa - ANI realiza amanhã (20), terça, a sua décima reunião da Diretoria Executiva. Na Pauta, entre outros o balanço da sua participação nas Olimpíadas e Paralimpíadas Rio 2016. A reunião convocada  pelo seu presidente jornalista Roberto Monteiro Pinho, será tele presencial, e será transmitida ao vivo pela rede social facebook.

Um comentário:

  1. O jornalista Helio Fernandes, com toda a experiência adquirida ao longo de mais de 90 anos poderia apresentar as soluções que considera factíveis para o Brasil. Por exemplo: quaisquer os politicos do Congresso Nacional, ou fora dele, teriam reconhecidas condições de governar o Brasil? Quem poderia em lugar de Henrique Meireles conduzir a política econômica? Quais as ações a serem implementadas para recolocar o país no caminho do desenvolvimento? Vamos lá, jornalista! Vamos ajudar a construir um novo Brasil. Com críticas e sugestões e não apenas apontando as deficiências que, todos sabemos, existem em quase todos os aspectos da política nacional. Apresente suas soluções!!! Acenda a esperança de que podemos construir um país melhor! Com muito trabalho e disposição de todos que quiserem transformar este sonho em realidade. Basta abordar um tópico por dia e teremos uma bela e construtiva de contribuir com um novo Brasil. Avante, Helio!

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